Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil. Cidade
Maravilhosa, palco de mais um show do Brasil.
Sob os olhares atentos de mais de 85 mil pessoas no Maracanã, o Brasil
soube muito bem “driblar” as vaias, dar um “chapéu” na impaciência da
torcida em determinados momentos e ainda mandar para “escanteio” a
desconfiança que havia nos deixado após aquela fraca atuação diante da
Colômbia.
Aliás, peço licença a vocês para comparar o jogo de ontem a um casamento.
E, diga-se de passagem, um casamento celebrado com regime de comunhão
universal de gols. Isto porque, após sete anos de divórcio, a
reconciliação da Seleção Brasileira com o Maracanã teve os altos e baixos
de todo bom casal. Entre vaias e festa, a Seleção arrasou o Equador por 5
a 0 e tudo terminou com um final feliz. Assim, o Brasil alcançou a sua
primeira vitória nas Eliminatórias para a Copa de 2010 e deixou o campo em
lua-de-mel com a torcida.
Neste reencontro com o Maracanã, os torcedores vibraram de alegria com uma
atuação mais do que convincente dos nossos craques. E há motivos de sobra
para tamanha euforia, afinal de contas eles foram presenteados com uma
partida disputada com raça, amor à camisa e em ritmo vibrante. Um
verdadeiro espetáculo que fez o coração verde-amarelo pulsar esfuziante.
Uma partida em que a Seleção Brasileira fez literalmente valer o preço do
ingresso.
Na primeira etapa, o Brasil tirou o zero do placar com o estreante Vágner
Love, que nunca havia jogado no estádio. Porém, o camisa 9 da Seleção
perdeu muitas chances de gol e chegou a irritar a torcida. Até gritos por
Obina, xodó do Flamengo, foram ouvidos.
Já no segundo tempo, a seleção foi vaiada até ampliar o placar com
Ronaldinho Gaúcho. A partir daí, o Brasil deitou e rolou dentro de campo.
Kaká marcou um belo gol. Robinho acertou um drible desconcertante no seu
marcador e mostrou ser o retrato fiel da ginga, da malemolência e do
talento natural dos nossos craques. Ainda teve tempo do goleiro Viteri, do
Equador, cometer uma falha terrível e consolidar de vez a vitória
brasileira.
No mais, vale ressaltar que desta vez entrou em campo o tão falado
futebol-arte. Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho, foram um show à parte. Foi
nessa atmosfera de euforia, de fascínio e de um Maracanã repleto que
entrou em campo a nossa Seleção. Foi nesse clima de aplausos e gritos em
sinal de afeto que externaram os brasileiros a sua admiração. Admiração
pelo futebol bem jogado, por um drible bem aplicado, por um lance
inusitado. Portanto, não há ocasião mais propícia do que esta para
gritarmos numa só voz: “Ah, como é bom ser brasileiro”. Ser brasileiro é
isto. É paixão com alegria, alma com fome de vitória e vontade com
definição. Ser brasileiro é ter um carinho mais do que especial com a
nossa Seleção.
Enfim, termino o meu pensamento com a certeza de que o Brasil é realmente
o País do futebol, afinal de contas o nosso IDIOMA é a bola, a nossa
BANDEIRA é o estandarte da glória, o nosso POVO é a pátria de chuteiras e
no nosso TERRITÓRIO não há fronteira capaz de separar o futebol dos nossos
corações.
Todavia, o maior legado desta partida para nós brasileiros foi trazer de
volta a vontade do nosso povo de torcer para a Seleção Brasileira. Em
outras palavras, foi o reencontro da Seleção com a sua identidade.
Identidade esta perdida em meio à debandada de nossos craques para o
exterior e que a transformou numa verdadeira Seleção Européia, cada vez
mais afastada do calor do nosso torcedor.
