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(Ivaldo Gomes) - 10/08/2010
É de doer à falta de interesse da
população com as eleições. Até onde
a vista alcança não vemos o engajamento do passado. Toda
movimentação gira em torno de atividades pagas. Ou paga
ou não tem atividade. A verdade é essa. Queira ou
não os candidatos. As eleições de uns tempos pra
cá se tornou um grande teatro. Onde a direção
(partido) apresenta um candidato que promete mundos e fundos. Mas na
realidade só está interessado nos nossos fundos. Explico
melhor! Nossos fundos gerados com os zilhões de impostos que nos
obrigam a pagar.
Por esses dias, aqui e em Campina Grande, ouvi, de viva voz,
diálogos do tipo: ‘esse pessoal pensa que a gente é
besta. Já não basta tudo que arrumaram?’ O outro
sem querer concordar e concordando: ‘do jeito que vai, é
melhor deixar esse pessoal que já está ai. Pelo menos a
gente não vai ter que aprender o nome desses novos
ladrões’. Eu calado ouvindo com a língua
coçando. Doido pra dizer das minhas. Dizer que falta muito para
que a gente chegue a um processo que de fato seja democrático.
Tem horas que acho que eu sou um tremendo dum burro. Pois o conceito
que aprendi de democracia não bate com esse conceito ai da
praça.
‘O senhor quer que eu pregue esse adesivo do candidato tal no seu
carro?’ Resposta: ‘diga a esse corno, que se ele pregar
essa bosta no meu carro eu dou uns tabefes nele’. E o
senhor: ‘eu nem do Papa estou aceitando mais’. Mas na
frente vi o chão cheio de adesivos retirados perambulando pelo
chão. Daqueles que pra não constranger ninguém e
sair constrangido (coisa da paciência brasileira), pára o
carro mais na frente e simplesmente arranca o adesivo com uma meia
dúzia de palavras que não vamos aqui publicá-las.
Vai que uma criança ler esse texto.
As eleições de hoje parecem mais um concurso
‘público’, onde tudo já está pensado.
Nada pode sair do ‘script’. Foi fulano que foi escolhido pra levar e
vai levar e pronto. Mesmo que o povo - esse eufemismo que a tudo
se alude - vai continuar sendo usado como massa de manobra para
interesses nem sempre são justificáveis, mas quase sempre
são contrários aos interesses da maioria da
população. Realmente - tantas lutas, tantos
esforços - para redemocratizar o país e ver emergir esse
quadro de oportunistas é dose! Mesmo assim não tenho
saudades da ditadura. A melhor democracia ainda é aquela que
conseguirmos colocar em prática. E essa que está ai
– a justificar o injustificável – não tem
nada a ver com os interesses da maioria do bondoso povo brasileiro,
paraibano e pessoense. Temos que rediscuti-la. Sempre.
Depois eu lhe explico o porquê do bondoso.