Pois é meus amigos, o Fluminense ignorou a tradição do
Boca Juniors, seis vezes campeão da Libertadores da América, e avançou à
final do maior torneio sul-americano com méritos... e com um pouco de
sorte convenhamos.
Mas coube ao clube das Laranjeiras eliminar o bicho-papão Boca Juniors
depois de 45 anos, quase meio século após a fantástica conquista do Santos
de Pelé, em 1963. Portanto, já estava mais do que na hora. Nos últimos
onze mata-matas de Libertadores, os nossos hermanos xeneizes não nos deram
chance. Mas, desta vez, o Fluminense de Thiago Silva & cia jogou por água
abaixo este longo tabu e deixou o Tricolor bem próximo do inédito título.
Como bom brasileiro que sou, confesso que vou torcer para o Flu – não para
o prepotente Renato Gaúcho. Aliás, não suporto a sua arrogância em certos
momentos, além de suas infantilidades nas entrevistas e as suas frases
sempre polêmicas. Na minha opinião, ele deveria baixar um pouquinho a sua
bola e deixar de lado esse seu comportamento, às vezes adolescente, de
provocar os adversários.
Não obstante tal fato, o Fluminense fez por merecer essa vaga na grande
final. Dono da melhor campanha, ataque mais positivo, defesa menos vazada,
100% de aproveitamento no Maracanã. Não foi à toa que o Flu chegou lá.
Agora só restam 2 jogos para a tão sonhada taça. Somente a LDU, do
Equador, separa os Tricolores do almejado título continental e do cobiçado
mundial de clubes no Japão.
Depois de vários anos na obscuridade, o Tricolor carioca deu a volta por
cima e agora tem tudo para atingir a maior glória de seus 106 anos de
existência. Aliás, quem derrubou os dois maiores gigantes da história
recente do futebol sul-americano - São Paulo e Boca Juniors - tem créditos
de sobra para pensar alto e ir mais além.
Porém, o futebol às vezes é traiçoeiro e costuma nos pregar uma peça.
Sendo assim, um pouco de cautela não faz mal a ninguém. O Flu tem que
encarar esta partida com bastante afinco e determinação. Tanto os
jogadores quanto os seus torcedores não podem entrar no clima de já
ganhou. Esse “oba-oba” tem de ficar do lado de fora do vestiário. Será
preciso respeitar o adversário. Não menosprezá-lo. Será preciso seguir à
risca o trecho do hino tricolor que diz “fascina pela sua disciplina”.
Essa é a receita do sucesso: ter disciplina tática, técnica e respeitar o
oponente mesmo que este não tenha um grande prestígio no continente.
Mas, enfim, no dia 2 de julho o Maracanã será palco desta grande decisão e
as cores verde, vermelho e branco tem tudo para dar o tom da vitória. Com
o verde, a torcida pó-de-arroz carrega a esperança deste inédito título.
Com o vermelho, a torcida veste o encarnado da paixão. E com o branco, a
torcida enaltece o passado e o presente de conquistas e alegria. Ou seja,
a América do Sul tem data e local marcados para se pintar de Tricolor. É
esperar pra ver.
