Uma cena cada vez mais freqüente nos noticiários esportivos
é vermos atletas chorando na frente das câmeras, lamentando o resultado do
exame antidoping. É uma triste realidade do esporte mundial. Casos como o
da fundista norte-americana Marion Jones, o da jogadora de vôlei
Jacqueline, o do atacante Romário e, mais recentemente, o da nadadora
Rebeca Gusmão só entristecem aqueles que vêem o esporte como sinônimo de
jogo limpo. E isto só reacende aquela velha e polêmica questão sobre o
desejo do ser humano de tentar cada vez mais superar seus limites para se
tornar mais forte, mais rápido ou mais resistente. Nem que para isto se
valha de meios ilegais.
Aliás, hoje em dia é comum vermos atletas “enormes”, com um porte físico
avantajado, ocupando o lugar mais alto do pódio. Recordes são quebrados.
Marcas impensáveis são atingidas. E sempre paira aquela dúvida no ar.
Estaria ele(a) dopado(a)? Muitas das vezes a resposta está na cara, ou
melhor, no corpo. Quer queira, quer não, quando vemos um atleta com
aumento exagerado de massa muscular entre os primeiros da sua modalidade
surgem insinuações de todo tipo. É bem verdade que, às vezes, alguns
terminam sendo acusados injustamente por ter esta aparência física mais
forte em função dos treinamentos intensivos. Mas é o preço que se paga.
Veja o caso, por exemplo, da nadadora Rebeca Gusmão. Sem querer fazer um
pré-julgamento, até porque não me cabe este papel, nem é do meu feitio
fazer afirmações sem provas, as imagens da atleta em questão são
impressionantes e falam por si só. É assustadora a comparação do perfil
feminino de Rebeca Gusmão há oito anos com o de hoje. A atleta credita seu
ganho de massa muscular de 1999 até 2007 a exercícios físicos e à
propensão genética, herdada de seus pais. Não duvido da sua palavra. Mas
sempre fica na nossa cabeça aquele ponto de interrogação.
No caso especifico da Rebeca Gusmão, tanto pode ter havido fraude da
atleta, como também existe a possibilidade de uma possível fraude ou falha
no trabalho de coleta ou do laboratório. Não sabemos ao certo. Só o tempo
nos dirá. De qualquer forma, este episódio está manchando e muito a imagem
de que o Pan do Rio foi “o mais limpo da história”, como bem propalou a
Odepa (Organização Desportiva Panamericana) e o próprio COB (Comitê
Olímpico Brasileiro). Isso sem contar que a imagem do nosso país fica
sensivelmente arranhada, repercutindo, inclusive, nas nossas pretensões de
sediar os jogos olímpicos. Diante de tais circunstâncias, só nos resta
acompanhar o desenrolar dos fatos e torcer por um desfecho positivo.
Enfim, como bom apreciador do esporte, não posso terminar a minha
explanação sem deixar de lançar a seguinte pergunta ao leitor: será que
vale tudo para ganhar?
É claro que não. Para ser um grande esportista, muito mais do que ganhar é
preciso reconhecer os seus limites. Se não dá, não dá. O verdadeiro ideal
do esporte é jogar limpo. É respeitar os seus adversários e a si próprio.
É não passar por cima da honestidade. É ter a consciência limpa de que fez
o seu melhor dentro do seu limite físico, técnico e mental.
Portanto, o doping é uma escolha de vida. Infelizmente alguns abrem mão da
saúde para alcançar o estrelato. Mas não deve ser assim. O espírito
esportivo deve estar acima do dinheiro, dos resultados imediatos ou da
consagração. Isto vale mais do que qualquer medalha.
