Quando os resultados não vêm, “sempre sobra para o
treinador”. Não existe clichê maior no futebol brasileiro do que este.
Entra ano, sai ano, a ciranda interminável de técnicos não pára. É sempre
assim. Demitir o treinador parece ser a saída mais fácil para resolver o
problema das derrotas.
O campeonato brasileiro mal começou e a dança das cadeiras já está
agitadíssima. Em apenas 3 rodadas, já são 6 cabeças rolando. É
impressionante. Os nossos dirigentes não aprendem mesmo a lição. Está mais
do que comprovado que é preciso dar um voto de confiança ao treinador. É
preciso dar tempo ao tempo. Os números não mentem e estão aí para provar
tal fato. Em 2006, os 5 primeiros colocados do Brasileirão não trocaram de
técnico durante a competição. Já em 2007, dos 5 primeiros, apenas o
Flamengo mudou o seu comando.
Como se pode ver, não resta dúvidas de que o melhor para a produtividade
de uma equipe é manter a comissão técnica por um longo período. Torna-se
imprescindível acreditar no seu trabalho, na sua metodologia e no
desenvolvimento do seu projeto. Parece um sonho distante? Provavelmente
sim. Digo isto porque não será da noite para o dia que a cultura do
futebol brasileiro irá mudar. Dificilmente veremos, aqui no Brasil, um
exemplo como o do técnico Alex Fergusson, do Manchester United, que dirige
a equipe inglesa há mais de 20 anos.
Muito pelo contrário. Está se tornando uma cena cada vez mais comum vermos
os treinadores recém demitidos clamarem, nas mesas redondas de domingo à
noite, por “paciência” e “continuidade no trabalho”. Realmente eles têm
razão. Faz-se mister a manutenção do treinador por toda a temporada. Essa
é a receita do sucesso, afinal de contas o planejamento proporciona, entre
outras coisas, um time homogêneo e ao gosto do seu comandante, além de uma
identificação maior do treinador com a sua equipe.
Mas não é isso que vemos na prática. Os técnicos de futebol aqui no Brasil
só estão “tranqüilos” ou “seguros” nos seus cargos quando o seu time está
ganhando, tenham eles tido tempo para desenvolver um planejamento ou não.
É a triste realidade.
Enfim, ser treinador de futebol por aqui é uma profissão de elevado grau
de insegurança e instabilidade. Por mais capacitado que seja, ele não terá
vida longa no clube se os resultados não vierem. Tudo é para ontem, ou, no
máximo, para amanhã. E assim será até aprendermos que demitir um treinador
com apenas 3 rodadas evidencia uma tremenda falta de planejamento.
Enquanto isso, ninguém demite esses cartolas incompetentes que insistem em
comandar o nosso futebol.
