Final da Taça Guanabara. Foi um jogo digno das tradições de Flamengo e Botafogo. E não faltaram ingredientes para apimentar este grande clássico do futebol carioca, quais sejam: Maracanã lotado, emoção a flor da pele, confusão, expulsões, flâmulas agitadas, cânticos a plenos pulmões, lances polêmicos e gol nos últimos minutos. No final das contas, quem se deu a melhor foi o rubro-negro que venceu o jogo nos detalhes, soltou o grito de bicampeão e ainda dançou o “créu” por último.
Não
obstante tais fatos, os comentários impertinentes da imprensa esportiva,
no desenrolar da semana, a respeito do “choro coletivo” dos jogadores
botafoguenses após o jogo, sinceramente, só me faz dar vontade de jogar a
toalha e passar a acompanhar beisebol, hockey sobre o gelo ou coisa do
tipo. Digo isto porque a maioria esmagadora dos cronistas de jornais e
comentaristas de TV taxou aquela cena como um episódio inoportuno,
patético e infeliz. Em outras palavras, eles disseram que todo aquele
dramalhão mexicano não passou de um simples “choro de perdedor”.
Pois bem, eu não vejo bem assim. Vamos aos fatos. Não vou entrar no mérito
da questão se o árbitro da partida errou ou não, se ele foi tendencioso ou
não, se foi realmente pênalty ou não. Isso pouco importa neste momento.
Cada um que tire as suas próprias conclusões. Aliás, o que seria do
futebol se não existissem esses lances duvidosos e passíveis de diversas
interpretações?
Mas deixando isso de lado, na verdade, o que me leva a escrever esta
crônica gira em torno da total falta de respeito por parte da imprensa à
instituição Botafogo. Sei que o Botafogo é muito maior do que essa
“choradeira”. Sei também que esse time só vai conquistar algum título
quando acabar o complexo de que todos estão contra o clube de General
Severiano. Não acredito que haja um complô ou uma teoria da conspiração
contra o Glorioso. Longe disso. Todavia, não é de se aceitar a forma
irônica e debochada pela qual esta cena foi retratada nos diversos
programas esportivos ao longo da semana. O Botafogo merece respeito acima
de tudo.
Sei que esta não foi nem será a última decisão de título sobre a qual
pairam desconfianças e polêmicas. Isto faz parte do futebol. Entretanto,
torna-se necessário colocarmos na cabeça que o futebol é movido à paixão e
muitas das vezes a razão fica em segundo plano. É por essa e outras que eu
entendo perfeitamente toda aquela lamentação dos jogadores e dirigentes
após a partida.
Ver todo o elenco chorando copiosamente os possíveis erros do homem do
apito retrata um choro injusto, mas ao mesmo tempo apaixonado, de
jogadores que lutaram com todas as forças para serem campeões. Isso mostra
que existem seres humanos nesse deserto de profissionalismo e falta de
sentimento puro que impera hoje no futebol.
Ao meu ver, todo aquele choro convulsivo não foi o da derrota, afinal de
contas perder faz parte do jogo. O choro foi de raiva e impotência diante
de uma arbitragem que eles julgaram tendenciosa e parcial.
Vivemos numa democracia e cada qual tem o direito de se expressar da forma
que melhor lhe convenha. E foi esta a forma que o elenco alvinegro
entendeu mais justa e apropriada para aquele momento. Mais uma vez volto a
insistir, não estou julgando se eles estão com a razão ou não, porém uma
coisa é certa: ultimamente os comentários da imprensa paulista e carioca
me dão asco. É duro de agüentar!
Desculpem-me pelo desabafo. E parabéns ao Flamengo pela conquista da Taça
Guanabara.
