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Na linha do horizonte – II

portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 03/03/2010
Bastou à maré subir pra ficar provado o que sempre foi dito por aqui. A depredação das nossas praias com construções irregulares de casas e edifícios a beira mar – pois elas deveriam ficar a pelo menos 50 m da maré cheia de janeiro – só demonstram que estamos na contramão da preservação da nossa natureza e o pior, com a conivência criminosa dos poderes públicos. Pois foram eles que permitiram o atual quadro de desordem que se avolumam com o passar do tempo. Com a tendência inequívoca de que vai piorar a cada ano. Veja os casos da Baia da Traição, das praias do Cabo Banco, Penha e Manaira.

Como não temos de fato um projeto de preservação da natureza, com respeito à diversidade e ao patrimônio natural que ainda resta, vamos ter, infelizmente, que nos acostumar a ver tudo isso acontecer e ficarmos quase de mão atadas. Pois o que já foi feito não tem como consertar. Ou vamos retirar toda a primeira avenida das nossas praias urbanas? Pois toda ela está irregular na maioria dos casos. Manaira então é um absurdo. O mar lava as calçadas da avenida principal e essa semana chegou a alagar a avenida em alguns pontos. E olhe as marés altas acontecem mesmo no final de março.

Li essa semana na internet que o atual ainda prefeito vai continuar com sua sanha de depredação da Ponta do Cabo Branco. Pelo que li, é propósito da edilidade fazer ali, ‘no complexo da Estação Cabo Branco’, a sua expansão com a construção de um teatro e uma biblioteca municipal. Daqui a pouco vão quere fazer um edifício garagem alegando que falta local para estacionamento. E o danado é ver o silêncio que se faz na cidade a respeito desses ‘projetos’ que só vão agravar ainda mais o problema da Barreira do Cabo Branco. Essa sim merecendo cuidados e olhares responsáveis. A que ponto chegou o ego dessa gente?

Mas, infelizmente tem mais. Tem loteamentos sendo feitos em área de preservação ambiental (como foi feito pela Estação Cabo Branco). Essa semana fomos surpreendidos com uma coluna do combativo jornalista Rubens Nóbrega – uma espécie de ouvidor geral da imprensa paraibana – denunciando que foi ver ‘in loco’ a devastação autorizada entre o bairro do José Américo e Mangabeira, de toda uma área de preservação ambiental, autorizada pela PMJP para implantação de um condomínio, onde o loteamento simplesmente acabou com o resto da floresta que ainda sobrevivia por lá, colocando em risco eminente um rio que corta a região.

A cada dia que passa assistimos calados (isso é o que mais me dói), principalmente por parte de quem deveria cuidar para que isso não acontecesse, da diminuição de árvores em toda a cidade. Todo santo dia a PMJP corta uma dezena de árvores com o argumento de que ‘estão velhas, doentes’, etc. e tal. Imagino mesmo o que essa gente não faria se pudesse decidir o que fazer com os velhos e velhas dessa cidade. De vez de se preocuparem com a qualidade de vida da cidade, ficam destruindo a natureza e ai de quem reclamar. Ameaçam com leis e portarias que só servem pra destruir. Pois pra construir, fazer decente, não tem lei que os obrigue.

Voltaremos ao tema. Pois ele é extenso.
Ivaldo Gomes
  • Professor, com formação em Educação Física. Especialista em Educação Popular pelo PPGE-UFPB. Militante no campo da educação, meio ambiente e cultura.
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