Assaltar por assaltar, essas foram as palavras ditas, sem nenhuma emoção na voz, pelos dois marginais que assassinaram friamente o jovem estudante do Cefet, José de Sá Ferreira Neto, de apenas vinte e um anos de idade. Não foi para comprar drogas nem muito menos se tratou de acerto de contas. Queriam apenas a sua moto.
Com toda certeza, não puseram fim apenas a uma jovem vida, mas, também, a toda uma expectativa de vitórias e de realizações. Desperdiçaram de uma forma maldosa uma jovem parte do maior veio de esperança da humanidade, que é a própria juventude. Criaram também, com o seu ato vil, um eterno tormento para os pais desse garoto que, sem sombra de dúvida, nunca mais conseguirão apagar de suas mentes esse trágico acontecimento.
Quis o destino, que mais uma vez esses facínoras desocupados atravessassem o caminho de quem, através dos caminhos legais, luta através do árduo aprendizado para alcançar a vitória na vida. E digo, tristemente mais uma vez, porque recentemente outra estudante, a jovem Patrícia, foi brutalmente assassinada no Conjunto Ernesto Geisel, também por outros três bandidos, quando seguia tranqüilamente para a sua residência ao sair do colégio em que estudava.
E, desta feita o objeto, alvo do roubo, que resultou nesse crime bárbaro, nada mais era que apenas um mero aparelho de telefone celular, que, hoje em dia, você adquire pela insignificante quantia de dez reais. Infelizmente, foi motivo suficiente para que esses criminosos, sem piedade, tirassem a vida de mais uma jovem estudante de João Pessoa, também cheia da mesma esperança que tinha o jovem estudante do Cefet.
Quem, como eu, também é pai, sabe bem o tamanho do calafrio que sentimos quando tomamos conhecimento de notícias como essa e, de certa forma, nos colocamos no lugar desses pais que perdem os seus filhos desta maneira absurda e completamente injusta.
Por coincidência, eu também tenho um filho de vinte e um anos que cursa a faculdade no Cefet e tem o sobrenome Ferreira também. O meu calafrio até aumenta quando penso em tudo isso. Quando avalio que poderia ter sido ele. Na realidade, poderia ter sido o filho de qualquer pessoa, afinal, a violência não prefere nem tampouco escolhe ninguém. Simplesmente aborda quem quer que seja para violentar brutalmente o seu espaço.
É lamentável vermos, a cada dia que passa, os índices de violência aumentarem sem nenhum freio. No país inteiro, assistir aos tele-jornais tornou-se um verdadeiro martírio. São crianças assassinadas, sendo arrastadas por quilômetros, por assaltantes. Ônibus sendo incendiados por marginais com todos os passageiros dentro. Estudantes sendo assassinados. Taxistas sendo assaltados e mortos dentro dos seus carros. Uma verdadeira lástima. O tráfico de drogas predominando. A pirataria prevalecendo. Os escândalos envolvendo políticos e autoridades de alto nível, a cada dia, acontecendo em maior número. Um verdadeiro caos generalizado.
Enquanto isso, a Câmara e o Senado se desmancham fazendo CPIS por fraudes e quebra de decoro parlamentar que acabam não dando em nada. E a população que os elegeu, como sempre, ficando completamente relegada ao descaso e ao completo esquecimento.
Quantos jovens mais terão que ter as suas vidas ceifadas para que se tome algum tipo de providência para evitar tanta violência? Quantos pais terão ainda de amargar esse tipo de perda? Terá finalmente se tornado uma utopia o fato de que os filhos é que têm de enterrar os seus pais quando, de preferência, os mesmos tenham se tornado bem idosos? Afinal, hoje em dia, o que, lamentavelmente, mais assistimos é o contrário, por conta, quase que exclusivamente, dessa triste onda de violência que parece ter virado moda em nosso país.
