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João Pessoa - PB -

Quer comer, agüente a maçada

portalbip.com (Roberto Bezerra) - 24/03/2007

Não adianta se estressar. Ou se acostuma com a maçada e procura desenvolver uma paciência de Jó ou simplesmente se aborrece e vai embora sem comer. Nem em fila de banco, vi tanta demora.

Assim é a situação do quiosque onde, vez por outra, como cachorro quente ou tomo uma sopa. O produto, não se pode negar, é ótimo, mas o atendimento é de uma morosidade fenomenal.

Numa certa ocasião procurei me sentar, num banco, quase do lado do dono, na esperança de que usando essa estratégia, conseguiria conversar o juízo dele e ser atendido mais rápido.

Besteira. Só perda de tempo. Ainda tive que escutar um carão acompanhado de piadinhas.

- “Aguarde sua vez”. “Num tá vendo que tá todo mundo esperando?”. “Quer fazer graça, é?”.

Não adianta o uso de estratégias. Ao contrário, com elas, você pode até estar se arriscando a sair sem comer. Ou, no mínimo, ter que agüentar um cansaço maior ainda para ser servido.

E haja tempo. Além de tudo, ele ainda se deixa interromper por tudo quanto é asneira. Quando não é uma notícia na televisão, é gente querendo saber o preço de um produto ou então é outro querendo trocar dinheiro. Onde já se viu, uma pessoa preparando um sanduíche, já com o pão aberto na mão e chegar alguém querendo que ele pare o que está fazendo para trocar dinheiro?

E o pior é que ele pára mesmo. Não para trocar o dinheiro, mas pra ficar jogando conversa fora com o interlocutor e depois ainda vem comentar com a gente o ocorrido. E o cliente ficava lá olhando o pão ainda aberto na mão dele, fulo de raiva, reclamando da demora do cachorro quente.

Quantas vezes vi as pessoas comerem o seu cachorro quente inteiro e o refrigerante não chegar. Lá pelo meio do segundo, é que, após muita insistência, ele era finalmente servido.

A única alternativa pra quem quiser comer lá sem ter que levar tanta maçada é partir para um bom prato de sopa quente, pois a mesma demora bem menos pra chegar ao cliente, isto é, se uma das meninas resolver entregá-la. Se cair nas mãos do nosso amigo, lamentavelmente, alguém irá tomá-la, no máximo, morna.

Outra coisa que mexe também com os nervos da clientela é o escavacado que ele faz com os garfos na carne do cachorro quente. Provoca uma verdadeira agonia. Às vezes, ele chega a largar o pão em cima do balcão, já com a metade dos ingredientes dentro e vai mexer nas estufas.

Essa aqui, então, é uma das mais folclóricas que acontece por lá. Você fica vendo a carne fumaçando de quente e, quando menos espera, aparece uma das meninas com um depósito cheio de salsichas frias e entrega a ele, que simplesmente mistura tudo no meio da carne e das outras salsichas que já estão quentes.

Pronto, daí pra frente, quem tirar a sorte grande de ter o seu cachorro quente preparado com a salsicha quente, será feliz. Quem não tiver a mesma sorte, vai comer o seu com a carne e a verdura pegando fogo, mas com a salsicha fria. E quem já comeu dessa forma, conhece bem o desconforto que isso causa ao paladar. A comida forma uma verdadeira bucha dentro da boca.

Outro episódio interessante aconteceu com o finado Levi, quando ainda vivo. O mesmo tinha um pavio pra lá de curto e, como já conhecia bem a demora do local, pediu um cachorro quente apenas com a salsicha dentro do pão e só. Mesmo assim, ainda esperou vinte minutos. No final, não agüentou, deu as costas e foi embora sem conseguir comer.

Mesmo sendo vítima desses deslizes, somos obrigados a reconhecer que o cachorro quente dele, apesar de tudo, é uma delícia. Tanto é que as mesas e os bancos vivem completamente ocupados.

É um misto do sabor dos cachorros quentes da Festa das Neves com o daquelas barracas que ficam na calçada ao lado de um posto de gasolina localizado na Av. Vasco da Gama, no bairro de Jaguaribe. Provavelmente, as barracas de cachorro quente mais antigas de João Pessoa.

Mas, independente do bom sabor da comida, continuam crescendo, cada vez mais, as reclamações por conta da demora e do mau atendimento do nosso amigo. E ele continua lá, sem dar a mínima importância para elas. Responde sempre que, quem não quiser esperar, não tem problema, sempre vem outro para comprar.

Roberto Bezerra
  • Administrador de empresas, microempresário e colaborador da imprensa
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