portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 08/04/2010
Continuamos com a saga em falar de coisas que ninguém quer tratar
publicamente. Pelo menos não vejo essa discussão pautada como
prioridade.
Hoje trato de mais três exemplos de desrespeito a natureza. Falo da nova
construção do Mercado de Peixe de Tambaú, da ampliação do elefante
branco chamado de Estação Ciência (sem consciência nenhuma) e de um caso
de saúde pública que o Ministério Público precisa trazer a tona uma
solução urgente, já que o problema perdura por mais de trinta anos: os
afluentes tóxicos despejados no Rio Gramame-Mamuaba, que vive poluído
pela irresponsabilidade de empresários (sic!), que só visam seu lucro
indecente. Pois ganhar dinheiro destruindo a natureza não tem nada de
ético, é um lucro indecente, irresponsável e inconseqüente.
O antigo Mercado de Peixe de Tambaú não precisa ninguém dizer que
precisava ser refeito. Pelo menos passou quarenta anos e ninguém tinha
tomado alguma providência para resolver aquele problema. A PMJP até que
tentou e fez um ‘novo’ mercado de peixe, atravessado, modernoso, mais
totalmente ilegal do ponto de vista de ocupação urbana. E o pior, o
cheiro de peixe podre continua no ar. Por quê? Se a obra – um dos
argumentos – foi feita justamente para acabar com isso? Outro problema
pra gente contribuinte resolver; o mercado ficou próximo da preamar e
basta subir as ondas para que água chegue às paredes do mercado. Logo,
logo, teremos consertos e reformas.
Com a intervenção – sem muitas conversas como sempre – a PMJP dá mais um
passo para compor o Largo de Tambaú. Já tinha feito aquela ‘rodoviária
de interior’ onde tinha as barraquinhas de comidas típicas e bares
diversos; estendeu-se pela nova Feirinha de Tambaú (que é um bom
projeto, só que os Box são minúsculos). E agora o tal Mercado de Peixe.
Onde ainda será feito uma praça e a tentativa de resolver
definitivamente aquela área do antigo Largo da Gameleira (que não existe
mais nem as gameleiras), hoje empesteado por barracas que não têm nada a
ver com a paisagem. Aquele Bar Bahamas é uma excrescência do privado
sobre o público. Sem falar claro (e sem nenhuma providência também até
agora) das ocupações irregulares do Hotel Tambaú. Aquele estacionamento
a três reais pagos antecipadamente, precisa ser explicado ao
contribuinte e munícipe.
O ex-prefeito antes de renunciar (o prefeito na prática) assinou a
autorização para mais uma ‘obra’ junto a tal da Estação Ciência (sem
consciência nenhuma). E como não podia deixar de ser vem mais destruição
naquele meio ambiente. Agora as áreas que circunda a tal obra já são
chamadas de ‘complexo’. Complexados ficamos todos nós de tanto ver
aquela área ser agredida. Inclusive sem as licenças ambientais
definitivas. Já que a área é considerada de preservação permanente. Mas
quem sabe o pessoal militante do meio ambiente, só vá abrir os olhos
depois que perceberem que tudo aquilo - realizado dessa forma - foi um
erro. A moda na irresponsabilidade ecológica atual é indenizar em outras
áreas o mal feito nestas. Mas até chegar ai esperamos que o Ministério
Público acorde.
E seria muito bom se ele acordasse de vez para o problema de poluição
por chumbo, manganês, amônia, mercúrio e toda sorte de metais pesados
que são jogados por várias indústrias de João Pessoa no Rio Gramame
Mamuaba. Há trinta anos - quando visitei pela primeira vez a Praia de
Gramame - fui advertido por moradores para não tomar banho no rio. Pois
era poluído por indústrias que até hoje ainda poluem o rio impunemente.
Comprometendo toda uma região, inclusive o nosso maior manancial de água
potável que é o complexo Gramame-Mamuaba, de onde vem a maior parte das
águas que abastecem João Pessoa. Quer mais problema do que esse? É isso
mesmo que você leu: sua água pode estar contaminada pela
irresponsabilidade desses ‘empresários’.
A UFPB vem monitorando essa bacia hidrográfica e está provado que a
poluição é um fato. Hoje o que se discute são a extensão e o tamanho do
problema. Com indícios fortes de comprometimento do lençol freático de
toda região, com a presença comprovada de metais pesados por poluição
das vias fluviais. Ou seja, essas indústrias estão poluindo o meio
ambiente de tal maneira que o desaparecimento de peixes (vida aquática)
e a geração de doenças degenerativas em famílias de ribeirinhos e
pescadores, estão sendo analisadas por essas pesquisas acadêmicas. Sem
falar no prejuízo que a agricultura e a criação de pequenos animais têm
sofrido com tudo isso.
Mas eu lhe pergunto: e isso tem sido discutido onde? Qual são mesmo as
medidas que estão sendo adotada para coibir tudo isso? Claro que me
refiro a tudo que foi citado aqui nos últimos quatro artigos. Pois do
jeito que vai, os órgãos que nós custeamos com o nosso imposto - IBAMA,
SUDEMA e SEMAR – vão ter que dá muitas explicações - de preferência
públicas - para justificar esse quadro de desmandos existentes em
relação ao nosso meio ambiente. Competência até acredito que esses
dirigentes tenham. Mas o resultado prático dessas competências tem sido
questionável. Se você acha que não vá ver com seus próprios olhos tudo
que foi dito aqui até agora.