Vencemos o Uruguai. Foi no sufoco. Graças ao oportunismo
de Luís Fabiano e os milagres do goleiro Júlio César. Mas não fizemos nada
mais do que a nossa obrigação. Hei de confessar que perdi o encanto com a
Seleção Brasileira. Às vezes tenho a impressão de que o time não demonstra
vontade de vencer, de se impor. Falta amor à camisa. Falta ousadia e
coragem por parte do nosso treinador. Falta comprometimento com a
Amarelinha.
Acho, portanto, que o Dunga precisa rever alguns de seus conceitos. Aliás,
até hoje não entendi o porquê da sua escolha para assumir o posto de
técnico da Seleção Brasileira. Sem sombra de dúvidas a CBF foi
influenciada pelo clamor popular que pedia um “líder” no comando do
escrete canarinho. Alguém que tivesse um perfil que gritasse na beira do
campo. Um Carlos Alberto Parreira ao avesso. Digamos assim. Era preciso
alguém que tivesse “pulso forte”. Que demonstrasse atitude e cobrasse mais
empenho por parte dos jogadores. Alguém que recuperasse o espírito
vencedor da Seleção Brasileira.
Confesso que, a princípio, o nome do Dunga era o ideal para aquele
momento. Até porque ele preenchia com perfeição todos esses atributos.
Ledo engano. Ele também nos passa aquela imagem “parreirística” de ser.
Uma imagem apática. Totalmente diferente do Dunga jogador que ficou
marcado pela sua raça e valentia dentro das quatro linhas.
Todavia, acredito que o problema da Seleção não está no nível de decibéis.
Não é o fato de o treinador gritar mais ou menos que mudará a postura do
time em campo. Ao meu ver, está faltando alguém que imponha disciplina
tática, ordem nos jogadores e uma mentalidade vencedora. Sinceramente
ainda não consegui ver isso no Dunga. Muito pelo contrário. O que eu vejo
é um Dunga mal-humorado, avesso às perguntas bem elaboradas dos
profissionais de imprensa. Um Dunga que não gosta de jogos na altitude.
Que não gosta de treinar a parte tática e técnica. Um Dunga sem ousadia,
prudente ao extremo, teimoso e insistente. Um Dunga que não surpreende os
adversários. Que não tem variação tática. Que despreza o improviso. Um
Dunga totalmente repetitivo, pois antes mesmo de a lista ser divulgada,
todos já sabem quem serão os convocados. Enfim, creio que ele não tem
gabarito, nem currículo para ser técnico da Seleção Brasileira.
Tudo bem que ele é um cara que tem história na Seleção. Foi o capitão do
tetra. Tem o respaldo de ter conquistado a Copa América e tudo mais. É um
cara íntegro, honesto. Porém, sou adepto da teoria de que um técnico de
futebol tem que começar por baixo, num time pequeno. É muita pretensão e
responsabilidade começar no mais alto e desejado cargo. Nem de longe ele
tem a bagagem necessária para comandar o melhor time de futebol do mundo.
Aliás, para ser formar um bom time é preciso convocar os melhores
jogadores do momento. E isso é fácil num país como o nosso. Temos
“matéria-prima” que não se acaba mais. Porém, os nossos técnicos costumam
complicar as coisas, adotando escolhas políticas e, muitas vezes,
recebendo todo tipo de influência.
Acredito, também, que muito da sua escolha se deve ao fato de que ele
parece ser uma pessoa “gerenciável”. Uma espécie de fantoche da CBF. Digo
“gerenciável” no sentido de que, caso não venha a colher bons resultados,
ele não teria força política e técnica para se manter no cargo. Mas isto
está longe de acontecer. Isto porque o Dunga é um dos braços direito do
Presidente Ricardo Teixeira. Um fiel defensor e legítimo porta-voz da CBF.
Enfim, não tenho dúvidas de que vamos nos classificar para a Copa. Não por
nossos méritos, mas sim por deficiência dos nossos adversários. Porém,
ainda tenho a esperança de que um dia a Seleção Brasileira mais agradará
do que irritará. Torço para isso. Não estou aqui pedindo uma Seleção que
nos encha os olhos ou coisas do tipo. Quero apenas um time que nos dê um
mínimo de alento e que nos faça voltar a sorrir. Acho que não é pedir
muito!
