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O rei, o príncipe e o bobo - Parte II

portalbip.com (Quintino Augusto) - 25/01/2008

O bom filho à casa torna. E retorna. E na casa será sempre bem-vindo. Perto da aposentadoria, nesta última semana o atacante Edmundo abriu mão de metade da dívida de R$ 14 milhões que o Vasco tinha com ele. Tudo para voltar a vestir a camisa cruz-maltina e defender as cores do clube do seu coração pela quinta vez.

Acredito que a contratação de Edmundo pelo Vasco seja uma boa para ambas as partes. Na verdade, não há no elenco do Vasco um atacante com a técnica, a ousadia, o carisma e a identidade que ele possui com os torcedores. Por falar em identidade, vale salientar que Edmundo foi lançado para o futebol em 1992, quando no dia 26 de janeiro daquele ano o Vasco goleou o Corinthians por 4 a 1 com um show do Animal. De lá pra cá, o jogador caiu nas graças da torcida e ficou eternamente marcado no coração dos vascaínos.

É cediço que ele exerce uma vibração própria de quem corre pelas artérias o sangue cruz-maltino. Aliás, numa época em que se torna cada vez mais repetitivo vermos os jogadores beijando o escudo do arqui-inimigo, este pequeno detalhe é motivo de orgulho para os vascaínos e faz de Edmundo uma oásis de fidelidade neste deserto de profissionalismo do futebol.

Já vendo o lado do jogador, creio que o retorno de Edmundo a São Januário também pode ser visto com bons olhos. Isto porque ele nunca escondeu de ninguém que almejava encerrar a carreira no clube que o projetou. E não há nada melhor do que voltar para o lugar onde você sempre foi bem acolhido.

Todos sabem que o Vasco é o seu habitat natural. Lá ele se sente à vontade e quem sabe não possa ajudar o time a reverter a tendência de um ano de 2008 abaixo da expectativa. Com certeza o Edmundo não será o salvador da pátria. Até porque ele não tem mais cacife para decidir todos os jogos sozinho. Muito pelo contrário. O Animal terá a árdua missão de levar um time de jovens nas costas.

Portanto, aqueles que pensam que o Edmundo será a solução para os problemas imediatos do Gigante da Colina estão profundamente enganados. Em poucos jogos já deu para perceber que o time do Vasco é limitadíssimo tecnicamente e que está bem atrás dos seus concorrentes diretos. Porém, a torcida vascaína busca neste ídolo do passado a esperança de dias melhores.

É uma pena que o clube esteja entregue a pessoas “eternizadas” que fazem do Vasco o que bem querem. Lamentavelmente, o torcedor amarga um jejum de 5 anos sem títulos e, pelo que tudo indica, ainda vão aguardar um bom tempo na fila. Mas, como diz o ditado, a esperança é a última que morre. E esta esperança chama-se Edmundo.

Enfim, não posso deixar de terminar a minha explanação sem antes enaltecer que o Rei, o príncipe e o bobo estão novamente reunidos. Resta saber até quando a Corte cruz-maltina irá durar. Para o bem do Vasco e dos seus torcedores, que seja por um bom tempo, afinal de contas todos estão carentes e não vêem a hora de levantar uma taça.

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