Nesta última semana, a Suprema Corte da Holanda confirmou
a pena de 6 meses de prisão ao jogador Rachid Bouaouzan por ter fraturado
a perna de um adversário em partida válida pelo Campeonato Holandês de
2004. O fundamento para tal pena consistiu na “violação de forma flagrante
das regras do jogo, provocando um sério dano físico” a Niels Kokmeijer,
que encerrou a carreira prematuramente.
Para alguns, esta decisão foi mais do que justa. Outros, no entanto,
consideram tal punição muito rigorosa. Realmente, o tema é deveras
polêmico. Mas uma coisa é certa: se a moda pega, vai ter muito brucutu e
perna-de-pau indo para a cadeia.
Eu, particularmente, sou daqueles que defendem a tese de que violência e
futebol não combinam. É por isso que sou a favor de uma cruzada contra a
violência dentro de campo. Quem chegou a ver as imagens da agressão ora
citada há de concordar comigo. Episódios assim são lamentáveis e merecem a
nossa indignação. E o futebol pode dar esse bom exemplo ao punir com rigor
aqueles lances violentos e intencionais. Ao meu ver, os jogadores que
cometem este tipo de atrocidade deveriam ser “convidados” a se afastar dos
gramados.
Não obstante, só a título de curiosidade, vale a pena salientar que o
próprio presidente da FIFA – Joseph Blatter – é a favor da exclusão
definitiva do esporte e a criminalização de quem comete faltas
intencionais. Todavia, esta sua opinião encontra uma forte resistência por
parte de algumas federações, sob o argumento de que fica difícil provar se
a ação do agressor foi ou não proposital. Sem sombra de dúvidas, saber com
exatidão qual foi a intenção do atleta é algo bastante complicado e
subjetivo, mas punir com severidade quem assume o risco de causar um
estrago num companheiro de profissão é perfeitamente justificável e
necessário.
Convém lembrar que numa enquete realizada pelo Globo Online a maioria dos
internautas mostrou não estar disposta a tolerar os brucutus do futebol.
Para eles, a melhor medida para coibir a violência dentro das quatro
linhas seria o afastamento do agressor durante o mesmo tempo em que o
agredido permanecesse fora dos gramados. Isto seria o mínimo. Só assim
eles pensariam duas vezes antes de repetir lances deste tipo. Portanto,
casos de violência como este não podem passar incólumes ou acarretarem
punições irrisórias. É preciso usar do rigor. Alguns “inocentes” serão
punidos indevidamente? Sim, é claro. Mas uma punição exemplar é a melhor
solução. Aqui no Brasil, por exemplo, nossa justiça desportiva até que
aplica penas pesadas, mas infelizmente tais punições ganham efeitos
suspensivos ou diminuições. É a triste realidade do nosso futebol.
Aliás, muita gente não sabe, mas já está até previsto no atual Código
Brasileiro de Justiça Desportiva, em seu art. 253, que se um jogador
estiver impossibilitado de voltar aos campos por causa de uma agressão,
“continuará o agressor suspenso até total recuperação do agredido”. Como
se vê, a lei existe. Já está em vigência há mais de 5 anos. O que falta é
coragem e iniciativa para aplicá-la. É bem verdade que este dispositivo
legal só se refere a casos de agressão física, tais como soco ou
cotovelada. Não cabe em hipóteses de falta violenta. Vai entender! Isso é
Brasil.
Enquanto isso, os zagueiros continuam com as travas das suas chuteiras à
mostra. Eventualmente, fazendo uma vítima aqui e outra ali. Por outro
lado, como li certa vez ao navegar na Internet, os nossos craques sabem
cada vez mais o verdadeiro significado da expressão “ossos do ofício”.
