Nesta última quarta-feira, o surpreendente time do Zenit,
da Rússia, conquistou pela primeira vez a Copa da UEFA ao desbancar o
Glasgow Rangers, da Escócia. Até aí tudo bem. Seria um feito e tanto a ser
exaltado, até mesmo porque na fase anterior a “zebra” russa havia
eliminado ninguém menos do que o poderoso e favorito Bayer de Munique.
Porém, esse time ficará mundialmente conhecido pelo fato de ser uma
instituição assumidamente racista. Isso mesmo, em pleno século XXI ainda
existe um clube de futebol racista. Acredite quem quiser!
O escândalo veio à tona após uma infeliz declaração do seu treinador Dick
Advocaat, quando o mesmo afirmou categoricamente que não pede a
contratação de negros para sua equipe porque tanto o presidente quanto a
torcida do Zenit não os tolera.
Eis suas palavras: “Eu gostaria de contratar qualquer um, mas os
torcedores não gostam de negros. Honestamente, não entendo por que eles
prestam tanta atenção na cor da pele. No nosso time, é impossível ter um
jogador negro”.
Aliás, nesta edição mesmo da Taça da UEFA o clube russo correu o risco de
ser eliminado do torneio em virtude de insultos racistas por parte das
torcidas organizadas aos jogadores negros do Olympique de Marseille. Mas
ficou por isso mesmo. Não deu em nada pra variar.
É um absurdo este tipo de atitude. O racismo é algo deplorável,
revoltante. É triste saber que ainda existe esse tipo de coisa no mundo,
apesar de todo o esforço da FIFA no sentido de eliminar as diversas
manifestações de racismo que apregoam o futebol. Todavia, apesar do
empenho e dedicação da FIFA na luta contra o fim do racismo nos estádios
de futebol, eu entendo que nesse caso em apreço ela foi omissa por não ter
tomado uma atitude mais drástica e preferir silenciar-se. Se a entidade
máxima do futebol acha que não deve se meter nesse assunto, infelizmente
só podemos tirar a conclusão de que o Apartheid no futebol está bem
próximo de se tornar uma coisa mais do que natural.
Sinceramente, não consigo aceitar o fato de que a UEFA permita que um time
declaradamente racista faça parte do seu grupo de associados. Não estou
dizendo que um clube deve obrigatoriamente ter um negro no seu elenco ou
coisa do tipo. Não é isso. Cada qual tem o livre arbítrio de ter no seu
elenco quem quer que seja. O que é inadmissível, porém, são as
manifestações racistas por parte da torcida do Zenit e a forma arrogante
com que a sua diretoria trata o assunto. É inaceitável essa forma
descarada e declarada com que o time russo lida com o racismo.
Sendo assim, em meio a toda essa polêmica, ao meu ver o Zenit deveria ter
sido punido com maior rigor. Quem sabe até uma possível eliminação do
torneio. Já está mais do que na hora de fecharmos a janela na cara dessa
vergonha e combatermos com veemência o racismo. Mas infelizmente essa não
é a realidade. Não se vai banir o racismo do futebol nem de parte alguma
do planeta enquanto a hipocrisia reinar.
