Numa das minhas colunas anteriores, citei uma frase do
Andréa Zorzi, ex-jogador da Seleção Italiana de Vôlei, quando o mesmo
proferiu as seguintes palavras: “O Vôlei é um esporte simples. São seis
jogadores de cada lado, uma rede no meio e o Brasil sempre vence”. E não
deu outra. Neste último domingo, a Seleção Masculina de Vôlei conquistou o
bi-campeonato da Copa do Mundo no Japão e, por conseguinte, carimbou o
passaporte para a China.
Foi só mais uma façanha que veio coroar o excelente trabalho e seriedade
desta equipe capitaneada pelo técnico Bernardinho. Esta sim é a verdadeira
Seleção Brasileira, pois nos enche de orgulho e nos faz acreditar que vale
a pena ser torcedor. Uma Seleção que é exemplo de empenho, vibração,
determinação. Uma Seleção que não reclama de cansaço, de altitude e que
sempre confirma o seu favoritismo. Um grupo sem estrelismo ou vaidade.
Aqui não há espaço para acomodação, soberba, preguiça. Há espaço de sobra
sim para união, perseverança, humildade.
Não obstante, o que mais me encanta neste time é o olhar concentrado e
sempre luminoso com que estes jogadores encaram uma partida. É bonito ver
a vontade de vencer no rosto de cada um deles. Jogam com raça, dedicação,
espírito de equipe e, acima de tudo, com muita técnica. Enfim, eles
demonstram em quadra tudo aquilo que nós torcedores desejamos: jogar com
amor à camisa.
Não importa o adversário ou a competição, a vontade de vencer é sempre a
mesma. Lá está o habilidoso Giba com o seu olhar predador e concentrado.
Sempre pontuando e enchendo o torcedor brasileiro de riso e de gosto. Lá
está o meio de rede Gustavo com os seus bloqueios implacáveis e a sua
vibração explosiva. Lá está o Dante demolindo as defesas adversárias com a
força absurda dos seus ataques. Lá está o canhotinha André Nascimento, um
primor de habilidade, competência e regularidade. Lá está o Serginho
Escadinha com os seus mergulhos milagrosos e uma recepção de bola
insuperável. Lá está o Rodrigão com a sua excelente leitura de jogo e um
show de bloqueio. Lá está o levantador Marcelinho com a sua genialidade,
ousadia e força de superação. De desacreditado, ele passou a ser um dos
principais jogadores da equipe e vem substituindo à altura o brilhante
Ricardinho.
Isso sem contar os “reservas/titulares” Samuel, André Heller, Murilo,
Anderson e Bruninho que estão sempre firmes e fortes. Prontos para
qualquer emergência. E, por fim, não podemos nos esquecer do técnico
Bernardinho que tem a árdua missão de manter essas estrelas com a cabeça
no lugar. Ele sabe como ninguém manter um grupo de excelentes em
excelência.
Apesar dos inúmeros títulos, cabe a ele motivar um time que há anos detém
uma hegemonia no vôlei mundial. A Era Bernardinho tem um retrospecto
espetacular. Desde que assumiu a Seleção Brasileira, em 2001, ele já
garantiu ao Brasil 21 conquistas em 26 possíveis. Qual o segredo do
sucesso? Como diz o próprio Bernardinho, o segredo para se manter no topo
é conservar e progredir!
Enfim, muito mais do que talento é preciso trabalho, dedicação e amor ao
que se faz. Esta é a maior lição que podemos tirar dos comandados de
Bernardinho. Doze heróis, guerreiros, que nos encantam a cada conquista.
Uma Seleção que faz valer o peso de sua camisa e que sempre entra em
quadra com um único objetivo: manter a sua identidade.
No fundo do poço
Não poderia deixar de falar algo a respeito do rebaixamento do
Corinthians. Era uma tragédia anunciada. Tudo começou com uma parceria
irresponsável, aplaudida por muitos torcedores e referendada por inúmeros
conselheiros. Mas agora o Timão caiu na real. O descenso era inevitável.
Porém, não é hora de acusar este ou aquele pelos desmandos, falcatruas e
pela má administração do time. É preciso avaliar os erros cometidos e
tentar se reerguer. O Corinthians precisa mudar seus valores, rever os
seus conceitos. Colocar em prática uma mentalidade inovadora. É preciso
mudar o Corinthians com ações concretas. Perpetuar a paixão com vitórias.
Devolver ao Corinthians a sua grandeza. Isso não é o sonho do torcedor
corintiano, é o fundamento do seu amor ao clube. Por um Corinthians eterno
e glorioso sempre.
