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A mística acabou

portalbip.com (Quintino Augusto) - 09/05/2008

Quando uma inverdade é dita várias vezes, principalmente por um meio de comunicação de massa, torna-se uma falsa verdade no consciente coletivo. E a imprensa carioca é especialista em construir inverdades, de modo a incutir nos torcedores rubros negros a idéia de que "disputar uma final contra o Flamengo no Maracanã é suicídio", principalmente quando lotado.

Culpa de uma emissora tendenciosa que pretendia mais uma vez passar uma imagem que não existe. Uma imagem de uma equipe que tem um plantel de alto nível, com jogadores técnicos e qualificados para ganhar uma competição de âmbito internacional. Só que a verdade foi de uma vez por todas restabelecida. Bastava apreciar o deprimente espetáculo que a equipe flamenguista protagonizou nesta última quarta-feira.

No estádio onde o Flamengo reinou absoluto no passado, lá se vão quase 21 anos desde o último título sobre uma equipe de fora do Rio, na decisão contra o Internacional, pela Copa União. Desde então, as únicas competições nacionais vencidas pelo Flamengo, em casa, foram contra os rivais regionais Botafogo, em 1992, e Vasco, em 2006, dando uma clara demonstração de que há duas décadas o flamengo tem se especializado em ser um time regionalista.

De lá para cá, o time perdeu, sempre no Maracanã, três decisões da Copa do Brasil, uma Supercopa, um Rio-São Paulo, além de incontáveis vexames contra equipes mais fracas. Na verdade tem sido um bom negócio para os times que não são carioca fazer final no Maracanã.

Pode-se dizer que tudo começou em 1995, quando um super time foi montado para o centenário do clube, mas que colecionou fracassos que culminaram com o vice-campeonato da Supercopa, contra o Independiente da Argentina. Dois anos depois, mais duas finais perdidas em casa. Uma no torneio Rio-São Paulo contra o Santos. A outra aconteceu três meses depois, quando o Grêmio deu a volta olímpica no Maior de todos.

Alguns anos se passaram, o clube se reestruturou, conquistou vários estaduais, a Copa dos Campeões e a Mercosul (ambas fora do Rio de Janeiro) e todos acreditavam que a sina era coisa do passado. Ledo engano. Em 2004, o Flamengo recebeu o Santo André em casa na final da Copa do Brasil e mais uma vez a vitória simples lhe bastaria. Mas o inacreditável aconteceu. Vitória do pequeno clube do interior de São Paulo, por 2 x 0, e mais de 80 mil torcedores se deram conta, finalmente, que a mística havia acabado.

Mas o pior ainda estava por vir. E veio do México. Trata-se do América, cujo time faz uma campanha sofrível em seu campeonato nacional e que não havia vencido sequer uma partida fora de casa na Libertadores. Na verdade, o Flamengo foi vencido pela soberba. Um fiasco inquestionável, conforme retratado pela mídia no dia seguinte. Pode até parecer um velho clichê, mas Libertadores é diferente. É preciso mais atenção, concentração, dedicação e respeito ao adversário. Porém, o clube rubro negro não seguiu à risca todos esses requisitos e os castigo veio a cavalo. O roteiro era de festa, em função da conquista do Estadual, com um Maracanã cheio e despedida emocionada do técnico Joel Santana. Mas o clima de oba-oba e o excesso de confiança transformaram-se em um dos maiores vexames da história do Flamengo. É do tipo de vexame inqualificável e irretorquível. O Flamengo pagou caro pelo clima de “já ganhou” e pelo salto alto. O que se viu foi acomodação no lugar da tradicional raça rubro negra. O que se viu foi irresponsabilidade no lugar de respeito.

Mas que esta derrota sirva de lição para os clubes brasileiros nas próximas edições do principal torneio sulamericano. Se bem que o clube rubro negro parece ter faltado a essa aula, afinal de contas em 2007 ele já havia sido eliminado para o limitado Defensor em circunstâncias bem parecidas.

Enfim, para o torcedor do Flamengo não há nem mesmo algum fracasso similar dos rivais para servir de consolo. Vasco, Fluminense e Botafogo já perderam partidas decisivas no Maracanã, mas sempre contra equipes fortes e de tradição. Na história do estádio, apenas três vexames serão lembrados para sempre. Um da Seleção Brasileira e dois do Flamengo.

E, de uma vez por todas, vamos desmistificar mais uma Mentira Global.

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