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Doping e as escolhas da vida

portalbip.com (Quintino Augusto) - 10/12/2007

Uma cena cada vez mais freqüente nos noticiários esportivos é vermos atletas chorando na frente das câmeras, lamentando o resultado do exame antidoping. É uma triste realidade do esporte mundial. Casos como o da fundista norte-americana Marion Jones, o da jogadora de vôlei Jacqueline, o do atacante Romário e, mais recentemente, o da nadadora Rebeca Gusmão só entristecem aqueles que vêem o esporte como sinônimo de jogo limpo. E isto só reacende aquela velha e polêmica questão sobre o desejo do ser humano de tentar cada vez mais superar seus limites para se tornar mais forte, mais rápido ou mais resistente. Nem que para isto se valha de meios ilegais.

Aliás, hoje em dia é comum vermos atletas “enormes”, com um porte físico avantajado, ocupando o lugar mais alto do pódio. Recordes são quebrados. Marcas impensáveis são atingidas. E sempre paira aquela dúvida no ar. Estaria ele(a) dopado(a)? Muitas das vezes a resposta está na cara, ou melhor, no corpo. Quer queira, quer não, quando vemos um atleta com aumento exagerado de massa muscular entre os primeiros da sua modalidade surgem insinuações de todo tipo. É bem verdade que, às vezes, alguns terminam sendo acusados injustamente por ter esta aparência física mais forte em função dos treinamentos intensivos. Mas é o preço que se paga.

Veja o caso, por exemplo, da nadadora Rebeca Gusmão. Sem querer fazer um pré-julgamento, até porque não me cabe este papel, nem é do meu feitio fazer afirmações sem provas, as imagens da atleta em questão são impressionantes e falam por si só. É assustadora a comparação do perfil feminino de Rebeca Gusmão há oito anos com o de hoje. A atleta credita seu ganho de massa muscular de 1999 até 2007 a exercícios físicos e à propensão genética, herdada de seus pais. Não duvido da sua palavra. Mas sempre fica na nossa cabeça aquele ponto de interrogação.

No caso especifico da Rebeca Gusmão, tanto pode ter havido fraude da atleta, como também existe a possibilidade de uma possível fraude ou falha no trabalho de coleta ou do laboratório. Não sabemos ao certo. Só o tempo nos dirá. De qualquer forma, este episódio está manchando e muito a imagem de que o Pan do Rio foi “o mais limpo da história”, como bem propalou a Odepa (Organização Desportiva Panamericana) e o próprio COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Isso sem contar que a imagem do nosso país fica sensivelmente arranhada, repercutindo, inclusive, nas nossas pretensões de sediar os jogos olímpicos. Diante de tais circunstâncias, só nos resta acompanhar o desenrolar dos fatos e torcer por um desfecho positivo.

Enfim, como bom apreciador do esporte, não posso terminar a minha explanação sem deixar de lançar a seguinte pergunta ao leitor: será que vale tudo para ganhar?

É claro que não. Para ser um grande esportista, muito mais do que ganhar é preciso reconhecer os seus limites. Se não dá, não dá. O verdadeiro ideal do esporte é jogar limpo. É respeitar os seus adversários e a si próprio. É não passar por cima da honestidade. É ter a consciência limpa de que fez o seu melhor dentro do seu limite físico, técnico e mental.

Portanto, o doping é uma escolha de vida. Infelizmente alguns abrem mão da saúde para alcançar o estrelato. Mas não deve ser assim. O espírito esportivo deve estar acima do dinheiro, dos resultados imediatos ou da consagração. Isto vale mais do que qualquer medalha.

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