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A importância de uma Copa do Mundo

portalbip.com (Quintino Augusto) - 29/10/2007

Nesta terça-feira (dia 30), todo o Brasil estará com os olhos voltados para Zurique, na Suíça. A expectativa é que a Federação Internacional de Futebol – a FIFA – anuncie oficialmente o nosso país como sede da Copa do Mundo de 2014.

E é isso realmente o que deve ocorrer, afinal de contas o Brasil é candidato único para sediar o mundial de 2014, que está programado para a América do Sul, seguindo o rodízio realizado pela FIFA entre as confederações continentais. Além disso, o Brasil apresentou o caderno de encargos e cumpriu satisfatoriamente todas as exigências, conforme relatório divulgado pela FIFA há poucos dias.

Aliás, diga-se de passagem, o anúncio do Brasil como país-sede da Copa do Mundo de 2014 será um presente e tanto para a torcida brasileira, que é apaixonada pelo futebol. Será também uma homenagem mais do que justa ao único país pentacampeão do mundo. É de conhecimento de todos que de quatro em quatro anos, o Brasil pára. População, mídia e poder público, todos se submetem à paixão do futebol em sua maior expressão: a Copa do Mundo. Portanto, se a escolha do Brasil vier a se confirmar, será uma decisão digna de aplausos.

Todavia, deixando de lado este aspecto saudosista e ufanista, é fato notório que a responsabilidade em sediar um evento de tamanha grandeza não é tarefa das mais fáceis. E eu tenho lá as minhas dúvidas se o Brasil seria capaz de cumprir tal desiderato. Isto porque para sediar uma copa torna-se imprescindível fazer investimentos na área de transportes, aeroportos, segurança pública, saúde, infra-estrutura de telecomunicações e rede hoteleira. Isso sem contar com a necessidade de reformas, adequações ou até mesmo a construção de novos estádios. Como se pode perceber, o Brasil terá que tomar uma série de providências para cumprir os requisitos exigidos pela entidade máxima do futebol. Será preciso colocar a “mão na massa”.

Pois bem, para que todas estas demandas acima apontadas venham a ser atendidas, faz-se mister uma atuação em conjunto do governo federal e, principalmente, uma participação efetiva do setor privado, como por exemplo na ampliação dos leitos na rede hoteleira, bem como em altos investimentos para a melhoria e construção das arenas esportivas e locais adequados para preparação/treinamentos.

Não tenho dúvidas, portanto, de que há muito o que ser feito e que o Brasil terá uma árdua missão pela frente. Porém, tudo o que exige de nós um pouco mais de esforço e dedicação tem o seu lado compensatório. É indiscutível o fato de que o futebol brasileiro poderá ser beneficiado com a realização de um evento de tal proporção em nosso território. Na verdade, a copa poderá ser uma oportunidade única para que o futebol brasileiro aproveite o ambiente criado e as instalações que ficarão disponíveis após o torneio. A partir daí, com estádios mais adequados, mais confortáveis e mais seguros, os torcedores voltarão a freqüentá-los, trazendo assim um incremento de recursos para os clubes através da bilheteria.

Mas há quem pense diferente e defenda que o país não tem o mínimo de infra-estrutura para receber um evento de tal porte. Estas pessoas defendem a tese de que, para viabilizar a realização dos jogos, será preciso investir quantias que seriam destinadas para finalidades sociais mais emergenciais ou de maior relevância pública. E isto geraria um certo paradoxo num país que busca se destacar internacionalmente, mas que internamente convive com uma enorme desigualdade social.

Ao meu ver, esta tese tem cabimento e até um fundo de verdade. Entretanto, há de se convir que a aplicação de tais recursos por parte do governo federal trará, ainda que indiretamente, melhoramentos na infra-estrutura das cidades que serão sedes do evento. Isto porque o governo terá que realizar obras que facilitem o escoamento do trânsito, melhorias nos setores urbanísticos, contenção da violência, além de reformas em estádios que promoverão a criação de empregos temporários e agirão no desenvolvimento tecnológico e social do país.

No mais, uma copa do mundo aqui no Brasil será uma oportunidade de ouro para o futebol brasileiro tomar como referência as boas experiências do futebol mundial e passar a respeitar o direito dos torcedores, a valorizar os nossos atletas, a proteger os clubes formadores e a ter uma gestão dos campeonatos mais transparente e profissional.

Convém enaltecer, ainda, que uma Copa do Mundo é um presente para o povo do país que a realiza. Precisamos e gostaríamos de uma Copa do Mundo aqui no Brasil. Todavia, ela tem de ser realizada com transparência, com a menor utilização de dinheiro público possível, com a contribuição do setor privado, com conforto, organização, segurança, dentre outras coisas.

Esta é a minha maior torcida. A de que os nossos governantes saibam direcionar corretamente a verba que será disponibilizada para a realização da copa do mundo de 2014, de modo que após o torneio haja um retorno de benefícios para a população em geral.

Não concordo com o raciocínio da maioria esmagadora da imprensa, inclusive a nossa, de que a Copa do Mundo só poderia ser realizada em países de Primeiro Mundo. Se o pensamento for este, alguns países tradicionais no esporte, como o Brasil por exemplo, que tratem de esquecer este evento. Não é bem assim! É preciso mudar este pensamento arcaico, ultrapassado.

Aliás, muitos daqueles que são contrários à realização da Copa do Mundo aqui no Brasil acabam desvirtuando o seu pensamento. E muito disso se deve ao fato de não gostam da figura de Ricardo Teixeira, atual Presidente da CBF. Se pessoas da estirpe de Ricardo Teixeira inviabilizam uma Copa do Mundo no nosso país, que expulsem daqui o Ricardo Teixeira, não a Copa.

Enfim, a maioria dos brasileiros ama o futebol e seria muito importante sediar uma copa novamente. Fica a nossa torcida para que o desenvolvimento econômico do Brasil seja alavancado assim que o país conquiste o direito de organizá-la. Aí sim a gente poderá dizer com orgulho que “a copa passou, mas o legado ficou”.

Enquanto isso, ainda faltam muitas melhorias a serem feitas, como resolver o problema do trânsito caótico nas grandes cidades, a questão da crise aérea e a falta de segurança. Porém, ainda temos sete anos para tentar mudar esse panorama. Avante Brasil!.

Quintino Augusto
  • Advogado com especialização em Direito Civil, além de apreciador do futebol e esportes em geral
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