Jogar ou não jogar futebol profissional acima dos 2500
metros de altitude. Eis a polêmica que vem dividindo opiniões na
atualidade.
Um dos lados argumenta, com razões médicas, que jogos realizados na
altitude colocam em perigo a saúde dos atletas. Eles asseguram, ainda, que
os jogos realizados nessas condições exigem dias de adaptação e que os
atletas ao praticarem exercícios físicos intensos podem sofrer fadiga
excessiva, náuseas, tonturas, enjôos e até mesmo colocar em risco as suas
próprias vidas.
Em contrapartida, os times bolivianos, peruanos, equatorianos, ou seja, os
Altitude F.C. defendem a tese de que os jogos a 40 graus são muito mais
prejudiciais à saúde e que também dá ao time visitante a mesma sensação
adversa. O mesmo vale para jogos em temperaturas abaixo de zero. Além
disso, a falta de transparência da Fifa em explicar o que dizem os tais
"relatos médicos" a respeito dos malefícios em jogar na altitude também
colocam em xeque a proibição.
Pois bem, urge esclarecer que esta é uma questão muito complexa e vários
fatores estão envolvidos. A princípio, a proibição de jogos na altitude me
incomoda um pouco. Essa tese de que a altitude daria uma vantagem
unilateral é bastante relativa. Até entendo que jogar acima de 2500 metros
do nível do mar é algo sobre-humano e injusto. Porém, não é nada diferente
de disputar uma partida num sol de rachar às 15 horas em pleno verão
brasileiro.
Quem é contra jogos na altitude só porque acha uma crueldade tremenda não
tem um argumento forte e plausível para tanto. Eu explico. Digo isto
porque não existem dados ou estudos detalhados a respeito dos reais
efeitos da altitude no metabolismo dos atletas. Não sou médico, nem nunca
estive em locais acima do nível do mar, mas pelo que sei não há nada que
comprove com exatidão que jogar nestas condições faz mal à saúde a ponto
de causar a morte de uma pessoa. Muito pelo contrário, alguns esportistas
até vão treinar lá nas alturas só para ganhar uma maior oxigenação no
sangue. Portanto, jogar na altitude pode até causar um desconforto ou um
mal-estar, mas, repito, não é muito diferente de jogar às 3 horas da tarde
no Brasil com o sol batendo a pino.
Desta forma, se é para ter um limite para a altitude, deveria existir
também uma temperatura mínima e máxima, uma umidade do ar máxima, etc e
tal. É CNTP no futebol a partir de agora. Convenhamos, não é bem por aí.
Não obstante tais fatos, não acho correto “punir” um clube que tem a sua
sede em níveis elevados. Ou seja, o fato de privar um time de atuar em
seus domínios seria deveras injusto. Além do mais, o fato de proibir os
andinos de ver futebol seria um absurdo sem proporção.
Mas, pensando bem, este é um assunto em que todos gritam e ninguém tem
razão. Porém, se for verdade que a altitude oferece mesmo sérios riscos à
saúde dos atletas que não estão a ela habituados, aí sim a prática de
qualquer modalidade esportiva em tais condições deveria ser banida e ponto
final. A segurança dos atletas falaria mais alto neste caso. É assim que
eu penso.
EM TEMPO:
Convém salientar que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol
(CBF), Ricardo Teixeira, afirmou nesta semana que a seleção brasileira não
atuará contra a Bolívia na cidade de La Paz, nas eliminatórias da Copa do
Mundo de 2010, em partida marcada para o dia 10 de outubro de 2009. O
motivo são os 3.660 metros de altitude.
Segundo ele, a Fifa, por meio
de seu Comitê Executivo, determinou que para haver jogos em cidades
localizadas acima dos 2.700 metros do nível do mar deverá existir uma fase
de adaptação.
Porém, vale lembrar que a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol)
já ameaçou punir clubes brasileiros que não queiram jogar na altitude. O
próprio presidente da Conmebol, Nicolas Léoz, disse que os clubes
perderiam pontos se não atuassem na altitude. É esperar pra ver o
desenrolar dessa história que ainda vai dar muito pano pra manga.
