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Meia furada

portalbip.com (Roberto Bezerra) - 04/08/2007

Não consegui conter o riso essa semana quando um amigo me confidenciou a gafe que passou num consultório médico ao fazer o seu check-up anual. Segundo o seu relato, ao realizar o seu exame clinico, conheceu uma enfermeira muito simpática. Curioso que é, não pôde deixar de notar o belo anel de formatura que a mesma ostentava em seu delicado dedinho.

Com o intuito de puxar assunto, resolveu lhe perguntar o óbvio, ou seja, em que área da saúde a mesma era formada. Orgulhosa, ela respondeu que era enfermeira, mas, que, mesmo parecendo uma incoerência, também cursava Direito na faculdade, pretendendo futuramente vir a ser uma delegada de polícia.

Para alimentar o seu ego, disse-lhe que tanto admirava a profissão de enfermeira como também a de delegada. E no caso dela, por ser tão bonita, se porventura, ocorresse uma situação de assédio, era cadeia na certa para o engraçadinho. Ela abriu um belo sorriso quebrando assim qualquer gelo que porventura ainda estivesse existindo.

Logo em seguida chegou o médico e começou a realizar o exame. Meu amigo, feliz da vida e tentando de tudo para fazer charme para aquela bela e futura delegada, vez por outra, ostentava até o seu rolex financiado para ela, que também não parava de olhá-lo, com ares de interessada, não sei se nele ou no rolex.

Por vezes, nas perguntas que o médico lhe fazia, ela prontamente até intervia com o intuito de lhe facilitar as respostas ou talvez também para demonstrar o seu conhecimento na área de saúde.

Segundo o Casanova as coisas já estavam quase virando um romance quando o médico lhe chamou à balança para verificar o seu peso. A enfermeira, prontamente, correu também para perto da balança acompanhando assim o meu amigo e de imediato foi logo se prontificando para ajudá-lo. Até se curvou para lhe ajudar a tirar os sapatos.

Mas foi aí que talvez por uma ironia do destino, lamentavelmente para meu amigo, o castelo começou a desmoronar. Ocorre que quando a sua quase futura namorada e pretendente à delegada o ajudou a retirar o segundo sapato, qual não foi a sua surpresa? Pois justamente aquele pé estava portando uma meia furada. Um furo, segundo ele, relativamente pequeno, mas suficiente o bastante para que o julgamento da sua delegada funcionasse, a todo vapor, contra ele.

Nosso Don Juan empalideceu. Que vergonha. No meio de uma conquista tão bem encaminhada, lhe acontece uma gafe de tal natureza. E o pior, segundo ele, foi o sorriso disfarçado do seu médico. Um sorrisinho filho da égua, só perdendo para o olhar de desprezo que lhe foi dirigido pela sua ex-conquista. Ao médico, silenciosamente, respondeu com um olhar que fez com que o mesmo entendesse de imediato que acabara de perder o cliente. À enfermeira, quando conseguiu finalmente enfrentar o seu olhar, nada conseguiu dizer ou expressar, pois por trás daquele olhar estava praticamente escrito o que ela estava pensando dele.

- Onde já se viu? Deve ter perguntado para si mesma. Ostentando um relógio desses no braço enquanto usa no pé uma meia futrica dessas e ainda por cima, furada. Um típico pé-rapado. Isso é o que deve ser. Vive de aparências, isso sim. Um pobretão. Esse relógio provavelmente deve ser falso. Por certo, comprado em algum camelô.

Meu desafortunado amigo concluiu me dizendo que deixou o consultório sentindo-se triste e humilhado e vendo todo o seu intento descer pelo ralo. Até, num ímpeto de coragem, ainda tentou jogar uma última carta, embora, bastante sem jeito, para tentar justificar o mico, mas, foi muito pior. Foi imediatamente interrompido pela bela enfermeira que, sem nenhuma contemplação, lhe jogou na cara:

- Não se preocupe com isso. Cada um faz o que pode! Pobreza nunca foi motivo de vergonha.

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