O uso abusivo de drogas tem se constituido nos tempos
atuais num dos grandes problemas sociais da humanidade. O tema merece
atenção especial de toda a sociedade, em razão dos males que tem causado,
estimulando a violência e o cometimento de outros delitos como a prática
de roubos e da prostituição. Cada um de nós tem responsabilidade no
combate a essa chaga social.
A marcha da maconha, evento programado para acontecer no dia quatro de
maio em várias capitais do país, tem despertado amplo debate sobre o
assunto. Penso como a maioria que entende ser essa caminhada pelas ruas da
cidade um incitamento ao uso da maconha.
Entendo que esse debate deveria acontecer de outra forma, em fóruns
fechados, com a participação de cientistas, advogados, psicólogos,
assistentes sociais e outros profissionais envolvidos na questão. A rua
não me parece o local apropriado para se levantar essa discussão.
A criminalização das drogas tem se mostrado um meio ineficaz de controle
do problema. A ilegalidade torna o tráfico altamente lucrativo, porque faz
com que o preço das drogas seja elevado. A proibição estimula o seu uso e
a sua distribuição. A dependência à droga e a impossibilidade ou
dificuldade em arcar com os seus custos financeiros levam a cometimentos
de crimes e infrações.
Tem que haver mais rigor nas penalidades a serem aplicadas ao tráfico. A
lucratividade do negócio com o narcotráfico cresce à medida em que aumenta
a repressão ao uso das drogas. Temos uma cultura com manifesta tendência
condenadora às drogas, mas o tratamento legal e social que oferecemos a
essas situações não tem contribuido para minimizar o fortalecimento das
organizações criminosas e a violência por elas provocadas.
É preciso compreender que existem dois tipos de usuários. O viciado,
própriamente dito, que se torna agressor de si mesmo, e que merece uma
assistência psico-social e médica, e o que se envolve em delitos violentos
e outras práticas criminosas passíveis de reclusão. Quando o viciado
atinge com sua dependência química o direito dos outros merece ser
contido.
A abordagem do tema “drogas” deve ser inclusa nas disciplinas da educação
formal, com mensagens de alerta aos riscos do consumo nos livros
escolares. Deve ser, antes de tudo, um processo educativo, com
advertências em ambientes de grande visbilidade, em especial aqueles
frequentados por jovens.
Substituir o encarceramento do usuário pela prestação de serviços teria um
efeito de reeducação social muito mais eficaz. Jogar o usuário das drogas
que não cometeu crimes violentos num xadrez, passando a conviver com todo
tipo de delinquente é inclui-lo na marginalidade e transforma-lo num
criminoso perigoso e refém das organizações que comandam o narcotráfico.
O problema tem que ser enfrentado pela sociedade, mas não com caminhadas
públicas em defesa do uso da maconha como querem fazer no próximo dia
quatro.
