portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 23/05/2010
Conheci Marcus Aranha há uns trinta anos atrás. Foi na Clínica Femina
acompanhado por um amigo e sócio dele, o ginecologista, psicólogo e
psicanalista Everaldo Junior. Chegamos por lá no começo de noite. E me
deparei com um cara super bem humorado, brincalhão, gozador e
extremamente ocupado. Muito do trabalho de atendimento em partos nos
últimos trinta anos possui um pouco do talento e da garra desse
paraibano porreta, que dedicou a vida a ajudar outras vidas a viver.
Pela mão dele passou gerações de paraibanos.
Só vim vê-lo uns dez anos depois numa mesma trincheira. É que Marcus
Aranha não é apenas médico ginecologista como pensei. Era mais, bem mais
que isso. É um cara preocupado com o meio ambiente em que vive. Se não
fosse, como ele poderia ter montado aquele serviço na Maternidade
Cândida Vargas? Até o sabão que era utilizado na limpeza tinha que ser
biodegradável (e olhe eram eles que fabricavam o material). Com sua
presença enfrentamos interesses grandes nessa cidade. Brigamos pela
cerca na Mata do Buraquinho, pela preservação da Ponta do Cabo Branco e
da Praia do Seixas. Lá as ruas foram nominadas pelos moradores.
Estávamos na Bica – Parque Arruda Câmara – para uma reunião onde
discutiríamos o quê fazer para preservar os ainda existentes biomas
naturais na cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves, que teimam em
chamar de João Pessoa. Eu lembro que ele fazia defesas apaixonadas pela
preservação do lugar. Têm uma preocupação permanente pela preservação de
toda aquela área, que resiste às depredações da evolução natural, da
população sem muito esclarecimento da necessidade de preservar e do
poder público que deveria preservar, mas termina por agredir com essa
idéia de jerico que cimento e grife dá voto e eternidade.
Mas se você acha que tudo isso era pouco, ele danou-se a escrever. Acho
que herança de família, pois também tem Carlos Aranha - irmão dele - que
tem também essa mania. Acho que aprendeu com sua mãe Dona Antonieta, que
os filhos têm verdadeira adoração pela pessoa que ela representou na
vida deles. Mas o danado que Marcus Aranha gosta de escrever e tem a
péssima mania de dizer o que pensa. Com todas as letras. Goste quem
gostar. Não é de jeito nenhum nem deselegante, nem mal educado, mas é
direto na sua forma e no seu jeito de dizer. E por causa disso já
agüentou um monte de gente contrariado com o seu pensamento.
Principalmente na defesa das coisas verdadeiras da Paraíba.
Ai ele começou a escrever nos jornais. Começaram a implicar com ele
porque ele não era jornalista. Só isso deu uma discussão e um disse me
disse danado no Estado que até hoje rende. Quem pode escrever nos
jornais? Ele sempre defendeu e eu também, que sem talento é melhor nem
começar a redigir. Procure seu talento em outro canto. Pois tem gente
que acha que escrever é só dominar algumas regras gramaticais e cultuar
a língua. Que aprende e apreende a cada dia. O que não dá é pra rasgar o
estatuto lingüístico. Mas podemos reciclá-lo na modernidade dos dias.
Marcus Aranha faz isso como ninguém. Suas crônicas dominicais são
leitura obrigatória.
Faz uns seis ou oito domingos que não consigo ler sua crônica. Ele anda
viajando em São Paulo. Foi se tratar de uma doença que lá em São Paulo
têm melhor tratamento. Deve voltar em breve. Esperamos todos nós - seus
amigos e admiradores - por tudo de bom que ele conseguiu fazer até hoje
e esperamos possa continuar por muito, muito tempo ainda. A ausência
dele daqui é ruim para os amigos e familiares. Mas a falta de suas
crônicas é insuportável. Até porque estamos perdendo todos aqueles
assuntos que ele de vez em quando arranja. Pode ser uma simples multa de
transito. Mas ao final do texto você terá aprendido alguma coisa. Pelo
menos a concordar com ele ou ficar contra. Pois com Marcus Aranha também
tem isso. Não tem em cima muro.
Eu queria pedir, assim, com muita boa vontade, que ele se lembre dos
seus dois leitores (pois os amigos já o são) e escrevesse pelo menos uma
cartinha dizendo como anda o clima ai em São Paulo. O quê ele faz tanto
que não pode estar por aqui com a gente na batalha do dia a dia dessa
cidade que precisa ser preservada com responsabilidade? E que não
estamos gostando nem um pouco dessa história de abrir o Jornal Correio
da Paraíba no domingo e não vê lá a crônica dele. Mesmo aquelas em que
ele implicava com a APAN – na defesa da ecologia – pelo fato dela ver
tudo e se esquecer justamente do homem. Mas isso já é outra história. E
que um dia vai ser contada devidamente.
Esperamos os textos. Marcus Aranha, presente!