O bom filho à casa torna. E retorna. E na casa será
sempre bem-vindo. Perto da aposentadoria, nesta última semana o atacante
Edmundo abriu mão de metade da dívida de R$ 14 milhões que o Vasco tinha
com ele. Tudo para voltar a vestir a camisa cruz-maltina e defender as
cores do clube do seu coração pela quinta vez.
Acredito que a contratação de Edmundo pelo Vasco seja uma boa para ambas
as partes. Na verdade, não há no elenco do Vasco um atacante com a
técnica, a ousadia, o carisma e a identidade que ele possui com os
torcedores. Por falar em identidade, vale salientar que Edmundo foi
lançado para o futebol em 1992, quando no dia 26 de janeiro daquele ano o
Vasco goleou o Corinthians por 4 a 1 com um show do Animal. De lá pra cá,
o jogador caiu nas graças da torcida e ficou eternamente marcado no
coração dos vascaínos.
É cediço que ele exerce uma vibração própria de quem corre pelas artérias
o sangue cruz-maltino. Aliás, numa época em que se torna cada vez mais
repetitivo vermos os jogadores beijando o escudo do arqui-inimigo, este
pequeno detalhe é motivo de orgulho para os vascaínos e faz de Edmundo uma
oásis de fidelidade neste deserto de profissionalismo do futebol.
Já vendo o lado do jogador, creio que o retorno de Edmundo a São Januário
também pode ser visto com bons olhos. Isto porque ele nunca escondeu de
ninguém que almejava encerrar a carreira no clube que o projetou. E não há
nada melhor do que voltar para o lugar onde você sempre foi bem acolhido.
Todos sabem que o Vasco é o seu habitat natural. Lá ele se sente à vontade
e quem sabe não possa ajudar o time a reverter a tendência de um ano de
2008 abaixo da expectativa. Com certeza o Edmundo não será o salvador da
pátria. Até porque ele não tem mais cacife para decidir todos os jogos
sozinho. Muito pelo contrário. O Animal terá a árdua missão de levar um
time de jovens nas costas.
Portanto, aqueles que pensam que o Edmundo será a solução para os
problemas imediatos do Gigante da Colina estão profundamente enganados. Em
poucos jogos já deu para perceber que o time do Vasco é limitadíssimo
tecnicamente e que está bem atrás dos seus concorrentes diretos. Porém, a
torcida vascaína busca neste ídolo do passado a esperança de dias
melhores.
É uma pena que o clube esteja entregue a pessoas “eternizadas” que fazem
do Vasco o que bem querem. Lamentavelmente, o torcedor amarga um jejum de
5 anos sem títulos e, pelo que tudo indica, ainda vão aguardar um bom
tempo na fila. Mas, como diz o ditado, a esperança é a última que morre. E
esta esperança chama-se Edmundo.
Enfim, não posso deixar de terminar a minha explanação sem antes enaltecer
que o Rei, o príncipe e o bobo estão novamente reunidos. Resta saber até
quando a Corte cruz-maltina irá durar. Para o bem do Vasco e dos seus
torcedores, que seja por um bom tempo, afinal de contas todos estão
carentes e não vêem a hora de levantar uma taça.
