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Na linha do horizonte – final

portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 24/04/2010
Finalizo aqui a série de cinco textos sobre problemas do meio ambiente, que observo daqui do meu canto, com exemplos concretos de absoluta falta de planejamento por quem de direito: os governos. Queremos jogar luz e pautar essa questão tão importante dentro do Estado da Paraíba. Aqui, o meio ambiente só serve de lamentação. Depois de degradado ai ficamos a chorar o leite derramado. Citei basicamente exemplos que ocorrem na grande João Pessoa, pois vivo aqui e fico indignado com tudo isso. Mas mostraremos hoje, a guisa de conclusão, casos que existem no estado e que precisam de uma decisão governamental urgente e inadiável.

Começo pelo que restou da Mata Atlântica que ainda persiste no interior do nosso estado e que cada dia que passa fica menor. Pois o descaso com elas são patentes. Cito os casos de Areia e Mamanguape, pois as conheço de perto e sei que ainda continuam com seus problemas já denunciados por tantos que se preocupam com o destino do que sobrou da Mata Atlântica em nosso estado. Dá última vez que visitei Areia em janeiro passado, vi a condição de degradação em que se encontra a mata do Pau Ferro. Como todo mundo sabe uma floresta precisa de proteção. E a melhor proteção ainda é cercá-la para que se proíba a entrada de pessoas estranhas a sua preservação. E lá todo mundo entra pra tirar madeira, pois a mata está aberta por todos os lados. Não existe impedimento. Apenas algumas placas velhas identificando a mata e citando leis de proteção e nada mais. Até a quantidade de guardas florestais é insignificante. Soube que têm dois guardas que se revezam em horário comercial para guardar uma área imensa. Impossível.

Se voltarmos os olhos para os nossos maiores rios, como o Paraíba, Taperoá, Espinharas, Mamanguape, Piancó, Piranhas, você vai constatar que as matas ciliares praticamente são inexistentes. Além claro, da poluição por lixo e esgotos que agridem e matam lentamente os rios ano a ano. Infelizmente, o ser humano é a única espécie que faz cocô e xixi na água que bebe. Não conhecemos outras espécies que façam isso. Aliás, o homem/mulher, se acha no direito (por ignorância ou má fé) de destruir o meio ambiente como se ele fosse infinito e que nunca irá se acabar. Claro que antes dele acabamos nós. Todos esses rios ai citados sofrem o descaso e o abandono dos poderes públicos, pois tem sido muito pouco o que tem sido feito para garantir-lhes a sobrevivência e o direito de existir.

Se falarmos em nossos mananciais de água - reservatórios, represas e barragens - tão importantes para abastecer de vida a vida por aqui, descobriremos que o uso indiscriminado de agrotóxicos e o assoreamento por erosão estão a cada ano comprometendo nosso potencial hídrico. Já a qualidade da água dos nossos reservatórios são todos eles discutíveis. Acabamos de tomar conhecimento de mais uma denúncia sobre a qualidade da água do Açude de Boqueirão que abastece a cidade de Campina Grande e circunvizinhanças. Ficou provado que o aumento da contaminação daquele manancial por agrotóxico é preocupante. Imagine o que deve está acontecendo em outros reservatórios no Estado. Se o manancial de Gramame-Mamuaba em João Pessoa e o Açude de Boqueirão em Campina Grande estão contaminados, imaginem os outros que a gente não tem um controle maior?

Não poderia deixar de falar também de outro problema sério que é o avanço da desertificação. Todo ano as pesquisas do setor mostram que a desertificação no Estado da Paraíba só aumenta. Principalmente nas regiões do cariri e sertão. Mas ficamos naquela de fazermos constatações e pouca coisa muda. Até o dia em que as populações atingidas migrem para regiões mais adensadas e ai os problemas sociais se agravarão. Comprometendo ainda mais os sistemas de saúde, educação, segurança e infra-estrutura. Se hoje as mesmas já não conseguem atender a demanda atual com qualidade imagine depois disso. Resumindo: ou tomamos atitudes concretas agora ou vamos colher muitos problemas daqui pra frente.

De nossa parte está feita as ponderações possíveis. Esperamos que as tais autoridades ditas competentes, tome as devidas providências antes que seja tarde demais. ‘Quem quer fazer alguma coisa arranja um jeito e quem não quer arranja uma desculpa’, já dizia o aforismo Árabe. A população, as pessoas que têm responsabilidades com tudo isso, precisam reagir e não aceitar calado o descaso em que a área de meio ambiente e nossas riquezas naturais enfrentam na Paraíba. À hora é agora. Amanhã poderá não mais existir. E junto com eles iremos sofrer todos nós.
Ivaldo Gomes
  • Professor, com formação em Educação Física. Especialista em Educação Popular pelo PPGE-UFPB. Militante no campo da educação, meio ambiente e cultura.
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