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Travestidos de injustiças

portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 22/03/2009

Estamos cercados por todos os lados de violência. As simbólicas, as políticas, as de saúde, de educação, de insegurança pública então nem se fala. Violência que se espalha pela sociedade e se reproduz nos mais variados cantos. Mas existe canto que o índice (como se isso importasse) de violência extrapola os ‘níveis’ do aceitável (como também fosse possível aceitar). Todo santo dia - por essa hora - acontece homicídios e roubos no nosso Estado. Todo santo dia são recolhidos dezenas de cadáveres pelo Estado inteiro. Uma cena macabra, que se alguém resolvesse filmar as desgraças cotidianas da Paraíba e passasse de uma única vez, ficaríamos assombrados com tantos casos. E o pior: a crítica que se faz disso tudo é sempre a crítica de que alguém (de preferência o Estado) faça, resolva o problema que é de todos. Todos nós temos responsabilidades com isso que acontece no Estado em que moramos. É bom que fique bem claro isso.

Sou um leitor assíduo de jornais e sítios de internet. Acompanho essa escalada de violência no Estado há pelo menos uns vinte anos. Sempre chamou a atenção o tratamento dado. É sempre referenciado como uma notícia comum. Um fato que precisa apenas ser registrado. É tão banal hoje em dia você acordar de manhã e ter um corpo crivado de balas na calçada da sua vizinhança (sic!). Aqui nos Bancários - onde moro - isso é corriqueiro. Toda semana tem alguém morto por aqui. E o pior é que fica quase sempre por isso mesmo. Acham pouco e ainda rotulam o cadáver de: envolvido com drogas. Ou pode ser: homossexual. Ou ainda quem sabe: um ex-presidiário. Parece que essa classificação justifica o caso.

A OAB deveria se afligir mais. A API também. O Ministério Público deveria ser mais incisivo. Pois tem deputado que afirma a existência de grupos de extermínio; Secretário de Segurança que afirma que tem; Mas infelizmente é o Bispo quem pune o padre por denunciar o crime organizado e recomendar o uso da camisinha. Realmente continuamos em 1930. Essa é sensação que temos frente à falta de políticas públicas para combater de forma eficaz a insegurança gerada pelo aumento da violência em todos os sentidos. E como temos sentido tudo isso? Basta ler diariamente os jornais da cidade para ficar apreensivo com o futuro de todos nós.

Semana passada dois jovens de opção sexual divergente do estabelecido, foram assassinados no Altiplano do Cabo Branco. A imprensa se mobilizou em desvendar o ‘achado’ pela manhã. Identificaram os rapazes e descobriram que eles tinham sido assassinados com armas de grosso calibre. TODOS os portais e mídias impressas do Estado noticiaram o fato. Mas hoje nem se toca mais no assunto. Esse caso é apenas mais um cometido e colecionado por entidades de direitos humanos. Pois - só para lembrar ainda - elas existem. E por mais que a violência seja ‘tolerada e até de certa maneira acobertada por aqui, os direitos humanos continuarão a prevalecer. Mesmo quando ele é vilipendiado de várias formas e jeitos.

Todo esse quadro existente atribuo à irresponsabilidade de variados governos, que ao longo desses últimos trinta anos deixaram de fazer o que tinha por obrigação. Está ai a educação, a saúde e a própria segurança como prova cabal do que afirmamos aqui. A insegurança passou a ser o cotidiano das nossas relações sociais. Aqui quem tem manda e quem não tem obedece. Essa é a regra em vigor. Mas as regras injustas devem ser questionadas. ‘Pois quem cala consente os gritos do capitão’ já dizia o adágio popular. O que percebemos como cidadão e responsável também por tudo isso, é que as coisas precisam tomar outro rumo. Pois esse que estamos trilhando não vai nos levar muito longe. A não ser que minha arma seja melhor e mais letal que a sua. A sociedade paraibana (nordestina, brasileira) precisa repactuar algumas coisas urgentemente. E essa questão de segurança e violência é uma prioridade zero.

Ivaldo Gomes
  • Professor, com formação em Educação Física. Especialista em Educação Popular pelo PPGE-UFPB. Militante no campo da educação, meio ambiente e cultura.
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