Nesta última quinta-feira, a FIFA foi obrigada a descer do muro e, por conseguinte, tomar uma decisão sobre a liberação ou não de jogadores para a Olimpíada de Pequim. Até que enfim. Já estava mais do que na hora. Ninguém agüentava mais esta briga de bastidores envolvendo clubes europeus e seleções no que diz respeito à liberação dos seus atletas.
A Dona FIFA reiterou, neste comunicado, que os clubes de futebol, principalmente os europeus, devem liberar todos os jogadores Sub-23 que foram convocados por seus países para os Jogos Olímpicos de Pequim. Já no que tange aos "veteranos", a FIFA reconheceu a importância das Olimpíadas, mas pediu que haja um bom senso e solidariedade entre os clubes e as seleções na solução desse impasse. Segundo o presidente Joseph Blatter, os clubes não são obrigados a liberar os jogadores acima de 23 anos, mas ele já pediu diversas vezes que os jogadores possam defender seus países, até como forma de respeito ao "espírito olímpico".
Mas, na verdade, todo mundo sabe que a FIFA nunca viu com bons olhos o futebol nas olimpíadas. Qual o motivo? É muito simples. A entidade máxima do futebol considera as olimpíadas uma concorrência perigosa para a Copa do Mundo. Não foi à toa que eles criaram esta regra limitando a inscrição de jogadores até 23 anos de idade. Tudo para não transformar os jogos olímpicos numa segunda Copa do Mundo e, conseqüentemente, prejudicar os seus interesses comerciais e as vantagens pessoais que ganham com esse evento bilionário que é o Mundial de Seleções.
Sendo assim, eles não fazem a mínima questão de colaborar para o sucesso do futebol nas Olimpíadas. Quanto menos em evidência melhor. Além do mais, a Dona FIFA não é louca de contrariar as Confederações Européias que são terminantemente contra a realização dos jogos e constantemente vêm exercendo uma pressão sobre a mesma, sob a alegação de que as Olimpíadas coincidem com o início da temporada no continente.
Daí eu pergunto: será que ainda vale a pena o futebol masculino numa Olimpíada? Para nós sul-americanos sim. Faz parte da nossa cultura. Nós - brasileiros - há muito tempo alimentamos o sonho da inédita medalha de ouro e temos a fama de supervalorizar o futebol nos jogos olímpicos. Mas os Europeus não pensam assim. É por essa e outras que a FIFA pretende transformar a olimpíada num campeonato de juniores. Porém, eu acredito que esta não seja a melhor solução para o caso, afinal de contas cada vez mais cedo os nossos jogadores vão para a Europa e com apenas 18 anos de idade já se tornam titulares nos seus clubes. Portanto, ficaria tudo como está. Não mudaria em nada o atual panorama.
Não obstante tais fatos, eu fico bastante entristecido pelo fato do futebol não receber a devida atenção numa Olimpíada. A impressão que passa é a de que o futebol está lá por obrigação. Aliás, pouca gente sabe, mas neste ano de 2008 comemora-se o centenário da mais antiga competição entre seleções do futebol mundial. Não, não é a Copa do Mundo. Estou falando do próprio Torneio Olímpico. Como você pode ver, existe uma magnífica história por trás de tudo isso. É por este motivo que futebol olímpico merece respeito. Porém, a Dona FIFA não pensa assim. Ela vem fazendo de tudo para sabotar a importância desta histórica competição e procurando cada vez mais esvaziá-la, no intuito de não desvalorizar a jóia da coroa, ou seja, a Copa do Mundo. Portanto, tudo não passa de politicagem. Essa é a triste realidade.
Mas, enfim, depois de inúmeras confusões e desgastantes novelas protagonizadas por clubes e seleções, está mais do que na hora da FIFA e do COI repensarem urgentemente a situação do futebol olímpico.
Enquanto isso, vamos deixar o futebol viver o seu próprio mundo. E, neste mundinho particular, as Olimpíadas são um incômodo. Isso é fácil de perceber. O esporte mais popular do planeta é um estranho no ninho olímpico. Pelo menos é essa a impressão que tenho. Até a próxima!
