Quero falar da música em movimento pelas ruas, palcos e
praças da capital paraibana e dizer que o Estação Nordeste deste ano
registrou a volta aos palcos de um dos artistas paraibanos mais
respeitados: Vital Farias. E o show da noite de 05 de janeiro de 2008 não
deixou nada devendo aos de outros artistas renomados que estão passando
pelos nossos palcos. Vital compreende a música como atividade política.
Fala do homem do campo e seus conflitos. Fala da desigualdade social. Fala
da natureza e da educação para a vida. Por isso é que sua música é
cantoria que se faz respeitar.
Um dos exemplos mais relevantes dentro da sua obras está na canção “Eu
sabia, sabiá”, em parceria com Jomar Souto, que estabelece mais um diálogo
poético com a “Canção do exílio” de Gonçalves Dias, merecedora de tantas
releituras e citações na poesia e música brasileiras. Só que nesta canção,
o poeta dá voz a um eu- lírico que fala pelos posseiros: “... porque terra
vira e mexe / deixa a gente viver dela, plantar nela, por favor...”.
Assim, em vez de cantar a saudade do lugar, a canção dialoga com a canção
do exílio na perspectiva de reivindicar a posse da terra aos seus
ocupantes, retomando poeticamente o mote da luta pela reforma agrária no
Brasil: “a terra é de quem nela trabalha”. Outros exemplos desta
trajetória de música engajada podem ser observados nas canções “Saga da
Amazônia” e “Saga de Severinin” que narram poeticamente o conflito pela
posse de terra nas regiões Norte e Nordeste.
Durante o show, Vital ainda falou de educação, cidadania, ecologia e
infância e instigou a platéia atenta à reflexão sobre questões sociais
históricas. A cada canção, um reencontro, um deleite e uma fala. O tempo
mítico da cantoria foi instaurado na Praça Antenor Navarro naquela noite.
Isto porque Vital tem muito a dizer e a cantar.
Os conflitos agrários e a violência no campo são antigos, mas persistem
até hoje. Por isso a música de Vital Farias é atual. A gente canta para
pedir paz e justiça no campo, para reforçar a Frente de Apoio aos
Posseiros da Fazenda Quirino. E a gente canta para dizer ao Sr. José Luiz
e Dona Silvinha, de Juarez Távora – PB que a sociedade paraibana acompanha
o desenrolar do processo que dará, finalmente, a posse efetiva da terra
àquelas famílias que lutam há mais de uma década. “Com os que suam na
serra, quero o meu canto compor e dos irmãos camponeses partilhar também
da dor... Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, a gente que aqui
campeia, também ama e quer ficar”.
