De repente, o meio ambiente virou uma preocupação mundial. E, na realidade, não é à toa que isso ocorra. Não sei se alguém já ouviu, alguma vez, a história daquela pessoa que comia demais e todos os dias era alertado para os males que aquele mau hábito poderia lhe trazer à saúde e mesmo assim, continuava a fazê-lo.
Pois é, essa pessoa alegava que quando atingisse uma certa idade, pararia de comer tanto e começaria a cuidar melhor da sua saúde, procurando seguir uma dieta satisfatória.
Infelizmente, quando ele resolveu assumir esse compromisso não deu mais tempo. Quando menos esperou, sofreu um infarto fulminante e morreu.
E já que estamos comemorando nesta semana, mais precisamente, no dia cinco de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente, talvez seja interessante lembrar que de uma forma quase semelhante age também os líderes das grandes nações em relação ao meio ambiente. Esses mandantes, que deveriam ser os guardiões mundiais da natureza vivem prometendo ações mirabolantes de proteção e pouco ou quase nada, assistimos ser feito de realmente concreto.
Ao contrário, hoje em dia vemos esses falsos guardiões assistirem, de uma forma quase passiva, o derretimento vagaroso e agonizante de todas as grandes geleiras do mundo e não conseguimos ver derreter uma só pedra de gelo no coração desses verdadeiros homens-gelo.
O aquecimento global consegue, pelo visto, aquecer apenas o planeta, mas, não consegue esquentar as idéias desses homens que, lamentavelmente, foram escolhidos, por nós mesmos, para tomar conta da terra e proteger o planeta.
A diminuição da camada de gelo no oceano ártico é de aproximadamente nove por cento a cada dez anos. As três geleiras que existem na África já perderam mais de oitenta por cento da sua superfície. Provavelmente, as do Kilimanjaro, desaparecerão completamente nos próximos vinte anos.
Temperaturas altas diminuem o gelo e a neve, afetando seriamente os ecossistemas, fazendo com que a terra e o mar necessitem absorver uma quantidade cada vez maior de luz solar fazendo com que a temperatura suba cada vez mais.
Noventa e oito por cento de toda a água fresca do planeta se encontra na Antártida e na Groelândia. Com o excessivo aumento da temperatura, se só a Groenlândia derretesse, o nível do mar subiria sete metros. Para se ter uma idéia da catástrofe que aconteceria, de 1870 até 2001, todos os fenômenos de degelo que ocorreram no mundo inteiro só elevou o nível do mar em apenas vinte centímetros.
Se o nível do mar subir um metro, e as nações não tomarem ações urgentes de adaptação a essa elevação, cerca de cento e cinqüenta milhões de pessoas viriam a sofrer constantemente com o efeito de inundações, a maioria delas, ocorrendo no continente asiático.
Mas as complicações não se dariam apenas nas regiões polares e montanhosas. As variações climáticas produziriam efeitos negativos no mundo inteiro, inclusive, no Brasil, que tem um dos papéis de maior importância no que tange à proteção do meio ambiente.
O Brasil possui, por exemplo, o maior pulmão do nosso planeta que é a floresta amazônica. É possuidor também do maior rio, em volume d’água, do mundo que é o rio Amazonas, detentor de dezessete por cento de toda a água líquida da Terra. É a maior bacia hidrográfica do mundo. São três mil espécies de peixes, fora as outras enormes variedades de tantos outros animais. É, sem dúvida, um campeão, também, na biodiversidade.
Como tratar então uma questão tão delicada associada a outras, não menos delicadas, como dívida interna e externa? Cuidar da preservação ambiental ou pagar as contas? A urgência em pagar as contas fez o Brasil optar pelo desenvolvimento econômico ao invés da proteção ambiental. Em 2005, por exemplo, a floresta amazônica teve 26.130 Km2 de sua área devastada. A necessidade material prevaleceu mais uma vez e a natureza perdeu.
Se o Brasil não procurar mudar sua atitude em relação à Amazônia, o mundo pode nos tomar essa região. E o argumento será simples e até bem válido: “Toda propriedade privada só se legitima se guardar sua função social”. Precisamos abrir os olhos.
