Fé, palavra muito significativa na nossa existência. Pois
sem ela não estaríamos nem aqui. Eu não estaria escrevendo esse texto e
você não estaria lendo. Foi à fé dos pais da gente que nos possibilitou
isso. Sem fé não vamos a lugar nenhum. Nem conseguiríamos chegar a Tambaú
se não acreditássemos que é àquele ônibus de fato que vai pra lá. Sem fé
não tem motivação. Das palavras que conheço na língua portuguesa, fé é a
menor e mais significativa. Também a mais importante. Como se importante
fosse uma palavra sobre outra. Você é sua fé e suas circunstâncias,
parodiando o filósofo espanhol Ortega y Gasset que afirmou: ‘o homem é ele
e sua circunstância’. Pois como homem/mulher, somos de fato aquilo que
acreditamos que somos e o quê as pessoas acham que somos. Nosso espelho
sem fé não nos reflete, fica opaco. Impossível de se ver. Viver então.
Mas como disse o apóstolo Paulo de Tarso: ‘a fé sem obras não significam
nada’. Logo precisamos construir um querer, um acreditar. Precisamos nos
pegar no tempo e no espaço, no aqui e no agora e decidir em quê acreditar,
apostar, torcer, viver, experimentar, descobrir, sentir, retribuir,
compartilhar. Fé na vida. Já dizia a música. Fé nas possibilidades das
coisas boas. No auspicioso planeta Terra. Azul porque Deus é menino,
pois se fosse menina seria rosa. Até nisso existe algum tipo de fé. Fé
é o que nos move. É o que nos tira da cama. Hoje eu vou fazer isso! Amanhã
aquilo. Depois tem mais isso e isso e aquilo de novo. Todos os dias um ato
de fé. Fé no dia que nasce todo dia. Mesmo que eu não venha mais estar
aqui. Mas é a fé que vai me garantir um passado. Pois existir, ou ter
existido, foi e é um ato de pura fé.
Sem fé e sem fôlego, não vamos a lugar nenhum. É melhor sentar e pensar
aonde você deixou sua fé. Pois fé também se perde. E quando se perde a fé,
perde-se a capacidade de confiar. Só quem tem fé confia. É meio
inexplicável a coisa da fé. As religiões dão explicações de acordo a sua
cultura. Mas todas concordam num ponto: sem fé você não vai nem entender a
religião que você está tentando compreender. Mas isso acontece também no
mundo das ideologias, da política, da economia. Você não daria três reais
num pacote de pão se não viesse com o pão dentro? A fé é de fato quem
remove montanhas. Mesmo que você use uma retro escavadeira para começar
tirando o pé da montanha. A fé faz você escovar os dentes pela manhã ou
depois de comer principalmente açúcar, para que você possa ficar com seus
dentes um pouco mais de tempo. É a fé na higiene que perpetua os dentes.
Todo mundo tem fé. O problema é que uns tem fé de menos e outros
têm fé demais. Fé também tem um limite. O limite do suportável.
Cada recipiente só cabe o seu tamanho. O importante é que você não perca a
fé em acreditar nas coisas. Nas pessoas, nas possibilidades de superação.
Seja o problema que seja. Tendo fé já é meio caminho andado. E como
andando é a única forma de conhecer as redondezas, logo, caminhar com fé é
preciso. Não conheço ninguém que entre num elevador que não tenha a
certeza de que ele funciona. Tem horas que precisa se ter fé até no
desconhecido. É aquele batente que você sabe que existe e você não o está
vendo. Mas precisa descê-lo. Fé no escuro do desconhecido. Pois se você
tem fé, você sabe se pode ou não.
Existir é um ato de fé dos nossos pais. Se seu pai não fez sexo com sua
mãe, com certeza você não fará com ninguém. Mas a fé do seu pai e de sua
mãe lhes salvou. Eles acreditaram que você, através da fé na vida deles,
precisava vir pra cá. Pra ajudar em tudo isso aqui. Entendo nossa presença
por aqui como ‘ajudante do criador’. Mas um ‘tomador de conta’ do jardim
do éden chamado Terra do que ‘proprietário’. Estamos aqui pra ajudar as
roseiras ficarem mais bonitas. O mar mais limpo. O vento mais fresco. O
dia mais iluminado e o céu de estrelas mais brilhante ainda. A chuva, o
calor, a enchente. O vento forte nos cabelos. A energia que formou todas
as coisas - além de inteligente - sabia o que estava fazendo. A gente por
não ter fé ou não compreender, ou compreender errado, é que confundimos
caçarolinha de assar coelho com Carolina de Sá Coelho. Daí a
desobediência e o caos. A natureza segue regras. Os homens e mulheres de
hoje querem criá-las ao seu bel prazer.
Estamos quase perto de sermos expulsos do paraíso, por tratarmos o planeta
com desarmonia, devastando, destruindo, desumanizando a vida. Quando os
homens e as mulheres começam a se deixarem de lado, começam a admitir que
uns sejam melhores que outros e que uns têm mais direitos que outros.
Começamos a perder nossa fé na vida e começamos a criar em vida um
calvário que a todos sucumbirá. Só a fé num mundo melhor, mais justo, mais
compartilhado, com mais respeito ao outro, sem preconceito, ai sim a gente
começa de fato a entender onde estamos, porque estamos e para onde
queremos ir. Se somos todos finitos, por que não nos ajudarmos agora?
Agora é a hora. MUDE-SE. Ai você muda o mundo. Pelo menos o seu mundo
começa a mudar. Tenha fé que isso é possível. Comecemos por nós. Tenha fé
em você e na vida. Que são os outros em você.
