A Copa do Mundo de Futebol Feminino na China foi um
sucesso em vários aspectos, dentre eles o interesse que despertou no
torcedor brasileiro. Torcedor que mais uma vez deu o seu voto de confiança
a essas atletas que lutam contra a falta de apoio e que já enfrentaram uma
série de dificuldades na vida para alcançar o estrelato e o reconhecimento
da mídia e do público em geral.
Ficou mais do que provado que interesse há. Mas isso não é suficiente.
Torna-se imprescindível um mínimo de investimento, apoio e interesse do
setor público e/ou privado em propiciar uma ajuda financeira, melhores
condições de treinamento, além de um campeonato digno e à altura do bom
futebol apresentado por essas jogadoras. É preciso também resolver
problemas de infra-estrutura, tais como a falta de suplemento alimentar e
de locais de treinamentos.
Diante desse contexto, as jogadoras da Seleção Brasileira chegaram a
enviar uma carta à CBF após a final do Mundial neste último domingo. Nesta
carta, elas cobraram transparência por parte da entidade, uma melhor
estrutura para a prática do futebol, bem como maiores esclarecimentos no
que tange à questão das premiações.
Para se ter uma idéia, a entidade organizadora da competição – a FIFA –
pagará à CBF US$ 850 mil (R$ 1,54 milhão) pela conquista do
vice-campeonato. Muito dinheiro, por sinal. Entretanto, as atletas afirmam
desconhecer quanto caberá a cada uma delas. Verifica-se, pois, que não há
clareza por parte da CBF em relação à divisão da premiação.
Daí eu faço a seguinte indagação: por que foi preciso a conquista de uma
medalha de prata em Atenas, de uma medalha de ouro no Pan-americano e de
um vice-campeonato mundial para que as primeiras providências fossem
tomadas? Digo isto porque a CBF já se manifestou e anunciou a criação da
Copa do Brasil de Futebol Feminino que será disputada no final deste mês
de outubro. O anúncio veio horas depois que o presidente da Fifa, Joseph
Blatter, pediu em uma entrevista coletiva na China a criação de uma liga
feminina profissional brasileira.
Faz-se mister ressaltar, ainda, uma atitude mais do que justa e coerente
da CBF, por intermédio do seu presidente Ricardo Teixeira, cuja
determinação foi a de que a premiação pela conquista do vice-campeonato
será paga como se as meninas da Seleção Brasileira tivessem sido
verdadeiramente campeãs mundiais.
Nada mais justo, portanto, que depois de resultados tão expressivos do
nosso futebol feminino, todos os esforços estejam voltados para a
profissionalização do esporte a nível nacional. E ao que tudo indica,
membros e comitês esportivos já começam a se movimentar para que essas
atletas finalmente possam fazer dignamente o que mais gostam, jogar
futebol. Antes tarde do que nunca!
Porém, esperamos que essas promessas saiam do papel e se tornem realidade.
Só assim poderemos reverenciar e ver o surgimento de novas Martas,
Cristianes, Formigas, dentre outras.
Parabéns meninas! Vocês já são vitoriosas. O resultado final pouco
importa, afinal de contas a maior vitória e ensinamento que vocês nos
deixaram foi provar que na vida não há obstáculos a transpor quando se tem
força de vontade e um Deus maior a guiar-lhes os passos.
Enfim, essas meninas mostraram ao público, aos empresários, aos dirigentes
e a todos os amantes do futebol que o futebol feminino é viável sim, no
Brasil e no mundo, tanto técnica, social e financeiramente. Basta dar
apoio, deixar de lado a desconfiança e acreditar no bom futebol dessas
jogadoras guerreiras.
