Pois é meus amigos, não é que o título da Taça
Libertadores da América foi mesmo parar em Quito. Que me perdoem o
trocadilho das palavras, mas QUE TORTURA foi esse jogo final para a
torcida pó-de-arroz. Sem sombra de dúvidas foi o dia mais triste da
história do Tricolor Carioca. Acredito que o sentimento de boa parte da
sua torcida é mais de decepção do que de revolta.
Digo isto porque, depois de eliminar os poderosos Boca Juniors e São
Paulo, não se falava outra coisa nas Laranjeiras senão que o Fluminense
seria o campeão. Esqueceram, porém, que do outro lado também tinha uma
equipe com o mesmo pensamento. A LDU não é um timaço, longe disso, mas ela
provou de uma vez por todas que não é só a altitude que ganha jogo. Eles
mostraram que também têm bons valores individuais, um treinador competente
e uma torcida igualmente apaixonada. Não foi à toa que eles ignoraram a
mística do Maracanã e diante de 80 mil torcedores conquistaram o inédito
título da Libertadores da América.
Porém, o excesso de confiança foi o principal motivo que fez o Fluminense
sair derrotado do Maracanã. Essa façanha da LDU retrata a vitória da
humildade contra um Fluminense que pecou em excesso. Na minha modesta
opinião, ninguém pode se assumir campeão antes da hora. Talvez iludido
pelo fato de ter eliminado os temidos Boca Juniors e São Paulo, esse clima
de oba-oba acabou tomando conta das Laranjeiras. Mas não pode ser assim. O
futebol não perdoa. Para que um time seja vitorioso são imprescindíveis
dois requisitos básicos, quais sejam: menos “falação” e mais atitude.
Seja qual for o esporte, acreditar em si mesmo é algo fundamental, é uma
nobre virtude, mas o Ministério do Futebol adverte que “confiança em
excesso pode ser altamente prejudicial”. E o Fluminense não seguiu tais
recomendações. Até mesmo o mais ilustre torcedor pó-de-arroz, o
inesquecível dramaturgo Nelson Rodrigues, disse certa vez numa de suas
mais famosas crônicas: “seria loucura pensar numa vitória certa ou fácil”.
Mal sabia ele que depois de vários anos essa frase se aplicaria com
perfeição ao jogo mais importante da história do clube do seu coração.
Houve, de fato, uma mistura de motivação com confiança exacerbada,
soberba. E foi aí que o Fluminense perdeu o título. Alguém pode até dizer
que se tivesse sido campeão nada disso estaria vindo à tona. Pode ser. Faz
sentido. Mas é aquele tal negócio, quando se levanta o tapete depois de
uma derrota as coisas negativas aparecem uma atrás da outra. Só para citar
um exemplo do tamanho do excesso de confiança, eis a declaração do
lateral-esquerdo Júnior César após o primeiro jogo da final: “O que é
deles está guardado para o Maracanã”. Esquecera ele, porém, que existe uma
linha tênue entre confiança e soberba.
No mais, convém enaltecer que existem treinadores que se tornam
folclóricos por suas declarações e deboches. E o técnico Renato Gaúcho faz
parte desta privilegiada lista. Sem sombra de dúvidas todas as suas
declarações polêmicas antes do jogo somado à sua tentativa de motivar os
jogadores acabaram soando como uma espécie de soberba e arrogância. Nada
mais natural. Só espero, todavia, que este episódio sirva de lição,
especialmente no que diz respeito ao exercício da humildade nos momentos
de euforia e vibração.
Enfim, no futebol ninguém vence de véspera. A soberba não leva a nada. O
Fluminense é a maior prova disso. Se antes da final o clube estava a um
passo do paraíso, com esta derrota só restou segurar a lanterna do
Brasileirão. Como se vê, um dia estamos está no topo, mas no dia seguinte
podemos estar no fundo do poço.
