Participei ativamente do Seminário Nacional de Cultura
realizado no Espaço Cultural nesses dias de 20 e 21 do corrente mês. Foi
um seminário corrido mais estimulante em termos dos temas tratados. Gosto
de ver uma discussão tomando forma, mesmo depois de uns vinte anos de
discussão, mas sendo explicitada e pautada pela discussão, acúmulo de
conhecimento e por um consenso de interesses convergentes. Agora - de fato
- temos um plano. Um roteiro para o equacionamento dos problemas e das
soluções para a cultura no Brasil. Claro, isso sendo colocado como questão
de planejamento, de estratégia. Pois a cultura brasileira será sempre sem
eira e nem beira, sem cabresto e sem cercados. Apesar dos feudos, o
exercício libertário da cultura não tem limites. O limite é a criação.
Está de parabéns o Ministério da Cultura por tamanha envergadura de
trabalho, com uma equipe tão reduzida e ainda mal paga. Mas o mundo vai
mudar. Acredite.
Quanto a Paraíba, lamentamos informar que estamos entrando no Sistema
Nacional de Cultura, por livre e espontânea pressão dos acontecimentos.
Pois a Paraíba resiste às mudanças no trato cultural. Por mais que se
explicite – e já se vão bons vinte anos – a Paraíba vai fazer sua
‘reforma’ cultural na base da pressão das evidências e das mudanças no
trato do entendimento da gestão pública cultural. Ou o Estado da Paraíba e
sua governança criam a Secretaria Estadual da Cultura; Reformula o
Conselho Estadual da Cultura; Define recursos no orçamento para o Fundo da
Cultura; além da realização da sua Conferência Estadual da Cultura ou
ficará de fora do Sistema Nacional de Cultura. É uma questão de opção. Mas
é bom lembrar que o Governo da Paraíba - nesses últimos dez anos - já
poderia ter feito isso de forma mais conseqüente e não o fez. Agora terá
que fazê-lo sob pena de ficar de fora da discussão e da organização que o
Sistema Nacional de Cultura criou.
Resta-nos não procurar culpados, mas propostas para melhoria do setor
cultural da Paraíba. Uma Paraíba que precisa, inclusive, ser reconhecida
por si mesma. A cultura produzida pelos paraibanos deve ser circulada na
Paraíba. E isso é uma tarefa de ontem. Pois nesse setor cultural estamos
atrasados em relação aos nossos estados vizinhos, por exemplo. No carnaval
de Olinda e Recife foram gastos esse ano algo em torno de cem milhões de
reais das Prefeituras de Olinda, Recife e Governo Estadual. Aqui em João
Pessoa o nosso Folia de Rua não deve ter arrecadado quinhentos mil reais
esse ano. Nos últimos dez anos talvez chegue a dez milhões de reais os
investimentos que o Estado da Paraíba fez efetivamente em cultura. E isso
praticamente nós últimos cinco anos. Portanto, o tempo ruge. Pois estamos
atrasados em nossa tarefa de casa.
Não poderíamos sair de um seminário como esse sem um norte, uma direção. E
fizemos de publico uma proposta para que o Governo do Estado, com a
participação efetiva do MINC e das prefeituras, promovam antes da
Conferência Estadual um Fórum para discutir uma pauta de quatro pontos:
a)
Que modelo de Secretaria da Cultura queremos e com quais condições;
b)
Reformulação do Conselho Estadual da Cultura com a participação paritária
da sociedade;
c) Definição de um percentual do orçamento estadual para ser aplicado
no Fundo de Cultura e
d) preparação da Conferência Estadual da Cultura que deve acontecer
antes do dia 15 de dezembro de 2009 para todo o Brasil.
Sugiro que o Fórum de discussão dessas questões aconteça nos dias
23 e 24 de outubro vindouro no Espaço Cultural. E me ofereço pra ajudar no
que for possível.