“A Seleção se divorciou do povo. Não é mais o Brasil”.
Sábias são as palavras do premiado escritor Ruy Castro. Hoje em dia a
Seleção Brasileira se transformou numa Seleção comum. Poucos se importam
com a convocação, poucos se interessam em assistir aos jogos. Virou uma
banalização total. A instituição Seleção Brasileira precisa ser repensada.
Não podemos ficar de braços cruzados e assistirmos a CBF transformar nossa
seleção numa máquina de fazer dinheiro. Essa é a triste realidade. A
camisa Amarelinha perdeu a sua mística. Nos dias atuais o que vemos são
amistosos caça-níqueis na Europa contra times de pouca tradição ou ainda
excursões para jogar nos EUA e encher o bolso dos nossos dirigentes.
Ou seja, todo esse jogo político só vem distanciando cada vez mais a
Seleção de seus torcedores. Infelizmente o escrete canarinho já não move
mais tanto interesse assim. Qual o motivo para tal constatação? É simples.
A atual seleção brasileira não passa o mínimo de empatia e credibilidade.
Ela não empolga, não brilha, não convence, não tem ídolos e não tem
identificação. Vexames hoje são rotineiros para nós – torcedores - que
paramos (ou pelo menos parávamos) para ver o Brasil jogar. Já estou
cansado de ver em campo uma equipe mais do que comum, sem atitude, com um
esquema retrancado e que não impõe respeito a mais ninguém.
Se já não bastasse isso, os nossos jogadores também vêm perdendo o
respaldo perante a torcida. Muitos deles pensam erroneamente que já são
estrelas consagradas do futebol mundial ou coisas do tipo. Falta vontade
de vencer. Falta prazer em vestir a Amarelinha. Falta identidade com o
torcedor pelo fato de a maioria atuar em clubes da Europa. Isso sem contar
que a Seleção Brasileira, para eles, não passa de um trampolim para tentar
uma transferência milionária para o bajulado mercado europeu.
Quanto ao nosso “treinador” Dunga (se é que podemos chamá-lo assim), vou
bater mais uma vez nessa tecla e alguns podem até pensar que sou
implicante, mas sinceramente o Dunga não tem a mínima condição de comandar
uma Seleção. Motivos não faltam, a começar pelo destempero e descontrole
nas entrevistas coletivas. Além do mais, não é de hoje que ele tem mania
de perseguição e encara qualquer crítica como ofensa. É uma pessoa
extremamente arrogante durante suas coletivas de imprensa, sempre dando
respostas atravessadas aos jornalistas. Falta também experiência,
currículo, enfim, requisitos indispensáveis para ser um técnico de
futebol. E todos sabem que o Dunga nunca foi sequer treinador de time de
botão.
Todavia, apesar dos últimos fracassos diante da Venezuela, Paraguai e
Argentina, ele deve se manter no cargo e será apenas mais um que vamos ter
que engolir. De qualquer forma, já começa a pesar a escolha da CBF de
apostar em alguém sem qualquer experiência na função.
Enfim, diante de tudo isso que fora exposto, é triste ver que hoje nossa
seleção é apenas uma coadjuvante no futebol mundial. E, para mudar esse
contexto, torna-se imprescindível que tanto Dunga quanto o Presidente
Ricardo Teixeira e até mesmo os jogadores revejam seus conceitos atinentes
à Seleção sob pena de decretarem o fim de um dos maiores patrimônios do
povo brasileiro: a paixão pela Seleção Nacional.
