Estive neste feriado de São João visitando as Itacoatiaras do Ingá, consideradas um monumento arqueológico de grande valor. Itacoatiaras na linguagem Tupi quer dizer “pedras riscadas”. Ali são encontradas inscrições pré-históricas , nunca decifradas, que vêm desafiando o mundo científico há décadas. Os diversos pesquisadores, arqueólogos, historiadores, astrônomos, ufólogos, divergem quanto a autoria daquelas inscrições, atribuída a fenícios, índios de cultura avançada e, até mesmo, extra-terrestres.
Desde 1944 foram tombadas pelo IPHAN – Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, no entanto, dá tristeza ver a que situação de abandono está relegado aquele importante sítio cultural. Sem qualquer apoio oficial das instituições que cuidam do turismo e do patrimônio cultural da Paraíba, o visitante que ali chega fica sem respostas sobre o enigmático painel que ali se encontra. Não há um guia, uma informação técnica, uma estrutura na conformidade do valor histórico daquelas inscrições. O ambiente carece de um mínimo de infraestrutura para atender os turistas. Funciona uma pequena lanchonete, em condições de higiene que não passariam por qualquer perícia da saúde pública. Na verdade, como paraibano saí de lá extremamente preocupado e triste.
O que salva ainda é um modesto Museu de História Natural, fundado em 1995, onde se encontram algumas informações de animais que habitaram a região há milhões de anos, com fósseis valiosos por serem raridades, verdadeiras relíquias, mas que estão expostos sem qualquer proteção, correndo o risco de serem deteriorados ou até mesmo furtados, mesmo porque não há qualquer aparato de segurança no local. Cartazes, também sem qualquer proteção, elaborados manualmente, em folhas de papel cartolina, registram alguns dados que podem interessar aos curiosos. E só.
Impressiona o fato de que a PBTUR não se aperceba da sua responsabilidade em transformar aquele sítio num centro de arqueologia, objetivando proteger e divulgar aquele parque, dotando-o de lojas de artesanato, restaurante, portal de entrada, etc, estrutura mínima para funcionar efetivamente como um atrativo turístico-cultural.
Pelo menos o problema de depredação causada pelos vandalismo está minimizado com a construção de um muro que protege o sítio. Há notícias de que há algum tempo atrás por pouco não perdemos esse patrimônio arqueológico, quando quiseram transformar aquelas pedras em paralelepípedos, ação abortada por cientistas que, em tempo, conseguiram na justiça evitar que isso viesse a acontecer.
As Itacoatiaras do Ingá ficam a 70 Km de João Pessoa, com inscrições rupestres talhadas antes da chegada dos europeus ao nosso continente, numa grande pedra de 24 ms de largura e 3 ms de altura. São sinais sequenciados, ordenados, que lembram constelações, serpentes e variados animais, deixando a todos nós que visitamos aquela localidade curiosos em saber qual a mensagem que esses antepassados estavam querendo transmitir para as civilizações futuras. Estima-se em quinze mil anos essas inscrições.
Ainda é tempo de buscar recursos para transformar as Itacoatiaras do Ingá num centro de referência da arqueologia, como faz por merecer em razão da sua importância histórica e científica. Isso tem que ser uma ação de governo.
