Ninguem tem dúvidas de que as eleições majoritárias deste
ano serão plebiscitárias. Os eleitores julgarão os administradores que
pleiteiam a renovação de seus mandatos. Na Paraíba isso faz com que os
prefeitos de João Pessoa e Campina Grande, só para citar as duas maiores
cidades do estado, partam na disputa com favoritismo considerando o
elevado índice percentual de aprovação de seus governos. As oposições
buscam de todas as formas desqualificar as ações administrativas desses
jovens políticos na tentativa de reverter esse quadro de vantagens
percebido.
Pode-se até afirmar que essas candidaturas, apoiadas nos atributos
pessoais de cada um e na indiscutível capacidade de comunicação direta com
as massas que têm demonstrado, se posicionam acima das questões
partidárias. Na verdade o eleitor nestes pleitos municipais faz uma opção
pessoal pela personalidade competente e realizadora, numa avaliação da
gestão que tem acompanhado de perto, sem a preocupação de saber o partido
a que está vinculado ou o arco de alianças que conseguiu construir em seu
apoio. Não podemos desconhecer, entretanto, que em nosso estado estas
eleições, ainda que prevaleça a força pessoal dos candidatos, pode ser
interpretada como uma prévia da disputa eleitoral de 2010. A reeleição
dessas lideranças, Ricardo Coutinho e Veneziano Vital do Rego, concorrerá
para a liquidação política do PSDB como fator decisivo na cena estadual.
Em João Pessoa o pleito parece mais fácil. O prefeito Ricardo Coutinho
firmou-se como um nome considerado imbatível, mesmo que se saiba que
eleição não se ganha de véspera, mas, a julgar pelas observações do clima
de disputa, não existe, pelo menos até agora, adversário com densidade
eleitoral para enfrentá-lo nas urnas. Ricardo impôs uma nova forma de
prática política, contrária ao clientelismo que se verificava ao longo dos
últimos tempos em nossa capital, revelando-se um administrador cônscio de
suas responsabilidades, zeloso no trato da coisa pública e corajoso no
enfrentamento dos problemas que afligiam a cidade. Esse perfil caiu no
gosto popular e tem facilitado a identificação do prefeito com os anseios
e expectativas da população.
Campina Grande, a meu ver, será o centro maior das atenções, por ser o
quartel general do cassismo, onde o governador e seu grupo político
manteve uma hegemonia por mais de vinte anos, interrompida pela
consagradora e surpreendente vitória de Veneziano em 2004. Naquela
oportunidade o atual prefeito tinha contra si as máquinas municipal e
estadual, diferentemente da situação atual em que concorre na condição de
mandatário municipal, com uma gestão que vem sendo aprovada por grande
parcela da população, se destacando como uma liderança carismática,
competente e perfeitamente identificada com a modernidade e o dinamismo
que a sociedade contemporânea exige dos gestores públicos. Nova derrota em
Campina Grande representa para o governador e seus aliados o fim de uma
era política, perdendo o comando da oposição que passará a ser exercida
por outras lideranças emergentes. Em suma, para o cassismo, ou o PSDB, a
eleição campinense é um jogo do “tudo ou nada”, mas podemos afirmar, sem
medo de errar, que será tarefa muito difícil para o governador, a julgar
pelos resultados das pesquisas eleitorais recentemente realizadas,
patrocinadas, inclusive, por veículos de comunicação perceptivelmente
afinados com o poder estadual.
Fiquei surpreso com o discurso de início de campanha do candidato Rômulo
Gouveia e do próprio governador Cássio Cunha Lima, quando afirmaram de que
era importante para Campina ter um prefeito aliado do governador. Na
primeira análise percebe-se aí uma postura de réu confesso do governador,
assumindo de que não tem ajudado a atual administração campinense porque
está nas mãos de um adversário. E, por fim, o deputado Rômulo Gouveia
corre o risco de ver suas declarações serem usadas pelo atual prefeito na
campanha eleitoral se ocorrer a confirmação da cassação do governador e a
consequente assunção ao governo do senador José Maranhão.
Até 05 de outubro todos nós paraibanos estaremos acompanhando com atenção
como se movimentarão esses atores políticos, porque a partir dessa data
poderemos saber como se desenhará o embate eleitoral de 2010. O que se vê,
sem contestações, é que Ricardo e Veneziano são os nomes do futuro
político da Paraíba.
