Certa vez ouvi alguém dizer: “o amor do torcedor
pelo seu clube tem o poder de mover as montanhas, de derrubar as
barreiras. E não existe fronteira capaz de separá-lo do seu coração – nem
mesmo a segunda divisão”. Sábias palavras. Aliás, a noite desta
última terça-feira retrata fidedignamente tal pensamento. Tivemos estádios
repletos e torcidas transbordando, em massa, aos pulos e cantos pelo
resgate do orgulho de ser torcedor do Coritiba, Ipatinga, Vitória e
Portuguesa.
Foi uma rodada de definições e comemorações na Série B do Campeonato
Brasileiro que culminou com a ascensão desses clubes à elite do futebol
nacional. Foi uma noite de redenção e, até certo ponto, de alívio pelos
longos anos de sofrimento e de amargura na tenebrosa e temida segunda
divisão. Por muito tempo, os gritos destes torcedores ficaram contidos, os
olhos regozijados e o coração em frangalhos. Mas agora tudo é passado. É
tempo de festa, de comemoração. É tempo de gozar plenamente este bem-estar
interior.
Isto posto, vamos tecer alguns comentários acerca da árdua caminhada de
cada um desses clubes rumo ao “paraíso” da primeira divisão.
Primeiramente, vale ressaltar que a Portuguesa de Desportos foi derrotada
pelo Coritiba, por 2 a 0 nesta última rodada. Porém, graças a uma
combinação de resultados, ela garantiu matematicamente o seu acesso para a
Série A. Aliás, muito desse triunfo se deve ao bom trabalho do técnico
Vágner Benazzi que recolocou a Portuguesa no patamar dos grandes clubes
brasileiros. Sob o comando dele, a Lusa escapou da degola em 2006 quando
quase caiu para a Série C. Se não bastasse isso, ele ainda venceu a Série
A-2 do Paulistão deste ano (retornando à elite do futebol paulista) e
fechou o ano com chave de ouro ao conquistar o acesso ao seleto grupo dos
melhores times do país. Foram 5 anos longe da elite do futebol nacional,
mas agora a Lusinha está de volta em seu lugar de merecimento.
Por sua vez, o Coritiba adotou a filosofia do bom e do barato. Sem
estrelas, o Coxa apostou na garotada. Ou “piazada”, como dizem os
paranaenses. Essa foi a receita do sucesso. Rechear o time com uma
molecada boa de bola que fez do Coritiba um time forte e competitivo. Um
time que deixou o seu torcedor de alma lavada e com os corações
alvi-verdes pulsando esfuziantes de tamanha satisfação.
E não pára por aí. Agora também podemos dizer que a Série “A” se escreve
com “V” de Vitória. Tão rápida como o rebaixamento em 2004, a trajetória
de renascimento do clube foi meteórica. O clube rubro-negro viveu dias
nebulosos em meio a uma interminável crise financeira, mas conseguiu se
superar e passar por cima das dificuldades. Qual Fênix, o Leão da Barra
renasceu das cinzas e para a alegria do seu torcedor retornou ao lugar de
onde nunca deveria ter saído. Hoje Salvador está em festa e o carnaval tem
tudo para começar mais cedo.
Por fim, em 2008, Minas reinará soberana na Séria A. Isto porque o
Ipatinga venceu o Marília, por 3 a 2, tornando-se o terceiro representante
do Estado na elite do futebol brasileiro. Como curiosidade, vale a pena
ressaltar que, no próximo ano, quando completará 10 anos de fundação, o
Tigrão do Aço (como é popularmente conhecido) quebrará o jejum de 21 anos
de ausência de um clube mineiro do interior na Série A do Brasileirão. O
último havia sido o Uberlândia, em 1986. Essa é só mais uma das façanhas
do Ipatinga. Um time fundado há tão pouco tempo, mas que já virou
referência entre os clubes do interior que ganharam projeção no cenário
desportivo nacional.
Portanto, a elite do futebol brasileiro aguarda de braços abertos os times
do Ipatinga, Vitória, Coritiba e Portuguesa. Que sejam bem-vindos. Agora
só resta aos mesmos se reestruturarem para fugir do famoso efeito ioiô,
afinal de contas são muito comuns as equipes que oscilam entre a primeira
e a segunda divisão nacional num pequeno intervalo de tempo. Assim como o
conhecido brinquedo, esses times sobem e descem, vão e voltam, com o
passar dos anos. Que eles não sigam o exemplo do América-RN neste ano de
2007! É esperar pra ver!
