Na sua quinta edição, o Campeonato Brasileiro de futebol por
pontos corridos começa a cair no gosto do torcedor. A maior prova disso se
reflete no aumento significativo de público nos diversos estádios
espalhados pela Brasil. Até o presente momento a competição conta com uma
excelente média de mais de 20 mil torcedores por jogo. A maior dos últimos
10 anos. Para se ter uma idéia, houve um aumento considerável de público
se fizermos uma comparação com o último campeonato brasileiro na fórmula
“mata-mata” (em 2002), quando tivemos uma média de 12.886 espectadores.
Diante de tais dados, uma pergunta não quer calar: por quais motivos um
campeonato marcado pelo baixo nível técnico conseguiu atrair e resgatar o
torcedor aos estádios? A resposta para tal indagação não é tão simples de
responder. Aliás, não consigo vislumbrar uma razão específica para termos
estádios tão cheios assim. Digo isto porque há um consenso geral de que o
campeonato é muito fraco tecnicamente. Não temos nenhum grande jogador.
Nenhum destaque. Nenhum craque excepcional. Com certeza o Rogério Ceni é
uma exceção. Mas estamos falando de um goleiro. Totalmente diferente de
tempos atrás quando tínhamos uma enormidade de atacantes e meio-campistas
desfilando toda sua exuberância e habilidade dentro das quatro linhas.
Isto posto, é fato notório que nenhuma equipe realmente mostrou um futebol
de encher os olhos. Nem mesmo o São Paulo, campeão antecipado, apresentou
um futebol plástico. Muito pelo contrário. Foi um time objetivo, focado em
vencer. Jogou, portanto, um futebol de resultado. Mas nem por isso o
torcedor deixou de marcar a sua presença, principalmente nesta reta final
do Brasileirão quando o Tricolor superou o Flamengo e quebrou o recorde de
público ao levar quase 70 mil pagantes ao Morumbi.
Vale ressaltar, ainda, que apesar de o campeonato por pontos corridos não
ter a emoção de uma final, ele é repleto de pequenas decisões, podendo
citar como exemplos a luta contra o rebaixamento ou a briga por uma vaga
na Libertadores da América. Talvez este seja o motivo preponderante para o
regresso dos torcedores aos campos de futebol. Não vejo outra razão
determinante. Sendo assim, ao meu ver o público está voltando aos
estádios, sem nada ter mudado. Não mudou o desconforto, não mudou a
violência, não mudou a dificuldade do transporte, nem a qualidade dos
jogos.
Enfim, este campeonato brasileiro pode não ser um grande espetáculo de
futebol, mas é muito bom vermos 60 mil pessoas fazendo a festa no
Maracanã, Pacaembu, Morumbi, São Januário, Ilha do Retiro, Mineirão ou
Olímpico. Isto só comprova a paixão do torcedor pelo seu clube de coração.
Ele é capaz de superar diversos aspectos negativos, tais como horários
impróprios, violência, falta de segurança, alto preço dos ingressos, ou
seja, um verdadeiro desrespeito ao Estatuto do Torcedor. Imagine quando
tivermos um campeonato mais organizado e com melhor qualidade técnica?!
Para terminar, convém enaltecer que durante muitos anos tivemos estádios
vazios e o torcedor preferido a comodidade e a segurança do seu lar. Mas
fiquemos com a esperança de estádios sempre abarrotados como ocorreu neste
Brasileirão, pois se falta respeito ao torcedor, ao menos não falta paixão
e fidelidade ao seu time de coração.
