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Dança dos técnicos

portalbip.com (Quintino Augusto) - 30/05/2008

Quando os resultados não vêm, “sempre sobra para o treinador”. Não existe clichê maior no futebol brasileiro do que este. Entra ano, sai ano, a ciranda interminável de técnicos não pára. É sempre assim. Demitir o treinador parece ser a saída mais fácil para resolver o problema das derrotas.

O campeonato brasileiro mal começou e a dança das cadeiras já está agitadíssima. Em apenas 3 rodadas, já são 6 cabeças rolando. É impressionante. Os nossos dirigentes não aprendem mesmo a lição. Está mais do que comprovado que é preciso dar um voto de confiança ao treinador. É preciso dar tempo ao tempo. Os números não mentem e estão aí para provar tal fato. Em 2006, os 5 primeiros colocados do Brasileirão não trocaram de técnico durante a competição. Já em 2007, dos 5 primeiros, apenas o Flamengo mudou o seu comando.

Como se pode ver, não resta dúvidas de que o melhor para a produtividade de uma equipe é manter a comissão técnica por um longo período. Torna-se imprescindível acreditar no seu trabalho, na sua metodologia e no desenvolvimento do seu projeto. Parece um sonho distante? Provavelmente sim. Digo isto porque não será da noite para o dia que a cultura do futebol brasileiro irá mudar. Dificilmente veremos, aqui no Brasil, um exemplo como o do técnico Alex Fergusson, do Manchester United, que dirige a equipe inglesa há mais de 20 anos.

Muito pelo contrário. Está se tornando uma cena cada vez mais comum vermos os treinadores recém demitidos clamarem, nas mesas redondas de domingo à noite, por “paciência” e “continuidade no trabalho”. Realmente eles têm razão. Faz-se mister a manutenção do treinador por toda a temporada. Essa é a receita do sucesso, afinal de contas o planejamento proporciona, entre outras coisas, um time homogêneo e ao gosto do seu comandante, além de uma identificação maior do treinador com a sua equipe.

Mas não é isso que vemos na prática. Os técnicos de futebol aqui no Brasil só estão “tranqüilos” ou “seguros” nos seus cargos quando o seu time está ganhando, tenham eles tido tempo para desenvolver um planejamento ou não. É a triste realidade.

Enfim, ser treinador de futebol por aqui é uma profissão de elevado grau de insegurança e instabilidade. Por mais capacitado que seja, ele não terá vida longa no clube se os resultados não vierem. Tudo é para ontem, ou, no máximo, para amanhã. E assim será até aprendermos que demitir um treinador com apenas 3 rodadas evidencia uma tremenda falta de planejamento.

Enquanto isso, ninguém demite esses cartolas incompetentes que insistem em comandar o nosso futebol.

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