Como todos sabem, um ano olímpico normalmente costuma ser
prenúncio de provas bem disputadas e de quebras de recordes mundiais. Até
aí tudo bem. Porém, nos últimos dias, o até então desconhecido nadador
francês Alain Bernard, de 24 anos, estremeceu o universo das piscinas.
Isto porque, em apenas três dias, ele bateu três recordes mundiais no
Campeonato Europeu de Natação em piscina longa, disputado em Eindhoven, na
Holanda.
Mas atenção para um pequeno detalhe: ele estava usando a mais nova
sensação do momento que é o moderno traje high tech, desenvolvido pela
Nasa. Pois é meus amigos, já estamos na Era da Natação Espacial. Porém, as
coincidências não param por aí. Convém salientar, ainda, que o tal maiô
vestiu nadadores de 12 dos 13 recordes superados neste ano.
Desta forma, todas essas coincidências e feitos repentinos foram
suficientes para aplacar dúvidas e levantar mais esta polêmica nas
piscinas. Não foi à toa, portanto, que a Federação Internacional de
Natação (FINA) já marcou para o próximo mês uma reunião com a Speedo –
fabricante do respectivo material - tudo em busca de maiores
esclarecimentos em torno do assunto. Daí eu pergunto ao leitor: até que
ponto estes equipamentos criados para “vitaminar” a performance dos
atletas interferem na constante quebra de recordes aos quais estamos
assistindo nos últimos dias?
A resposta darei a seguir. Porém, antes de qualquer coisa, faz-se mister
enaltecer que estes utensílios entraram no fogo cruzado da polêmica
exatamente pelo fato de não serem naturais. Isto significa que, assim como
o doping químico, eles alterariam de forma artificial o desempenho dos
atletas. Eu prefiro acreditar que isto não seja verdade e que o “fast skin”
tenha sido criado unicamente para facilitar o desenvolvimento das
habilidades dos nadadores. Mas sempre existem as más línguas que já estão
falando até em “doping high tech”. Calma lá. Não vamos misturar as coisas.
Na verdade, o que deve ser realmente combatido é o doping natural. O resto
é pura balela.
Mas, respondendo à pergunta deixada no ar, sem sombra de dúvidas este novo
equipamento melhora e muito o desempenho dos atletas. Não há como negar.
Contudo, há de se ressaltar que nós vivemos num mundo globalizado, onde
tudo evolui. E o esporte não foge à regra. Senão vejamos. No tênis, hoje
em dia nós temos raquetes moderníssimas em substituição às antigas
raquetes de madeira. No futebol, as bolas e as chuteiras vêm sofrendo
constantes transformações. No atletismo, os tênis estão cada vez mais
avançados e confortáveis. Os exemplos são vários. Mas por que só a natação
pagaria o pato? Isto posto, eu não vejo nenhum problema no uso da
modernidade em prol do esporte. Muito pelo contrário. Porém, neste caso
específico da natação, eu só acho um pouco injusto, afinal de contas o
ideal seria priorizar a igualdade entre os competidores.
Enfim, a discussão está na mesa. É esperar pra ver o que vai acontecer.
Entretanto, para que não reste nenhuma dúvida, tornam-se imprescindíveis
alguns estudos mais detalhados em cima do tão falado LZR Racer, esse traje
de última geração da indústria britânica Speedo. Tudo em nome da
transparência e da legalidade.
