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O Reencontro com a sua identidade

portalbip.com (Quintino Augusto) - 18/10/2007

Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil. Cidade Maravilhosa, palco de mais um show do Brasil.

Sob os olhares atentos de mais de 85 mil pessoas no Maracanã, o Brasil soube muito bem “driblar” as vaias, dar um “chapéu” na impaciência da torcida em determinados momentos e ainda mandar para “escanteio” a desconfiança que havia nos deixado após aquela fraca atuação diante da Colômbia.

Aliás, peço licença a vocês para comparar o jogo de ontem a um casamento. E, diga-se de passagem, um casamento celebrado com regime de comunhão universal de gols. Isto porque, após sete anos de divórcio, a reconciliação da Seleção Brasileira com o Maracanã teve os altos e baixos de todo bom casal. Entre vaias e festa, a Seleção arrasou o Equador por 5 a 0 e tudo terminou com um final feliz. Assim, o Brasil alcançou a sua primeira vitória nas Eliminatórias para a Copa de 2010 e deixou o campo em lua-de-mel com a torcida.

Neste reencontro com o Maracanã, os torcedores vibraram de alegria com uma atuação mais do que convincente dos nossos craques. E há motivos de sobra para tamanha euforia, afinal de contas eles foram presenteados com uma partida disputada com raça, amor à camisa e em ritmo vibrante. Um verdadeiro espetáculo que fez o coração verde-amarelo pulsar esfuziante. Uma partida em que a Seleção Brasileira fez literalmente valer o preço do ingresso.

Na primeira etapa, o Brasil tirou o zero do placar com o estreante Vágner Love, que nunca havia jogado no estádio. Porém, o camisa 9 da Seleção perdeu muitas chances de gol e chegou a irritar a torcida. Até gritos por Obina, xodó do Flamengo, foram ouvidos.

Já no segundo tempo, a seleção foi vaiada até ampliar o placar com Ronaldinho Gaúcho. A partir daí, o Brasil deitou e rolou dentro de campo. Kaká marcou um belo gol. Robinho acertou um drible desconcertante no seu marcador e mostrou ser o retrato fiel da ginga, da malemolência e do talento natural dos nossos craques. Ainda teve tempo do goleiro Viteri, do Equador, cometer uma falha terrível e consolidar de vez a vitória brasileira.

No mais, vale ressaltar que desta vez entrou em campo o tão falado futebol-arte. Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho, foram um show à parte. Foi nessa atmosfera de euforia, de fascínio e de um Maracanã repleto que entrou em campo a nossa Seleção. Foi nesse clima de aplausos e gritos em sinal de afeto que externaram os brasileiros a sua admiração. Admiração pelo futebol bem jogado, por um drible bem aplicado, por um lance inusitado. Portanto, não há ocasião mais propícia do que esta para gritarmos numa só voz: “Ah, como é bom ser brasileiro”. Ser brasileiro é isto. É paixão com alegria, alma com fome de vitória e vontade com definição. Ser brasileiro é ter um carinho mais do que especial com a nossa Seleção.

Enfim, termino o meu pensamento com a certeza de que o Brasil é realmente o País do futebol, afinal de contas o nosso IDIOMA é a bola, a nossa BANDEIRA é o estandarte da glória, o nosso POVO é a pátria de chuteiras e no nosso TERRITÓRIO não há fronteira capaz de separar o futebol dos nossos corações.

Todavia, o maior legado desta partida para nós brasileiros foi trazer de volta a vontade do nosso povo de torcer para a Seleção Brasileira. Em outras palavras, foi o reencontro da Seleção com a sua identidade. Identidade esta perdida em meio à debandada de nossos craques para o exterior e que a transformou numa verdadeira Seleção Européia, cada vez mais afastada do calor do nosso torcedor.

Quintino Augusto
  • Advogado com especialização em Direito Civil, além de apreciador do futebol e esportes em geral
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