A Paraíba vive um momento de muita discussão em torno das
questões culturais. O Governo Estadual insiste em manter a estrutura
ultrapassada de dependência na Secretaria de Educação e Cultura, abrigando
tudo que for de interesse do mundo cultural numa Subsecretaria de Cultura,
sem orçamento e sem perspectivas. Por mais que o atual Subsecretário –
recém nomeado – queira fazer de fato alguma coisa vai ficar sempre na
dependência e na subserviência dos interesses do Secretário de Educação. O
Governo Federal já deixou claro que ou Governo do Estado cria uma
secretaria específica para o setor cultural ou vai ficar de fora do novo
Sistema Nacional de Cultura. E pelo jeito o Governo Estadual continuará a
olhar a cultura – logo ela – como uma coisa menor. Ou seja, é a azeitona
na empada da educação.
Com essa atitude ficamos como dantes no Castelo de Abrantes. Vamos
continuar a mendigar recursos de boa vontade da governança estadual e no
máximo serão concedidas algumas migalhas para ajudar a mover o setor
cultural paraibano, com demandas crônicas congeladas no tempo e no espaço.
Ou seja, ou o Governo Estadual assume de uma vez por todas que precisa
abrir definitivamente um diálogo com o mundo cultural – seus setores mais
organizados – ou vamos ficar para trás. Este é hoje um setor que não pode
mais esperar pelas improvisações e pela falta de uma política clara,
taxativa em seu favor. Precisamos estabelecer percentuais de investimentos
definidos no Orçamento Estadual. Eu defendo 2% do Orçamento global do
Estado, no mínimo. Como defendo 3% para o Orçamento Municipal e 1% do
Governo Federal. É inadmissível que o que identifica a razão de ser de um
povo - sua produção cultural, sua identidade, sua cultura - fique a mercê
da incompreensão governamental. Chega! Não dá mais pra esperar.
Por outro lado, o município de João Pessoa, divulga com estardalhaço na
mídia a aplicação de um milhão de reais no Fundo de Cultura Municipal para
2009. Como eles tomam como base os orçamentos anteriores, logo a
perspectiva é nivelada por baixo. Veja você que uma cidade infinitamente
menor que João Pessoa, como Olinda em Pernambuco, aplica infinitamente
mais que a PMJP. Informações que disponho do ano de 2003, do Orçamento de
Olinda demonstra que já naquele ano a Prefeitura de Olinda aplicava mais
de quatro vezes que a cidade de João Pessoa em cultura. Pra que vocês
tenham noção do percentual ridículo que a PMJP colocou a disposição do
setor cultural em setembro de 2009, Olinda que não conta com o parque
industrial e nem tão pouco com o volume de IPTU como João Pessoa possui,
conseguiu investir mais de seis milhões em Patrimônio, Ciência e Cultura
em 2003.
Veja abaixo os dados citados:
2.3.9 – A Secretaria do Patrimônio, Ciência e Cultura.
A cidade patrimônio cultural da humanidade dispõe de uma secretaria que se
responsabiliza pelas medidas administrativas decorrentes desta
característica de Olinda reconhecida no mundo inteiro, além daqueles
relacionados ao desenvolvimento científico.
O quadro de número 12 a seguir apresenta a estimativa de recursos para os
cuidados com o patrimônio, a cultura e a ciência no ano de 2003.
QUADRO Nº 12
| |
Recursos de Todas as
Fontes (R$ 1,00) |
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Especificação |
Tesouro |
Outras |
Total |
| |
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| SEC. DO PATRIMÔNIO. CIÊNCIA E
CULTURA |
6.402.835 |
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6.402.835 |
| Preservação do patrimônio
histórico |
2.362.000 |
|
2.362.000 |
| Olinda cultural |
1.856.500 |
|
1.856.500 |
| Olinda é ciência |
60.000 |
|
60.000 |
| Apoio administrativo |
2.098.435 |
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2.098.435 |
| Arquivo público |
25.900 |
|
25.900 |
Fonte:
http://portalolinda.interjornal.com.br/orcamento_participativo.shtm
Já do Governo Federal não dá pra falar muita coisa. Como o sistema de
captação de recursos segue os preceitos da Lei Rouanet ou dos tais
convênios casados (onde o governo federal coloca um real e o estado ou
município coloca cinqüenta centavos como contra partida para cada real) e
como a capacidade de investimento do governo estadual é sempre subestimada
enquanto prioridade para o setor cultural e como também a disponibilidade
das empresas em operacionalizar as deduções do seu imposto de renda são
insignificantes (haja vista a isenção fiscal da maioria das empresas aqui
instaladas), os recursos oriundos do Governo Federal terminam sendo
mínimos. Ou seja, se o Governo do Estado não prover de fato os recursos
para desenvolver o setor cultural (turístico, esportivo e de lazer), a
Paraíba não sai do canto. E este tem sido o resultado de políticas
tímidas, quase inexistentes nos últimos anos por aqui. E olhe, foi nos
últimos seis anos que a Paraíba teve o melhor ‘resultado’ dos seus últimos
vinte anos. Imagine se não tivesse tido.
Portanto e por tudo isso, se faz necessário que se abra um diálogo
permanente com os setores culturais organizados para que possamos enfim
resolver todas essas questões pendentes e que não podem mais ser adiadas.
Faz-se necessário criarmos urgentemente a Secretaria de Cultura do Governo
Estadual, com a inadiável reformulação do Conselho Estadual de Cultura
(hoje um feudo dos amigos e correligionários do Governador) e a definição
de um percentual anual a ser aplicado na Secretaria de Cultura e no Fundo
de Cultura Estadual. Sem essas definições não vamos a lugar nenhum. E
tendemos a ficar na política do pires na mão, tão antiga quanto às
capitanias hereditárias.