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Boas notícias

portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 24/05/2009

Li essa semana, uma quase crônica do jornalista Rubens Nóbrega, onde ele faz um apelo para que todos que escrevem na comunicação estadual, de qualquer meio, fizesse um esforço para procurar notícias boas. Para tirar quem sabe, a notícia ruim como pauta diária de todos os escreventes na Paraíba e quiçá no Brasil. Um pedido sincero e urgente. Do qual faço coro e peço vênia.

Não tem sido fácil escolher temas hoje em dia. Existe quase um consenso de que a Terra está com os dias contados. As catástrofes são anunciadas em breve tempo. A última diz que ‘a Terra vai acabar em 2012’ (veja esse endereço abaixo, mas tem pelo menos alguns milhares a mais anunciando o fato - http://volperine.multiply.com/journal/item/183). Um alinhamento de planetas, previsto no calendário Maia e confirmado pelo calendário egípcio, que acontece a cada 26 mil anos, vai acontecer e gerar cataclismas alucinantes. De maremotos, a erupções vulcânicas, derretimento da calota polar e inundações que a Arca de Noé vai parecer barquinho de papel.

Por outro lado, os cientistas afirmam que esse ‘fenômeno’ natural já aconteceu pelo menos umas 43 mil vezes, desde que a Terra com seus mais de sete bilhões de anos de existência. O que no linguajar dos cientistas é um acontecimento trivial. Porem inusitado para essa geração de habitantes de hoje. Nada mais do que isso. Mas tem gente se preparando para o pior, estocando comida, elaborando um plano de sobrevivência.

Eu daqui do meu canto, procuro no horizonte da minha janela e olho o tempo como quem colhe uma paisagem. Tem dias claros e horizontes visíveis. Outros escuros, sombrios, com chuva e até trovoadas. Penso no Yin e no Yang da filosofia Taoista e me conformo com as coisas daquele dia. Mas ao amanhecer lá vem os jornais, as informações, os papos, o trabalho do cotidiano, a rua e suas vozes. E as notícias ainda assim teimam em ser ruins.

Nunca entendo essa técnica que diz que audiência rima com desgraça. E que a notícia ruim é que vende jornal. Tem também aquela técnica irresponsável de juntar desgraça, mulher pelada e diversão esportiva. Como uma fórmula de perpetuar a mediocridade escrita em páginas de jornal, mesmo em formato tablóide. E se explode o mercantilismo e as notícias boas ficam mais uma vez adiadas.

A gente se esforça pra ver a luz no final do túnel, mas é que a realidade dos dias de hoje nos mostra que esse túnel, pelo jeito não tem fim e a luz não aparece nunca. Fica a promessa de que ela existe. Mas sem sair do túnel ou da caverna como propunha Platão, as sombras agourantes dos atestados diários de falcatruas, roubos, corrupção e violência, domina o noticiário de algum jeito. Mesmo que o jeito não seja dar-lhe tanto destaque assim.

Mas deve haver notícias boas. Notícias como essa que gostaria de ler abaixo:

- Na Paraíba, comemoram-se hoje o recorde histórico de se ter dez flores por habitante. Já éramos a liderança no Nordeste em árvores por habitante, agora mais esse título significativo;

- O Conselho Estadual de Saúde Pública, desativa mais um manicômio no Estado. Os centros de ressocialização das pessoas portadoras de distúrbios nervosos atende 100% das necessidades estaduais e muitos dos pacientes vêm obtendo alta, pela excelência do tratamento realizado;

- As universidades e as escolas da Paraíba, disputam palmo a palmo os primeiros lugares de índices de desenvolvimento educacional com os outros estados brasileiros mais desenvolvidos. Fomos o primeiro Estado no Brasil a vencer o analfabetismo de verdade e TODAS as pessoas em condição escolar, e que queiram estudar, ou estão já na escola formal ou estão em projetos especiais que atendem suas necessidades de aprendizagem;

- Os nossos políticos - depois da reforma política aprovada em praça pública - voltam-se simplesmente para cumprir o interesse coletivo, fazendo um trabalho voluntário, onde apenas os ônus das condições para a realização do trabalho parlamentar, são custeados pelo erário público. As sessões de discussão acontecem à noite. Deixando livres os nossos representantes populares para ganhar a vida como qualquer outro trabalhador durante o dia;

- Foi surpreendente a safra agrícola atingida essa ano. A agricultura orgânica através da irrigação por gotejamento, da transposição de rios, construção de represas, médios e pequenos açudes, cisternas de placas, construídas para represar a água abundante das chuvas, fez crescer em mais de 500% as áreas plantadas e produtivas em todo o Estado, os índices de desnutrição da nossa população beiram a quase zero%;

- Do ponto de vista cultural, a Semana de Arte e Cultura da Paraíba, apresenta o maior mosaico cultural do Estado. Apresentando trabalhos de vários artistas e grupos em todas as áreas da expressão artística. Com o aprofundamento esse ano do aumento e da presença significativa de artistas convidados nos cinco continentes do planeta. A Semana de Arte e Cultura da Paraíba - de forma itinerante - acontecem durante uma semana inteira de cada mês, nas doze regiões do Estado;

- É retumbante a diminuição da violência no Estado. Por todo o ano que passou aconteceram míseros três assassinatos (por desavença familiar) e dez agressões (por bebedeira e irresponsabilidade) em todo o Estado. A nova política de reintegração penal, abolindo quase por completo os velhos presídios – hoje casas de cultura, centros comerciais e mercados de artesanato – onde se troca às penas em regime fechado, por trabalho integrado na sociedade, onde o preso se responsabiliza pela sua manutenção, ajudando a resolver os problemas da sociedade com seu trabalho. Daí a importância das frentes de trabalho penal na agricultura, saneamento básico, açudagem, construção de estradas, reflorestamento, casas, praças e parques de diversão;

- É impressionante - atestam as instituições internacionais – o grau de participação política do povo paraibano nos seus problemas. Foram feitas listas de problemas através de plebiscitos eletrônicos e priorizadas suas soluções. O que se viu com esse método simples – de ouvir o povo e fazer o que é da obrigação do governo – tem hoje um Estado desenvolvido, com uma infraestrutura de causar inveja, no bom sentido, a outros Estados da federação. Aqui não se bota um prego numa barra de sabão, sem saber antes se isso é prioridade;

- Quase não se tem notícias de desvio de conduta ou má versação do dinheiro público. Os controles de acompanhamento da aplicação dos recursos oriundos do imposto único que todos nós pagamos, finalmente garantem que não haja desvios de função e nem apropriação indébita. Sendo assim, foi possível aumentar as cotas constitucionais da saúde, educação, segurança, geração de empregos e infraestrutura básica para o desenvolvimento;

Mas a surpresa eu guardei por penúltimo.

- A Paraíba além de alcançar quase 100% de emprego da sua mão de obra qualificada, distribui bônus mensais sobre a produção e a lucratividade das empresas públicas e privadas. Nos últimos anos, os trabalhadores na Paraíba – tanto os privados quanto os públicos – tiveram ganhos anuais que equivalem a quase o dobro de salários anuais. Tivemos esse ano o marco histórico de quase 24° salário. E olhe salários discutidos e aprovados em assembléia pública, coordenada pelo Ministério do Trabalho e representações dos empregados e empregadores. Este ano o salário mínimo, decidido pelos estudos do Diesse, de comum acordo com MT e as entidades patronais, garantem de verdade o exercício pleno da cidadania de cada trabalhador;

E por última:

- O desemprego foi praticamente reduzido à zero. Ficando apenas aqueles desocupados, como eu, que teimam em querer consertar o mundo com um teclado de computador.

Ivaldo Gomes
  • Professor, com formação em Educação Física. Especialista em Educação Popular pelo PPGE-UFPB. Militante no campo da educação, meio ambiente e cultura.
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