João Pessoa terá um centro de convenções. A Paraíba
ganhará uma ponte que ligará Cabedelo a Lucena. Esperamos por essas duas
grandes obras há quase cinco anos. As promessas foram feitas em grande
estilo, durante a campanha eleitoral e no início do mandato.
Agora todos nós paraibanos ficamos eufóricos com a notícia de que a viagem
do governador ao Tartaristão vai nos favorecer com a instalação de uma
oficina de helicópteros e uma refinaria de petróleo.
A Paraíba não será mais a mesma depois dessa excursão oficial do governo
estadual a esse desconhecido país que fazia parte da Rússia. Pelo menos é
o que se pode deduzir da entrevista coletiva concedida pelo mandatário
estadual quando do seu retorno. Me impressiona a forma convicta com que o
governador fala desses investimentos, embora já adiante que, se não
acontecerem, será por culpa da oposição e da falta de adesão à idéia por
parte do governo federal. A condicionante poderia até nos fazer perder o
entusiasmo e duvidar do êxito dessa missão governamental. Mas sejamos
otimistas. Afinal de contas ficaria muito ruim para o governante paraibano
novamente vender ilusões como aconteceu com o centro de convenções e a
ponte Cabedelo/Lucena. Sinceramente não acredito que ele teria coragem de
anunciar esses empreendimentos se não tivesse algo concreto acertado.
A não ser que tudo isso seja uma ação planejada para desviar a atenção dos
principais problemas que a Paraíba está vivendo, desde a falta de
legitimidade do seu governo a partir da dupla cassação do seu mandato pelo
TRE e a expectativa do julgamento no TSE, até a paralisia da máquina
administrativa em consequência dessa indefinição jurídica. Seria, por
assim dizer, uma injeção de ânimo para um governo que agoniza e o
levantamento de uma expectativa positiva para a população paraibana.
Ou, por outro lado, uma crise de delírio. Fui ao dicionário ver o
significado da palavra “delírio” e encontrei a seguinte definição: “desvio
da razão contra a qual não valem a experiência, nem a argumentação lógica
e em virtude do qual o indivíduo se afasta cada vez mais da realidade.”
Queira Deus que não seja delírio, mas verdadeiramente um sonho com
efetivas possibilidades de ser realizado. Não posso acreditar que o
governador, como homem inteligente e experiente que tem demonstrado ser,
esteja tão abalado com as complicações enfrentadas a ponto de perder o
senso da razão para alcançar o estágio do delírio, da fantasia, do desejo
desesperado de que o impossível possa acontecer.
Quero deixar claro de que não estou torcendo contra. Muito pelo contrário,
estou sinceramente fazendo votos de que, desta vez, as promessas do
governador se transformem em realidade. Precisamos disso. Prefiro dar um
crédito de confiança, mesmo com os “senões” colocados por ele próprio à
imprensa. A oposição com certeza não irá atrapalhar os seus planos e o
governo Lula não deixará de oferecer apoio aos seus projetos, como tem
feito ao longo desses últimos cinco anos.
E que venham os tártaros, os receberemos de braços abertos.
