“O Brasil está sendo passado a limpo”. Esta é uma
observação frequente nos tempos atuais, em razão de ações moralizadoras
que algumas instituições vêm desenvolvendo em combate à corrupção, à
prática delituosa de administrar a coisa pública e aos maus políticos. O
Ministério Público, a Controladoria Geral da União, a Polícia Federal, os
Tribunais de Contas e o Poder Judiciário, cada um na sua área de atuação,
têm dado demonstrações efetivas de que a “sujeira não está sendo mais
jogada para debaixo do tapete”. A transparência, a moralidade, a ética, a
lisura, são cada vez mais exigências da sociedade contemporânea .
No campo da legislação eleitoral há registros bastante animadores de que
as ilicitudes estão sendo descobertas e penalizadas com rigor. Na Paraíba,
pelo menos, essa constatação se evidenciou com a cassação pelo Tribunal
Regional Eleitoral, por duas vezes, do governador, por infrações à
legislação, uso da máquina administrativa e compra de votos, e o
Ministério Público Eleitoral e Polícia Federal já denunciaram e
comprovaram novos delitos, os famosos casos dos “envelopes amarelos” e o
dinheiro jogado pela janela do edifício Concorde, cujos processos ainda
serão julgados pelo TRE. Felizmente, para nós paraibanos, os juizes
eleitorais da Paraíba mostraram que não se curvam à força dos poderosos de
plantão.
Pena que o TSE – Tribunal Superior Eleitoral esteja ultimamente andando em
descompasso com essa ação cívica de moralização do processo eleitoral do
país.
A recente decisão por maioria, ainda que apertada, da alta côrte eleitoral
brasileira, quando permitiu aos candidatos que sejam réus em processos
criminais, improbidade administrativa ou ação civil pública, registrarem
suas postulações no pleito que acontecerá este ano, para prefeito e
vereador, surpreendeu, de forma negativa, a todos que entusiasticamente
bradam a necessidade de estabelecermos novos procedimentos políticos e o
acontecimento de eleições livres, verdadeiramente democráticas, sem a
interferência do poder econômico e dos gestores públicos.
“O que dizer do pedido de registro de uma candidatura notoriamente
identificada pela tarja de processos criminais e ações de improbidade
administrativa que pelo seu avultado número sinalizam um estilo de vida do
mais aberto namoro com a delitividade?” Esta afirmação é do Ministro
Carlos Ayres de Brito, quando de sua posse na presidência do TSE. Pelo
visto a decisão frustou não apenas a grande maioria dos brasileiros, mas
também a autoridade que tem a responsabilidade de conduzir as eleições
deste ano em todo o país.
Vivemos no “país dos recursos” onde homens públicos com mandato têm
direito a foro privilegiado e os processos judiciais se arrastam por uma
eternidade. A demora do julgamento dos processos do governador da Paraíba
é outro ponto destoante do TSE em relação a esse momento em que se procura
fazer uma faxina na nossa democracia. O retardamento em colocar em pauta
de julgamento esses processos não só desmoraliza a justiça eleitoral, por
sinalizar uma impunidade injustificável, como está acarretando sérios e
graves problemas administrativos para o nosso estado. Há uma crise de
legitimidade e governabilidade instalada na Paraíba. Urge uma decisão,
seja ela qual for, pela absolvição ou condenação do governador. A não
ocorrência de uma decisão do TSE nesses processos ensejará a interpretação
de que tudo é possível nas eleições que acontecerão em outubro. O
sentimento de impunidade estimulará a corrupção eleitoral.
