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Cruzada contra a violência

portalbip.com (Quintino Augusto) - 26/04/2008

Nesta última semana, a Suprema Corte da Holanda confirmou a pena de 6 meses de prisão ao jogador Rachid Bouaouzan por ter fraturado a perna de um adversário em partida válida pelo Campeonato Holandês de 2004. O fundamento para tal pena consistiu na “violação de forma flagrante das regras do jogo, provocando um sério dano físico” a Niels Kokmeijer, que encerrou a carreira prematuramente.

Para alguns, esta decisão foi mais do que justa. Outros, no entanto, consideram tal punição muito rigorosa. Realmente, o tema é deveras polêmico. Mas uma coisa é certa: se a moda pega, vai ter muito brucutu e perna-de-pau indo para a cadeia.

Eu, particularmente, sou daqueles que defendem a tese de que violência e futebol não combinam. É por isso que sou a favor de uma cruzada contra a violência dentro de campo. Quem chegou a ver as imagens da agressão ora citada há de concordar comigo. Episódios assim são lamentáveis e merecem a nossa indignação. E o futebol pode dar esse bom exemplo ao punir com rigor aqueles lances violentos e intencionais. Ao meu ver, os jogadores que cometem este tipo de atrocidade deveriam ser “convidados” a se afastar dos gramados.

Não obstante, só a título de curiosidade, vale a pena salientar que o próprio presidente da FIFA – Joseph Blatter – é a favor da exclusão definitiva do esporte e a criminalização de quem comete faltas intencionais. Todavia, esta sua opinião encontra uma forte resistência por parte de algumas federações, sob o argumento de que fica difícil provar se a ação do agressor foi ou não proposital. Sem sombra de dúvidas, saber com exatidão qual foi a intenção do atleta é algo bastante complicado e subjetivo, mas punir com severidade quem assume o risco de causar um estrago num companheiro de profissão é perfeitamente justificável e necessário.

Convém lembrar que numa enquete realizada pelo Globo Online a maioria dos internautas mostrou não estar disposta a tolerar os brucutus do futebol. Para eles, a melhor medida para coibir a violência dentro das quatro linhas seria o afastamento do agressor durante o mesmo tempo em que o agredido permanecesse fora dos gramados. Isto seria o mínimo. Só assim eles pensariam duas vezes antes de repetir lances deste tipo. Portanto, casos de violência como este não podem passar incólumes ou acarretarem punições irrisórias. É preciso usar do rigor. Alguns “inocentes” serão punidos indevidamente? Sim, é claro. Mas uma punição exemplar é a melhor solução. Aqui no Brasil, por exemplo, nossa justiça desportiva até que aplica penas pesadas, mas infelizmente tais punições ganham efeitos suspensivos ou diminuições. É a triste realidade do nosso futebol.

Aliás, muita gente não sabe, mas já está até previsto no atual Código Brasileiro de Justiça Desportiva, em seu art. 253, que se um jogador estiver impossibilitado de voltar aos campos por causa de uma agressão, “continuará o agressor suspenso até total recuperação do agredido”. Como se vê, a lei existe. Já está em vigência há mais de 5 anos. O que falta é coragem e iniciativa para aplicá-la. É bem verdade que este dispositivo legal só se refere a casos de agressão física, tais como soco ou cotovelada. Não cabe em hipóteses de falta violenta. Vai entender! Isso é Brasil.

Enquanto isso, os zagueiros continuam com as travas das suas chuteiras à mostra. Eventualmente, fazendo uma vítima aqui e outra ali. Por outro lado, como li certa vez ao navegar na Internet, os nossos craques sabem cada vez mais o verdadeiro significado da expressão “ossos do ofício”.

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