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“Minha terra tem palmeiras...”

portalbip.com (Nara Limeira) - 14/01/2008

Quero falar da música em movimento pelas ruas, palcos e praças da capital paraibana e dizer que o Estação Nordeste deste ano registrou a volta aos palcos de um dos artistas paraibanos mais respeitados: Vital Farias. E o show da noite de 05 de janeiro de 2008 não deixou nada devendo aos de outros artistas renomados que estão passando pelos nossos palcos. Vital compreende a música como atividade política. Fala do homem do campo e seus conflitos. Fala da desigualdade social. Fala da natureza e da educação para a vida. Por isso é que sua música é cantoria que se faz respeitar.

Um dos exemplos mais relevantes dentro da sua obras está na canção “Eu sabia, sabiá”, em parceria com Jomar Souto, que estabelece mais um diálogo poético com a “Canção do exílio” de Gonçalves Dias, merecedora de tantas releituras e citações na poesia e música brasileiras. Só que nesta canção, o poeta dá voz a um eu- lírico que fala pelos posseiros: “... porque terra vira e mexe / deixa a gente viver dela, plantar nela, por favor...”. Assim, em vez de cantar a saudade do lugar, a canção dialoga com a canção do exílio na perspectiva de reivindicar a posse da terra aos seus ocupantes, retomando poeticamente o mote da luta pela reforma agrária no Brasil: “a terra é de quem nela trabalha”. Outros exemplos desta trajetória de música engajada podem ser observados nas canções “Saga da Amazônia” e “Saga de Severinin” que narram poeticamente o conflito pela posse de terra nas regiões Norte e Nordeste.

Durante o show, Vital ainda falou de educação, cidadania, ecologia e infância e instigou a platéia atenta à reflexão sobre questões sociais históricas. A cada canção, um reencontro, um deleite e uma fala. O tempo mítico da cantoria foi instaurado na Praça Antenor Navarro naquela noite. Isto porque Vital tem muito a dizer e a cantar.

Os conflitos agrários e a violência no campo são antigos, mas persistem até hoje. Por isso a música de Vital Farias é atual. A gente canta para pedir paz e justiça no campo, para reforçar a Frente de Apoio aos Posseiros da Fazenda Quirino. E a gente canta para dizer ao Sr. José Luiz e Dona Silvinha, de Juarez Távora – PB que a sociedade paraibana acompanha o desenrolar do processo que dará, finalmente, a posse efetiva da terra àquelas famílias que lutam há mais de uma década. “Com os que suam na serra, quero o meu canto compor e dos irmãos camponeses partilhar também da dor... Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, a gente que aqui campeia, também ama e quer ficar”.

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