PUBLICIDADE

Fale conosco
Quem somos
Comunidade PortalBip
João Pessoa - PB -

O discurso da razão cínica

portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 19/110/2009
O poder de governar nos dá o direito de querer o poder. A questão fundamental é pra quê eu quero o poder? E esse é o grande dilema da contemporaneidade atual. No interesse dos indivíduos reside o exercício do poder. Quais são esses interesses ai é que são elas e eles. E por mais que você ache arcaico essa discussão de direita x esquerda, pensamento abrangente x pensamento restrito, idéia de comum a todos x meu pirão primeiro, o que importa mesmo é a intenção do poder. Claro que a intenção se materializa nele. Faço todo esse discurso para deixar claro de como enxergamos o facto poder. Esse que as pessoas, os grupos, as sociedades organizadas matam e morrem por ele.

Enquanto o jogo do poder ficar restrito as disputas ideológicas tudo passa a ter sentido, direção. Mas quando isso degringola para a patifaria, onde a regra é GANHAR, cu$te o que cu$tar, ai não é mais jogo democrático de poder, é roleta viciada que só dá o resultado que o banqueiro quer. E ai também termina o compromisso com o que seja chamado de ético ou democrático. Pois essas coisas não são apenas cartas de intenção penduradas na parede das nossas consciências. Elas precisam se configurar em atos plenos de liberdade e garantia de direitos sociais inalienáveis aos seres humanos e demais seres. E ai voltamos pro começo da conversa: e quais são as nossas intenções hoje? Estamos a serviço de quê? O quê de fato estamos construindo enquanto sociedade? Basta abrir a janela de casa (da consciência) e observar a paisagem. Sentir o cheiro do dia, pra perceber no ar que tem alguma coisa que não está dando certo. O clima não é saudável.

Reconheço que existem muitos que tentam salvar sua biografia ajustando-se ao sistema atual de valore$. A idade tem obrigado muita gente boa a rever sua trajetória. Antes de esquerda, hoje em alguma academia. Antes no meio da rua, hoje por trás de vidros refrigerados. Antes coadjuvante da história, hoje mero reprodutor de chavões. Antes discursos ideológicos, hoje o elogio fácil do sucesso relâmpago. Realmente o neoliberalismo imperou de vez. Pois os discursos estão cada vez mais cínicos. Veja esse, por exemplo: chame o povo para uma conversa pública, discutamos com ele um percentual mínimo (de 4% a 6%) do orçamento que eles pagam e vamos dar a eles a ilusão de que quem manda são eles. Pois vamos continuar dizendo como vai ser (os outros 96%). E vamos mostrar pra eles, que eles precisam nos deixar no exercício do poder, porque somos bons e eles não têm outra opção. Ou nós ou o inferno...

No meio de todos os discursos você não encontra uma carta de intenção que seja realmente cumprida. Pois quando se senta na cadeira poderosa de algum cargo eletivo ou dependente dele ai a partitura só recomeça e vamos ver tudo de novo. As mesmas propagandas enganosas - feitas com melhor qualidade hoje - mas mentirosas. Os mesmos planos faraônicos que nunca são feitos ou quando são feitos não dão os resultados que diziam que iriam dar. E vem sempre a desculpa de que os ‘recursos’ nunca são suficientes. Também pudera, para alimentar a máquina de vaidade e distribuição de benesses para quem se diz do governo é uma coisa interminável. Que o diga (ele diz isso?) o Tribunal de Contas. Pois se ele resolvesse publicar as mordomias que são pagas com o dinheiro público talvez os governos mudassem mais depressa.

Mas aqui chegamos e aqui estamos. Educação que não educa, deseduca. Saúde que não cuida, mata inclusive. Segurança só de espírito, pois pública é ilusão. Empregos só com ‘quem indica’, mesmo com concursos públicos. Pois a nomeação depende. Salário é mais sal que pele e osso. Economia vale quem tem. Comunicação a serviço de alguns e liberdade aos macacos de auditório. Eleições a qualquer cargo, uma via crucis de compra de votos e interesses. Com a contrapartida quase sempre do erário, aquele que deveria ser público. Pois público mesmo é a contribuição obrigatória. Como se paga imposto nesse país que não funciona! Mas se paga. Daí o discurso da razão cínica que toma conta de todos os setores da sociedade tentando justificar a normose. Pois se tenta justificar esse faz-de-conta de ‘funcionamento’ onde o cinismo é a tônica. E olhe, não é a água tônica pode ter certeza. Pois de fato as mudanças são só nos discursos. Discursos... Discursos... Discursos... E segue o palanque. Quer dizer, a humanidade.

Até quando?
Ivaldo Gomes
  • Professor, com formação em Educação Física. Especialista em Educação Popular pelo PPGE-UFPB. Militante no campo da educação, meio ambiente e cultura.
  • Fale com o colunista
  •  
Colunas Anteriores

Primeira Página | Índice de Notícias | Fale Conosco | Quem Somos | Comunidade Portalbip

Copyright © portalbip.com - 2004 - Todos os direitos reservados  - Fone da Redação (83) 8868-1617 - Design Pedro Andrade