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João Pessoa - PB -

Na linha do horizonte – III

portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 11/03/2010
Continuo a saga de vários artigos sobre o mesmo assunto: meio ambiente hoje em João Pessoa e na Paraíba. Faço isso por julgar necessário reativar o bom debate em torno da preservação e da falta de ação de quem deveria por fé de ofício tomar conta dela. Mas se esses órgãos que deveriam fazer isso não o faz ou até ajudam a destruir, alterar esse nosso patrimônio, então o meio ambiente só conta mesmo com ação e a indignação do cidadão que quer ver tudo isso tratado de forma diferente. Estamos aqui para criticar e para apontar soluções ou mesmo exemplos de como poderia ter sido diferente.

Hoje trago três exemplos para justificar aqui essas questões.

O primeiro deles é o equívoco assumido de forma ilegal pela PMJP com a construção da tal Estação Ciência (sem consciência nenhuma) no altiplano do Cabo Branco, em área de preservação permanente e ainda com a possibilidade de ampliação desse ‘complexo’, com a construção de mais um teatro para dois mil lugares e uma biblioteca pública para tantos outros. Tudo ali, em cima de uma barreira que cede a olhos vistos. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, essas obras estarão todas comprometidas.

Imagine caro leitor, se naquela área tivesse sido feito o Projeto Paisagístico que Burle Marx doou a cidade de João Pessoa? Ou mesmo se tivéssemos enveredado por fazer ali um grande jardim representativo dos países das Américas, com jardins típicos de cada região e mantidos pelos mesmos através de suas embaixadas no Brasil? Só isso já seria o maior referencial turístico e histórico a destacar o acidente geográfico mais importante das Américas. Mas não, ao invés disso tem um elefante branco, todo em concreto, da grife de Oscar Niemayer e pronto.

O segundo ponto a destacar é o abandono em que se encontram as praias do Cabo Branco, Seixas e Penha. Todas mal cuidadas. Com a invasão de áreas de maré e colocação de aterros, gabiões e outras construções de afastamento do avanço do mar, criando toda sorte de problemas e claro, fazendo com que o mar – bem maior que tudo isso – encontre saídas nem sempre respeitando as áreas invadidas pela ação humana, com o apoio da omissão dos órgãos que deveriam coibir tal invasão de espaços de marinha e tradicionalmente das águas. A Praça de Iemanjá é um excelente exemplo de abuso em ocupação irregular. E o pior, foi feita por ‘engenheiros’.

Não sei se você já notou, mas as praias de Manaira e Cabo Branco estão totalmente diferentes em relação ao que era há uns vinte anos atrás. Depois que a PMJP resolveu colocar gabiões em vários pontos delas, as mesmas começaram a levantar a área de areia da praia e parece mais uma rampa onde o mar vai levantar a água e jogar em cima das casas. Os gabiões foram ou estão sendo totalmente aterrados e com isso a praia sobe, ficando o mar cada vez mais perigoso, podendo inclusive alagar e até condenar todas as construções da primeira avenida nessas praias. O tempo tem mostrado que a invasão é apenas uma questão de tempo.

Para a terceira questão, chamo sua atenção para a ocupação desordenada que está acontecendo ao lado direito do Hotel Tambaú.

Quando cheguei aqui na Paraíba - nos idos de 1976 - o Hotel Tambaú era apenas um hotel no meio do areal. Depois foi feita a primeira ocupação lateral com a construção dos ‘jardins’ do hotel. Que era público. Cansei de levar meus filhos pra brincar no final da tarde nos jardins do Hotel Tambaú. Depois resolveram fazer um muro. Mas continuou aberto ao acesso do público. Depois apareceu um portão, que ainda continuou aberto ao público. Depois apareceu um cadeado e ai nunca mais o público pode botar os pés naquele espaço público agora totalmente privatizado.

Acharam pouco a invasão das áreas públicas e anexaram outro terreno ao lado dos ‘jardins’, agora com a desculpa de que o hotel precisava de um estacionamento. Estacionamento feito, murado e privativo apenas aos hospedes do hotel. Agora o estacionamento é rotativo e tem alguém – não se sabe quem – que ganha dinheiro com uma área pública que virou privada. Achando pouco, apareceram algumas famílias que vivem morando ali ao lado do muro do estacionamento. A área virou uma espécie de ‘camping’ pra hippers disfarçados de artesões, alcoólatras, drogados, que vivem a cheirar mal e a empestear a área com um ‘bodum’ de chamar a vigilância sanitária à ordem. Até parece que a lei só existe pra obrigar o cidadão a votar obrigatório e a pagar mais de setenta e cinco tipos de impostos.

Mas faltava mais naquela poluição toda. Faltava o óleo no mar dos barcos que levam os turistas a picãonzinho ali ancorados. Basta você ir tomar banho na praia ao lado do Hotel Tambaú e você constatará que a água está tomada por manchas de óleo em toda a sua extensão. Basta olhar ao contra-sol da lâmina d’água e você perceberá as manchas flutuando. Tem horas que fico a pensar como um cidadão, simples professor, que não tem estudos aprofundados nessas questões pode perceber isso tudo e as entidades como o IBAMA, a SUDEMA, a SEMART, não conseguem? E olhe que por fé de ofício essas entidades deveriam estar vendo tudo isso. Omissão? Muito trabalho? Poucos funcionários? Tem que haver uma razão pra essa cegueira toda.

Concluindo, aqui apenas três exemplos patentes da incompetência e da omissão de quem de direito deveria coibir tais abusos. Mas o danado mesmo é você vê a PMJP na sua porta, com um talonário de multas na mão, com fiscais nada solícitos dando prazos de 24 horas para você colocar pra dentro de casa, uma simples carroça de areia ou mesmo um milheiro de tijolos que estejam na sua calçada. Ou então as multas caçam níqueis que a PMJP fatura milhões todo ano com pardais colocados e disfarçados por traz de postes e árvores. Como aquele que existe perto da escola, na avenida por dentro de Mangabeira.
Ivaldo Gomes
  • Professor, com formação em Educação Física. Especialista em Educação Popular pelo PPGE-UFPB. Militante no campo da educação, meio ambiente e cultura.
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