A função do legislativo é fiscalizar os atos do Poder
Executivo, legislar em defesa da sociedade e envolver a população na busca
de soluções para as demandas sociais. A atual legislatura na Casa de
Epitácio Pessoa, por sua maioria governista, e sob o comando do seu atual
presidente, parece ignorar essa função nobre que deveria exercer. Vemos um
parlamento estadual que se limita a homologar as decisões impostas pelo
Governador, que coincidentemente vem a ser primo do presidente da
Assembléia, sem sequer colocá-las em discussão. Uma casa legislativa onde
se chegou ao cúmulo de ser proibido requerer informações ao Executivo.
Rompe o limite do absurdo quando promove a reeleição do presidente antes
de cumprido um quarto do mandato. Contraria todos os princípios da
democracia quando desautoriza a constituição de Comissões Parlamentares de
Inquérito para apurar denúncia de irregularidades praticadas pelo governo.
Ganha características de autoritarismo quando não permite a imprensa
televisiva registrar acontecimentos no plenário.
O legislativo paraibano nos tempos atuais padece de autonomia em relação
ao executivo, o que é profundamente lamentável para os que acreditam na
democracia. O que não é de interesse do governador não prospera na
Assembléia, para tristeza dos deputados da oposição e decepção dos
paraibanos que esperam ver no poder legislativo o canal por onde passem
todas as questões que afetem a sua vida.
O que se observa na atividade parlamentar paraibana são atos de
oportunismo exagerado, ocorrências lamentáveis de falta de respeito,
descumprimento determinado e objetivamente pré-estabelecido do regimento
interno da Casa, falta de altivez para se impor com soberania e
desempenhar como deve ser seu papel de legislar e sua função autônoma de
participar da fiscalização dos atos do executivo. Nosso legislativo está
cada vez mais de costas para a sociedade.
Claro que não se deve generalizar. Existem muitos parlamentares ciosos de
suas responsabilidades e que se insurgem contra as decisões autoritárias
do presidente da Assembléia. O pior é que sua maioria está genuflexa à
vontade do governador e adota um subserviente comportamento para atender
aos ditames do chefe do poder executivo.
A passividade e a submissão que se tem constatado nessa quadra histórica
do poder legislativo paraibano maculam um passado onde se verificava uma
instituição reconhecidamente dinâmica, eficaz, corajosa, independente,
eficaz, referência na representação dos anseios da sociedade. Impera uma
política centralizadora e latentemente autocrática, numa flagrante
agressão à democracia e aos fundamentos de definição da atividade
parlamentar.
Os discursos do governador e do presidente da assembléia são peças bem
ensaiadas de um script montado por marqueteiros políticos, cuja afinidade
de temperamento está no próprio sangue. O primo não pode, nem deve,
contrariar a vontade da autoridade maior da família E com isso quem sai
perdendo é a democracia, a soberania e interdependência dos poderes
estabelecidos constitucionalmente, a atuação que se espera do parlamento,
a credibilidade nos políticos, a confiança do povo nos seus
representantes.
A Paraíba, por sua história, não merecia está passando por isso.
