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A sorte do côrno

portalbip.com (Roberto Bezerra) - 16/06/2009
Donga, jogador titular do time de uma certa cidade aqui da Paraíba, além de fanho, tinha um temperamento insuportável. Por muitas vezes foi expulso de campo por conta de sua intempestividade. O pessoal já sabendo disso não perdia uma oportunidade sequer para armar uma provocação com o intuito de tentar prejudica-lo. Parecia o Edmundo quando era provocado. Ia logo perdendo as estribeiras. Grosso, brigão, começava com os palavrões e o próximo passo era partir pra tapa.

O pior de tudo era que ainda pairava sobre ele, uma suspeita de chifre. Brabo daquele jeito, mas, no fundo, apenas um corno manso. Era o comentário que os próprios colegas do time faziam na sua ausência.

Certa vez Donga, durante um jogo, com a posse da bola, já no meio do campo adversário, driblou um, driblou dois, driblou três e chegou de frente ao goleiro que, pra completar, atrapalhou-se, escorregou e caiu. Pronto, Donga ficou livre pra marcar o gol, mas quando se preparou pra dar o chute fatal, veio um jogador adversário que, sentindo que o gol já estava feito e, não tendo mais como evita-lo, resolveu sacanear o Donga tacando o dedo na bunda dele. Realmente, conseguiu evitar o gol. Foi o suficiente para se armar uma tremenda confusão. O técnico, do lado do campo, ao ver o ocorrido ainda tentou acalmar Donga, gritando!

- Donga, por caridade, não estrague tudo. Aja com sensatez.

Donga, que já ia partir pra briga, ao ver o desespero do técnico decidiu apelar para o juiz, gritando em voz alta!

- Ôpa!! Dedo na bunda é falta! Marcou aí seu Juiz?

Dito isso, não contou história. Agarrou a bola com as mãos e colocou-a debaixo do braço. Todo mundo parou abismado. Inclusive o juiz que não pensou duas vezes.

- Tá expulso! Cartão vermelho! Não pode, no meio do jogo, pegar a bola com as mãos.

- Mas foi falta. O senhor tá com o olho aonde que não enxerga? TÁ CEGO? Ele tentou me desmoralizar.

- FOOOOORA!!!!!!!!!!!! TÁ EXPULSO.

Aí não teve mais jeito. O tabefe veio mesmo no pé do ouvido do juiz. O pau quebrou. Tome tapa. Tome confusão. O time de Donga, infelizmente, dançou novamente.

De outra feita, partiram para uma sacanagem ainda maior. Era final de campeonato. O time de Donga estava empatado com o time adversário. Um a um. O problema é que o empate dava a vitória e, consequentemente, também dava o título ao seu time e como já estava no final do segundo tempo, praticamente não tinha mais como reverter o resultado. O técnico do time adversário, completamente desesperado, passou então uma mensagem para um dos seus zagueiros.

- Só tem uma chance. Provoca o atacante principal deles. É o fanho chamado Donga. Dizem que leva uma cangalha arretada. E tem um pavio curto que dá gosto. Qualquer coisinha, ele explode. Inferniza o juízo dele pra ver se ele arma um barraco e a gente consegue anular o jogo.

Assim fez o jogador adversário. Provocou Donga na grande. No meio de uma jogada, foi logo interpelando o coitado.

- Ô donga, como é que tu és fanho desse jeito e o teu menino fala bem direitinho?

- E o que diabo é que isso tem a ver? Eu não faço menino com a boca!

- É, mas os médicos dizem que se o pai tem um defeito, o filho obrigatoriamente também tem que nascer com o mesmo defeito. É genético!

- E o que é que você tá querendo dizer com isso, seu filho da p.....? Que eu, por acaso, sou corno?

- Eu não tô querendo dizer nada, mas se eu fosse você, abria bem os olhos.

Donga, roxo de raiva, quando caiu em si e quis tomar uma atitude o cabra já tinha corrido em direção ao gol do seu time. Não tendo mais como danar a mão na cara do sujeito resolveu então meter uma bolada nele. E fez. Deu um chute com tanta força na bola que a mesma, além de alcançar em cheio a cabeça do safado, ainda desviou e, por conta de uma dessas ironias do destino, foi direto para o gol dele. A torcida não acreditou. Levantou-se em peso aplaudindo Donga. O time adversário também não acreditou. O técnico então, quase teve um treco.

O feitiço havia, simplesmente, virado contra o feiticeiro. O ódio que Donga sentira, naquele momento, transformou-se numa gargalhada sem tamanho. O maior golpe de sorte que todos já tinham visto. O placar simplesmente piorou. Dois a um e o juiz acabara de encerrar o jogo. Agora é que não tinha mais jeito mesmo.

- Eita côrno de sorte!!!!!!!!!!!

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