Essa final da Copa do Brasil entre Sport e Corinthians
deu mesmo o que falar. Foi um tal de disse-me-disse. O assunto não foi
outro senão a estúpida disputa entre os Estados de Pernambuco e São Paulo,
exacerbada pela imprensa paulista que tentou denegrir a imagem do time do
Sport e até mesmo da cidade de Recife. Puro bairrismo. É lamentável que
ainda exista isso no nosso país. Futebol é futebol, une a todos e louva-se
quem vence.
O título da Copa do Brasil pelo Sport foi mais do que merecido. Não foi à
toa que o Leão da Ilha eliminou os poderosos Inter, Palmeiras, Vasco e
Corinthians. Ele simplesmente triturou todos os seus adversários na “Ilha
de Lost”, ou La Bombonilha como foi carinhosamente apelidada por seus
torcedores. Foi uma campanha grandiosa e digna de ser enaltecida por parte
da imprensa. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Muito pelo contrário. O
que se viu foram inúmeras críticas sobre a questão da venda de ingressos
para os torcedores corintianos, além de uma certa intolerância e
impaciência no que diz respeito às declarações de alguns jogadores do
Sport. E não pára por aí. Vale a pena ressaltar que uma determinada
emissora, cujo nome prefiro não citar, foi descaradamente parcial a ponto
de narrar os gols do Sport com uma “alegria” efusiva e emocionante. Foi
ridículo. Mas isso é o de menos.
Já não é de hoje que a imprensa esportiva brasileira virou sinônimo de
piada quando o assunto é futebol. Infelizmente somos obrigados a ouvir
narrações bairristas e tendenciosas, sem o mínimo de profissionalismo.
Falta isenção à imprensa nacional. É claro que não são todos, mas a sua
grande maioria é adepta de um bairrismo intolerável.
Achei um absurdo esta rivalidade entre Recife e São Paulo alimentada nos
últimos dias em virtude da final da Copa do Brasil e de alguns incidentes
envolvendo jogos do Palmeiras contra alguns times pernambucanos. Isso não
existe. Ouvi certas coisas que me deixaram incrédulo. Não vamos chegar a
lugar nenhum levantando esse movimento entre paulistas e pernambucanos,
entre sudeste e nordeste. Aliás, nós aqui do Nordeste nos fazemos de
vítima e, constantemente, levantamos a bandeira do preconceito, acusando
os paulistas de bairristas. Acho um pouco de exagero nisso também. Do lado
de cá igualmente não faltam profissionais desse naipe. O que eu quero
dizer, portanto, é que sou contra qualquer forma de preconceito. Não
podemos perder o bom senso e o equilíbrio das coisas. Não se justifica
colocar dois Estados do mesmo país em pé-de-guerra por causa do futebol e
de algumas declarações precipitadas e inoportunas de uma parte da
imprensa. Não existe isso de Nordeste x Sudeste. É preciso dar um basta no
bairrismo.
Enfim, deixo aqui a minha postura de total repúdio ao tratamento hostil,
leviano e bairrista de alguns profissionais da imprensa que não hesitam em
proteger determinados clubes. Faz-se mister dar um tapa de luvas nessa
imprensa bairrista que usa a mídia para defender interesses alheios e
mascarar a verdade dos fatos. É preciso reconhecer e valorizar o time do
Sport e a sua brilhante campanha na competição. Chega de argumentos
estapafúrdios para tentar denegrir a imagem dos clubes pequenos. O futebol
de hoje não se apega mais à tradição. Portanto, essa imprensa bairrista (a
qual também incluo os profissionais aqui do Nordeste) não pode agir como
se fosse a voz de Deus, onipotente, onisciente e infalível. Queremos
imparcialidade e mais profissionalismo. E não é pedir muito!
EM TEMPO: Parabéns ao Sport pelo título mais importante de seus 103 anos
de existência. A turma é boa. É mesmo da fuzarca. Um campeão de fato e de
direito.
