Estamos cercados por todos os lados de violência. As
simbólicas, as políticas, as de saúde, de educação, de insegurança pública
então nem se fala. Violência que se espalha pela sociedade e se reproduz
nos mais variados cantos. Mas existe canto que o índice (como se isso
importasse) de violência extrapola os ‘níveis’ do aceitável (como também
fosse possível aceitar). Todo santo dia - por essa hora - acontece
homicídios e roubos no nosso Estado. Todo santo dia são recolhidos dezenas
de cadáveres pelo Estado inteiro. Uma cena macabra, que se alguém
resolvesse filmar as desgraças cotidianas da Paraíba e passasse de uma
única vez, ficaríamos assombrados com tantos casos. E o pior: a crítica
que se faz disso tudo é sempre a crítica de que alguém (de preferência o
Estado) faça, resolva o problema que é de todos. Todos nós temos
responsabilidades com isso que acontece no Estado em que moramos. É bom
que fique bem claro isso.
Sou um leitor assíduo de jornais e sítios de internet. Acompanho essa
escalada de violência no Estado há pelo menos uns vinte anos. Sempre
chamou a atenção o tratamento dado. É sempre referenciado como uma notícia
comum. Um fato que precisa apenas ser registrado. É tão banal hoje em dia
você acordar de manhã e ter um corpo crivado de balas na calçada da sua
vizinhança (sic!). Aqui nos Bancários - onde moro - isso é corriqueiro.
Toda semana tem alguém morto por aqui. E o pior é que fica quase sempre
por isso mesmo. Acham pouco e ainda rotulam o cadáver de: envolvido com
drogas. Ou pode ser: homossexual. Ou ainda quem sabe: um
ex-presidiário. Parece que essa classificação justifica o caso.
A OAB deveria se afligir mais. A API também. O Ministério
Público deveria ser mais incisivo. Pois tem deputado que afirma a
existência de grupos de extermínio; Secretário de Segurança que afirma que
tem; Mas infelizmente é o Bispo quem pune o padre por denunciar o crime
organizado e recomendar o uso da camisinha. Realmente continuamos em 1930.
Essa é sensação que temos frente à falta de políticas públicas para
combater de forma eficaz a insegurança gerada pelo aumento da violência em
todos os sentidos. E como temos sentido tudo isso? Basta ler diariamente
os jornais da cidade para ficar apreensivo com o futuro de todos nós.
Semana passada dois jovens de opção sexual divergente do estabelecido,
foram assassinados no Altiplano do Cabo Branco. A imprensa se mobilizou em
desvendar o ‘achado’ pela manhã. Identificaram os rapazes e descobriram
que eles tinham sido assassinados com armas de grosso calibre. TODOS os
portais e mídias impressas do Estado noticiaram o fato. Mas hoje nem se
toca mais no assunto. Esse caso é apenas mais um cometido e colecionado
por entidades de direitos humanos. Pois - só para lembrar ainda - elas
existem. E por mais que a violência seja ‘tolerada e até de certa maneira
acobertada por aqui, os direitos humanos continuarão a prevalecer. Mesmo
quando ele é vilipendiado de várias formas e jeitos.
Todo esse quadro existente atribuo à irresponsabilidade de variados
governos, que ao longo desses últimos trinta anos deixaram de fazer o que
tinha por obrigação. Está ai a educação, a saúde e a própria segurança
como prova cabal do que afirmamos aqui. A insegurança passou a ser o
cotidiano das nossas relações sociais. Aqui quem tem manda e quem não tem
obedece. Essa é a regra em vigor. Mas as regras injustas devem ser
questionadas. ‘Pois quem cala consente os gritos do capitão’ já dizia o
adágio popular. O que percebemos como cidadão e responsável também por
tudo isso, é que as coisas precisam tomar outro rumo. Pois esse que
estamos trilhando não vai nos levar muito longe. A não ser que minha arma
seja melhor e mais letal que a sua. A sociedade paraibana (nordestina,
brasileira) precisa repactuar algumas coisas urgentemente. E essa questão
de segurança e violência é uma prioridade zero.
