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Na marca do pênalty

portalbip.com (Quintino Augusto) - 05/04/2008

Se já não bastasse o baixo nível técnico do futebol brasileiro na atualidade, é duro também ter de aturar a tremenda falta de imaginação dos nossos jogadores no momento da comemoração de um gol.

Vocês hão de concordar comigo que a tal da “Dança do Créu” e a comemoração no estilo “Chororô” são umas das coisas mais repulsivas, desnecessárias e ofensivas dos últimos anos no futebol tupiniquim. Não foi à toa que, mesmo com 50 dias de atraso, a Comissão de Arbitragem da CBF orientou os árbitros a coibirem comemorações de gols provocativas às torcidas adversárias. Aliás, o estopim para tal atitude se deu em virtude da confusão generalizada que ocorreu no último final de semana num jogo entre Avaí e Figueirense, válido pelo Campeonato Catarinense, quando o atacante Bebeto, após marcar um gol, fez a tão polêmica Dança do créu em frente à torcida do time da casa.

Mas até que enfim essa idiotice foi colocada na marca do pênalty. Já era tempo. É de conhecimento de todos que existem provocações toleráveis e outras não. Ao meu ver, os jogadores de futebol precisam ter um pouco de responsabilidade e a consciência de que qualquer provocação, por menor que seja, hoje em dia já é motivo para acirrar os ânimos e explodir a ira das torcidas que hoje mais parecem um barril de pólvora. Infelizmente a rivalidade do nosso futebol chegou a esse ponto.

Todavia, se há quem desaprove este ato por considerar um desrespeito à instituição e torcida adversária, há quem ache válido este tipo de brincadeira no futebol. Dizem que “faz parte do folclore do esporte”. Alegam, ainda, que não se pode deixar morrer a graça do futebol. Eu discordo. Tenho a opinião de que esse tipo de comemoração só alimenta esta rivalidade violenta que existe entre as torcidas. Em tempo de pedidos e demonstrações de paz nos estádios essa famigerada Dança do Creu só vem a atrapalhar o processo de pacificação nos campos de futebol. Além disso, há de se convir que, se o futebol virou profissional, os seus protagonistas precisam ter postura digna de tal seriedade. Precisam dar um bom exemplo.

Aliás, merecem aplausos as palavras do jornalista André Kfouri quando o mesmo teceu o seguinte comentário a respeito do assunto: “a torcida do Flamengo é uma das coisas mais lindas do mundo. Custa-me crer que, em vez de correr na direção dela e admirar a cena, um jogador prefira outro tipo de comemoração”. Eu assino embaixo. Ao comemorar um gol o jogador não pode debochar, porque isso incita não só o adversário, como também os torcedores do outro time. Sendo assim, as comemorações têm que estar dentro das normalidades, dentro da beleza do espetáculo.

Ah, e para que eu não pareça um chato e seja taxado de “o último dos românticos”, convém ressaltar que sou a favor de que continuem as comemorações criativas, desde que não sejam ofensivas, vulgares, violentas, hostis ou desrespeitosas. Mas também hei de confessar que tenho saudades do tempo em que os jogadores ao comemorar um gol se deixavam levar pela mesma emoção do torcedor, ou seja, gritavam, corriam, levantavam os braços e se jogavam no gramado. Coreografia é coisa de caso pensado e a emoção do gol, para mim, passa longe do racional.

Portanto, fico na torcida para que os nossos “craques” da atualidade busquem inspiração no passado não só em relação ao bom futebol apresentado naquele tempo, mas também no quesito como se deve comemorar um gol. Quem não se lembra dos imortalizados socos no ar de Pelé, dos saltos de Garrincha, do “nana-neném” de Bebeto, do punho erguido de Reinaldo, de Neto com os joelhos no chão, etc.

Mas há quem prefira o “chororó” de Souza, a inusitada e criativa Dança do Créu e por aí vai. Mas temos que respeitar quem gosta.

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