Os paraibanos se viram nos últimos tempos envolvidos num
debate que, a meu entendimento, é inoportuno e irrelevante como
atendimento às preocupações maiores que o nosso estado vive. A Paraíba
assiste a uma crise administrativa jamais vivida em toda a sua história,
onde o governo perde legitimidade e os problemas que já eram grandes se
agigantam e demandam um esforço comum de todos na busca de soluções que
minimizem nossos sacrifícios, nossas perdas de oportunidade de
desenvolvimento, nossas deficiências enquanto sociedade organizada.
Por isso, não concordo que dediquemos tempo e inteligência na discussão de
que é chegada a hora de mudarmos o nome da nossa capital. Esse
questionamento não trará qualquer benefício à Paraíba de hoje. Antes pelo
contrário, ensejará a retomada de uma contenda política que não produzirá
qualquer efeito positivo para contemporaneidade. Deve ser considerado que
revisar o passado é sempre um assunto muito delicado de se tratar.
Principalmente quando esse passado é relativamente recente na nossa
história. Os ânimos entre os “perrepistas” e “liberais” ainda estão muito
exaltados, o que não proporcionaria uma análise crítica dos fatos com
isenção e despartidarizada.
Mesmo que tenha uma visão de admiração ao Presidente João Pessoa, não
quero, nem devo me aliar aos que fanaticamente o reverenciam ou o
glorificam. Acho que é um paraibano que marcou presença na história
nacional de forma a nos orgulhar, cujo episódio de sua morte provocou
comoção nacional, daí a decisão de adotar o seu nome em nossa capital, mas
entendo também que é muito cedo para promover esse polêmico questionamento
do mérito de ser esse o nome da cidade sede administrativa e política de
nosso estado. São divergentes as opiniões apaixonadas dos que desejam
analisar aquele episódio histórico.
Portanto, independente da observação do merecimento à homenagem àquele
importante paraibano, me atenho à compreensão de que existem problemas
muito maiores a serem discutidos.
Mais do que isso, percebo uma dificuldade enorme em mudar alguma coisa que
está consagrada, sem que haja uma motivação forte e unanimemente
reconhecida pela população. A adaptação ao novo nome não seria fácil de se
efetivar. O transtorno social seria inevitável, com um custo enorme para
os cofres públicos, para a iniciativa privada e para os cidadãos. Valeria
a pena, unicamente para atender um capricho dos que não vêem João Pessoa
como um herói? Podemos nos dar ao luxo de discutir esse assunto quando
tantos outros de maior prioridade interessam aos paraibanos?
Não me convence o argumento de que nome de pessoa seja um empecilho ao
crescimento do turismo de nossa cidade, como querem alguns. Na verdade o
que visualizamos nesse debate é um resquício das paixões políticas de
grupos que se enfrentavam em 1930. Deixemos que as emoções desse passado
recente esfriem para que possamos discutir com mais equilíbrio a questão
de mérito do nome colocado à nossa capital.
Um dia quando esse tema for oportunamente examinado, deve ser objeto de
uma consulta popular não só aos cidadãos que moram e votam em João Pessoa,
mas a todos os paraibanos, afinal de contas não será decidida apenas a
mudança de uma cidade, mas de uma capital, e, então, cabe a todos os
paraibanos emitir a sua opinião a respeito.
