Nesta terça-feira (dia 30), todo o Brasil estará com os
olhos voltados para Zurique, na Suíça. A expectativa é que a Federação
Internacional de Futebol – a FIFA – anuncie oficialmente o nosso país como
sede da Copa do Mundo de 2014.
E é isso realmente o que deve ocorrer, afinal de contas o Brasil é
candidato único para sediar o mundial de 2014, que está programado para a
América do Sul, seguindo o rodízio realizado pela FIFA entre as
confederações continentais. Além disso, o Brasil apresentou o caderno de
encargos e cumpriu satisfatoriamente todas as exigências, conforme
relatório divulgado pela FIFA há poucos dias.
Aliás, diga-se de passagem, o anúncio do Brasil como país-sede da Copa do
Mundo de 2014 será um presente e tanto para a torcida brasileira, que é
apaixonada pelo futebol. Será também uma homenagem mais do que justa ao
único país pentacampeão do mundo. É de conhecimento de todos que de quatro
em quatro anos, o Brasil pára. População, mídia e poder público, todos se
submetem à paixão do futebol em sua maior expressão: a Copa do Mundo.
Portanto, se a escolha do Brasil vier a se confirmar, será uma decisão
digna de aplausos.
Todavia, deixando de lado este aspecto saudosista e ufanista, é fato
notório que a responsabilidade em sediar um evento de tamanha grandeza não
é tarefa das mais fáceis. E eu tenho lá as minhas dúvidas se o Brasil
seria capaz de cumprir tal desiderato. Isto porque para sediar uma copa
torna-se imprescindível fazer investimentos na área de transportes,
aeroportos, segurança pública, saúde, infra-estrutura de telecomunicações
e rede hoteleira. Isso sem contar com a necessidade de reformas,
adequações ou até mesmo a construção de novos estádios. Como se pode
perceber, o Brasil terá que tomar uma série de providências para cumprir
os requisitos exigidos pela entidade máxima do futebol. Será preciso
colocar a “mão na massa”.
Pois bem, para que todas estas demandas acima apontadas venham a ser
atendidas, faz-se mister uma atuação em conjunto do governo federal e,
principalmente, uma participação efetiva do setor privado, como por
exemplo na ampliação dos leitos na rede hoteleira, bem como em altos
investimentos para a melhoria e construção das arenas esportivas e locais
adequados para preparação/treinamentos.
Não tenho dúvidas, portanto, de que há muito o que ser feito e que o
Brasil terá uma árdua missão pela frente. Porém, tudo o que exige de nós
um pouco mais de esforço e dedicação tem o seu lado compensatório. É
indiscutível o fato de que o futebol brasileiro poderá ser beneficiado com
a realização de um evento de tal proporção em nosso território. Na
verdade, a copa poderá ser uma oportunidade única para que o futebol
brasileiro aproveite o ambiente criado e as instalações que ficarão
disponíveis após o torneio. A partir daí, com estádios mais adequados,
mais confortáveis e mais seguros, os torcedores voltarão a freqüentá-los,
trazendo assim um incremento de recursos para os clubes através da
bilheteria.
Mas há quem pense diferente e defenda que o país não tem o mínimo de
infra-estrutura para receber um evento de tal porte. Estas pessoas
defendem a tese de que, para viabilizar a realização dos jogos, será
preciso investir quantias que seriam destinadas para finalidades sociais
mais emergenciais ou de maior relevância pública. E isto geraria um certo
paradoxo num país que busca se destacar internacionalmente, mas que
internamente convive com uma enorme desigualdade social.
Ao meu ver, esta tese tem cabimento e até um fundo de verdade. Entretanto,
há de se convir que a aplicação de tais recursos por parte do governo
federal trará, ainda que indiretamente, melhoramentos na infra-estrutura
das cidades que serão sedes do evento. Isto porque o governo terá que
realizar obras que facilitem o escoamento do trânsito, melhorias nos
setores urbanísticos, contenção da violência, além de reformas em estádios
que promoverão a criação de empregos temporários e agirão no
desenvolvimento tecnológico e social do país.
No mais, uma copa do mundo aqui no Brasil será uma oportunidade de ouro
para o futebol brasileiro tomar como referência as boas experiências do
futebol mundial e passar a respeitar o direito dos torcedores, a valorizar
os nossos atletas, a proteger os clubes formadores e a ter uma gestão dos
campeonatos mais transparente e profissional.
Convém enaltecer, ainda,
que uma Copa do Mundo é um presente para o povo do país que a realiza.
Precisamos e gostaríamos de uma Copa do Mundo aqui no Brasil. Todavia, ela
tem de ser realizada com transparência, com a menor utilização de dinheiro
público possível, com a contribuição do setor privado, com conforto,
organização, segurança, dentre outras coisas.
Esta é a minha maior torcida. A de que os nossos governantes saibam
direcionar corretamente a verba que será disponibilizada para a realização
da copa do mundo de 2014, de modo que após o torneio haja um retorno de
benefícios para a população em geral.
Não concordo com o raciocínio da maioria esmagadora da imprensa, inclusive
a nossa, de que a Copa do Mundo só poderia ser realizada em países de
Primeiro Mundo. Se o pensamento for este, alguns países tradicionais no
esporte, como o Brasil por exemplo, que tratem de esquecer este evento.
Não é bem assim! É preciso mudar este pensamento arcaico, ultrapassado.
Aliás, muitos daqueles que são contrários à realização da Copa do Mundo
aqui no Brasil acabam desvirtuando o seu pensamento. E muito disso se deve
ao fato de não gostam da figura de Ricardo Teixeira, atual Presidente da
CBF. Se pessoas da estirpe de Ricardo Teixeira inviabilizam uma Copa do
Mundo no nosso país, que expulsem daqui o Ricardo Teixeira, não a Copa.
Enfim, a maioria dos brasileiros ama o futebol e seria muito importante
sediar uma copa novamente. Fica a nossa torcida para que o desenvolvimento
econômico do Brasil seja alavancado assim que o país conquiste o direito
de organizá-la. Aí sim a gente poderá dizer com orgulho que “a copa
passou, mas o legado ficou”.
Enquanto isso, ainda faltam muitas melhorias a serem feitas, como resolver
o problema do trânsito caótico nas grandes cidades, a questão da crise
aérea e a falta de segurança. Porém, ainda temos sete anos para tentar
mudar esse panorama. Avante Brasil!.
