No que diz respeito ao Prêmio Nobel, o Oscar e tantos
outros por aí afora, o Brasil quase nunca aparece encabeçando a lista dos
melhores do ano. Porém, quando o assunto é futebol a história toma novos
rumos. Não é por acaso que somos mundialmente conhecidos como o “País do
futebol”. Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho já tiveram os seus
reinados e dias de glória. Mas, ultimamente, quem vem fazendo valer esta
velha máxima do futebol é o habilidoso Kaká.
Não foi à toa que, nesta segunda-feira (dia 17/12), em Zurique, na Suíça,
a FIFA anunciou aquilo que todos já sabiam: Kaká é o melhor jogador do
mundo. Tudo isso um dia antes dele ajudar o Milan a vencer o Boca Juniors
por 4x2 e fazer da equipe milanista o primeiro time a conquistar pela
quarta vez o título de campeão mundial de clubes.
O resultado era barbada. Não pelo fato de os seus concorrentes Cristiano Ronaldo e Messi serem fracos ou qualquer coisa do tipo. Muito pelo contrário. Os três arrebentaram na atual temporada. Todavia, o talento e a objetividade de Kaká fizeram a diferença. Ele foi decisivo para a conquista da Liga dos Campeões da Europa e do Mundial de Clubes pelo Milan. Ainda foi eleito o melhor jogador em ambas as competições. E, para completar este ano repleto de premiações individuais, ele também foi considerado o melhor jogador do ano pelas renomadas revistas France Football e World Soccer.
O mundo se rendeu ao talento de Kaká. Hoje em dia todos sabem que a alegria do futebol está na arte. Jogador que tem talento faz o espetáculo, levanta o torcedor da poltrona, mexe com o sentimento dos torcedores e ainda decide tudo com inteligência refinada. Eis a receita do sucesso para fazer de Kaká este jogador de técnica inquestionável e admirado por muitos.
Segundo o velho e bom Dicionário Aurélio, craque é aquele “jogador de futebol famoso por sua grande destreza”. Eu vou mais além. Para mim, craque é aquele que decide. É aquele que nunca deixa o time na mão. É aquele que em um lance pode mudar o rumo de um jogo. É aquele que surpreende, que antevê a jogada, que não se limita a fazer o básico e que conta com uma técnica acima da média. E o Kaká se encaixa com perfeição em todas elas. Ele é um craque na verdadeira acepção da palavra.
O Kaká sabe combinar a força e a técnica, a velocidade e a habilidade. Tem visão de jogo, disciplina tática, objetividade e controle emocional. Tem alma com fome de vitória e vontade com definição. Ainda serve como exemplo, liderança, responsabilidade e comprometimento com o grupo. Até mesmo quando faz partidas abaixo da sua capacidade ele é imprescindível para a equipe. Desta forma, não me resta outra coisa a dizer senão constatar que a superioridade milanista tem nome e se chama Kaká.
Enfim, todas essas
qualidades só o credenciaram ao título de melhor jogador do mundo nesta
temporada 2006/2007. Sem sombra de dúvidas o prêmio ficou em boas mãos.
Que venha 2008 e que os brasileiros consigam manter essa hegemonia no
futebol mundial. Quem sabe Kaká não repita a dose. Quem sabe Ronaldinho
Gaúcho não reencontre o seu verdadeiro futebol. Quem sabe Robinho não
desponte de vez na Europa. Quem sabe Alexandre Pato não surpreenda em seu
primeiro ano pelos gramados internacionais. É esperar para ver!
EM TEMPO: Não poderia deixar de parabenizar a talentosa Marta, a nossa
“Kaká de saias”. Isto porque pela segunda vez consecutiva ela faturou o
prêmio de melhor jogadora do mundo. Parabéns também ao Buru que foi
considerado o melhor jogador de futebol de areia. Como se pode perceber:
só deu Brasil na badalada premiação da FIFA. E não poderia ser diferente!
