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Educação Política - o mau exemplo da direção do SINTEM

portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 08/05/2009

Como pai de filhos na escola municipal de João Pessoa, tenho me solidarizado com os professores e participado ativamente das Assembléias Gerais que têm acontecido. Fui a anterior e a que ocorreu hoje (07/05/09), que por manobra da diretoria do sindicato, praticamente decidiu pela categoria. O mau exemplo dado hoje à tarde terá que ser refletido pela categoria para perceber que o sindicato não é da diretoria e sim da categoria profissional. É preciso historiar tudo para que os possíveis leitores possam perceber como a manipulação pode desmoralizar toda uma luta e um esforço coletivo de professores desrespeitados em seus direitos e aspirações.

O SINTEM – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Município de João Pessoa é dominado pelo Partido dos Trabalhadores. O qual apóia de forma burra e adesista o atual prefeito de João Pessoa. A maior ‘liderança’ da categoria tem sido o vereador Benilton Lucena. Reeleito para um segundo mandato, sob a acusação de receber da PMJP milhares de contratos de prestadores de serviço para colocar nas escolas do município, garantindo-lhe assim, a última eleição. Afora a postura de ser considerado um dos ‘homens’ de confiança do prefeito. Pois bem, ele se juntou com a atual diretoria do Sintem, que o substituiu na atual direção - pois ele foi o seu presidente anterior até se eleger vereador pelo PT - no seu lugar deixou também um homem de sua total confiança chamado: Daniel de Assis. .

A Greve dos Professores se arrastava há mais de dez dias. Com a diretoria sempre apresentando posturas de conciliação com a PMJP. Mas a categoria resistiu e fez a greve acontecer, mesmo com um sindicato se escorando e querendo o tempo todo evitar o confronto com a PMJP. Nas duas últimas assembléias a postura da diretoria foi sempre de tentar convencer a categoria de suspender a greve, com o argumento de que ‘o prefeito assim exigiu para tivesse alguma negociação’. Mas na assembléia de hoje o presidente do sindicato e vários diretores se superaram na cara de pau de acabar o movimento, mesmo sem o apoio da categoria. Pra isso preparam um golpe que surtiu o efeito desejado.

Pela manhã, sem o conhecimento da categoria, o presidente e alguns diretores conversaram com agentes da prefeitura e fecharam um acordo para por fim a greve, apesar da categoria. Hoje à tarde a diretoria do sindicato acabou com a greve – que estava causando estragos consideráveis à imagem ‘socialista’ do prefeito – e ai sim, o prefeito, num reentré, posará agora de bom moço e responsável, e dará algumas migalhas há mais do que já havia sido anunciado. Mas para isso precisa parar a greve. Desmoralizar os professores com sua petulância de fazer greve no seu governo. O presidente não se fez de rogado e levou para a assembléia uma ‘proposta’ já discutida com o prefeito, com a pré-condição de que a greve acabasse. Claro, o prefeito antes, listou o que poderia ser discutido. Ou seja, quem manda é o prefeito e a categoria aceita calada, com a ajuda sacanamente luxuosa do Sintem.

O presidente inicia a assembléia, apresentando a ‘proposta’ do prefeito. Achando pouca uma primeira leitura fez uma segunda, mostrando ‘as vantagens’ em se parar a greve e conversar com o prefeito. Manipulou a mesa de inscrição e colocou umas dez inscrições iniciais – TODAS – a favor da proposta de suspensão da greve para negociar, como queria e impôs o prefeito. A cada fala na assembléia um grupo de professores, estrategicamente espalhados no meio da multidão, puxava o coro de ‘vamos parar com a greve’ e tome aplausos. Quando os professores perceberam que os discursos de carta marcada, só falava numa nota só – tudo combinado nos bastidores – começou a reação dos presentes a Assembléia. Mas ai já era tarde, o golpe já tinha se iniciado. A reação veio com vaias e com inscrições de professores que não concordavam com a suspensão da greve. Esses professores argumentavam que não tinham nenhuma garantia concreta de nada e que nada tinha sido de fato conquistado até agora. Apenas a ameaça do prefeito para parar a greve e depois, e só depois, sentar pra conversar. Quando começam a falar os professores contra a proposta da diretoria do sindicato e a favor da continuidade da greve, o presidente de forma autoritária tomou a palavra e perguntou de forma desrespeitosa aos inscritos se eles ainda queriam manter as inscrições.

Todos foram unânimes em dizer aos gritos que queriam falar; que se respeitasse à democracia e fosse dado o direito a fala de quem já estava inscrito. Foi ai que o presidente, mais uma vez de forma autoritária provocou a platéia para que ela decidisse se queria ou não ouvir ainda os inscritos, com o argumento fajuta de que ‘tudo já estava mais do que esclarecido’. Dado o golpe de misericórdia, colocou em votação sua proposta sem debate algum. Claro, como a assembléia já tinha sido preparada, manipulada, enrolada pela diretoria do sindicato, votou pelo cancelamento das inscrições, legitimamente feitas em momento oportuno para isso. Terminada a votação extemporânea, o presidente se viu cercado por dezenas de professores aos gritos de ditador, pelego, golpista. Foi preciso a turma do deixa disso, retirar o presidente do Ginásio de Esportes do Liceu paraibano para que o mesmo não fosse agredido, tamanha a raiva de alguns professores.

Ficou a lição.

Aos professores da rede municipal de ensino de João Pessoa, ficou mais do que claro que não basta ter um sindicato. É preciso que a diretoria esteja em sua defesa. É o que não acontece com a atual diretoria do sindicato. Corre a boca miúda, que a maioria dos diretores possui gratificações dadas pela atual gestão da PMJP. O que torna, na prática, esses diretores chapa branca da atual gestão municipal. É preciso que a categoria retome o controle do seu sindicato e, por conseguinte a direção de suas reivindicações e a garantia de que o sindicato realmente o representa em seus interesses. Os professores tentaram ainda pressionar o presidente e a diretoria para que fosse garantida a presença dos professores na reunião que acontecerá na próxima segunda feira com o prefeito. Como não se teve tempo - pelo tumulto causado - os professores ficaram a ver navios. Nem a proposta de ir à prefeitura e ficar do lado de fora em concentração, para pressionar o prefeito, teve condição de ser votada.

Na próxima quinta feira, teremos outra assembléia. E esperamos que a categoria retome sua autonomia e analise inclusive, a postura dos seus dirigentes e as reais propostas que serão discutidas com o prefeito. Esperamos, torcemos, para que tudo termine bem. Mas ficou mais do que claro que a categoria vai ter que mudar a atual direção e trazer o sindicato para uma condição de mais confiança e respeito aos anseios justos da categoria. Destaco aqui a postura silenciosa, quase despercebida, da presença do vereador Benilton Lucena - PT, que não fez uso da palavra nenhuma vez para analisar com os professores as questões que os mesmos enfrentam na atualidade. Parecia que o vereador não queria falar pra não ficar mal na fita com o prefeito. Mas as máscaras já estão postas e com o andar da carruagem ficará cada vez mais claro quem realmente apóia os professores e quem de fato merece representá-los. É só um questão de tempo.

Finalmente, os professores estão passando por uma capacitação política, de forma intensa e acelerada. Estão tendo que descobrir que o prefeito não era quem dizia que era e que a diretoria do seu sindicato está mais do lado do prefeito do que da categoria. Resta saber até quando isso continuará assim e o quê os professores vão fazer, depois que descobriram que na prática, a teoria socialista da PMJP e da diretoria do sindicato são outras. O processo deverá se aprofundar nos próximos dias e a sociedade pessoense – principalmente os pais e os alunos da escola publica municipal – terão que continuar aprofundando sua solidariedade com seus professores e ajudando os mesmos a desmascarar quem diz uma coisa e faz outra completamente diferente.

Quem viver verá!

Ivaldo Gomes
  • Professor, com formação em Educação Física. Especialista em Educação Popular pelo PPGE-UFPB. Militante no campo da educação, meio ambiente e cultura.
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