Não tenho mais saco para discutir esse ‘nive’ de
‘política’ a que chegamos por aqui. Peço que tenha a paciência necessária
para ouvir/ler minhas explicações. Afinal de contas sou um cidadão como
outro qualquer. Tenho direito e deveres perante a sociedade e de viver em
conjunto com tudo isso. E olhe, não sou candidato a nada. Nadinha de nada.
Sou insignificante demais para querer ser mais alguma coisa do que já
consegui ser. Meus sonhos são por coisas que o dinheiro e a vaidade não
podem comprar. Logo estou liberado dessa ‘nóia’ de ser ou aparentar ser
quem não sou, principalmente por vias materiais ou de imagens criadas para
esses fins. Não almejo sair nas colunas sociais e nem tão pouco pertencer
às academias da vida. Basta estar aqui. Pra mim é mais que suficiente.
Mas vejam bem o porquê de não mais querer me envolver, participar, desse
jogo que se faz hoje em nome de uma ‘política’ que se traduzida ao pé da
letra ficaria mais ou menos assim: a política que se faz hoje no
Brasil é um tremendo embuste. É pura enganação. É o espetáculo
mais deprimente que já assisti em toda minha vida. Pois o que se faz em
nome da ‘política’ de hoje não está no gibi. Começa pela imposição das
regras. Ao povo, o direito, o dever, a obrigação de pagar todo tipo de
imposto – impostos a ferro e a fogo – e votar obrigatoriamente, naqueles
candidatos que se faz chegar aos ouvidos e ao bolso do cidadão. Aqui
pagamos tudo e não recebemos nenhuma garantia de que a coisa vai
funcionar.
Obrigam-nos a votar de dois em dois anos, em candidatos que sempre dizem
que vão mudar o mundo. E quando a gente vê o sujeito/a, encastelado no
cargo, o encargo é sempre nosso. Pois lhes pagamos as contas do free shop,
do motel, da amante. Participamos de uma eleição atrás da outra, onde o
próprio TSE reconhece que somos o ‘patrão’ mas não nos apresenta o
comprovante de idoneidade das urnas eletrônicas. Ficamos ao bel prazer de
acreditar ou não. Não temos como fiscalizar as eleições. E ainda nos dizem
que somos os únicos responsáveis por quem elegemos. E aqui também ficamos
sem controle algum.
Um senador sabonete pode ficar lavando as mãos como Pilatos oito longos
anos no Senado e nós, os eleitores, o ‘patrão’, teremos a única e
imperdível oportunidade de mudá-lo numa próxima eleição. Depois de oito
anos? Mas tudo isso é vendido nas escolas, nas ruas, nos meios de
comunicação – principalmente pelos comentaristas ‘políticos’ - como a
maior demonstração de democracia participativa do mundo. Votamos
obrigados, não temos como comprovar a lisura do pleito, não controlamos os
eleitos, mas pagamos à conta. Desculpe, mas o desempenho dos eleitos,
tanto no executivo, quanto no legislativo, não justifica a despesa que
temos para manter essas cortes todas. Confrarias de amigos, tal qual
moscas em torno do pote de mel do erário que deveria ser público. Não
tenho, sinceramente, que referendar tudo isso com minha participação.
Daí que resolvi poupar os meus possíveis leitores de falar de tudo isso
que vocês já sabem - mas fingem que não sabe de nada - pois querer mudar
isso que está ai vai criar uma série de problemas e isso é constrangedor
nos dias de hoje. Pois ninguém quer ter problemas não é? Mas o problema
dessa pseuda ‘política’ e de seus representantes continuam. E tal qual
César eles desfilam em carros abertos, em festas populares, soltando
beijinhos e dando a mão a todo mundo. Mãos que tão logo recolhidas ao que
fazer público, privilegia o privado. E hoje existem muitas formas de se
privilegiar o privado em detrimento do público. Imagine que eu posso, com
a caneta de nomeação na mão, nomear toda a sua família e dar-lhe de quebra
uma ‘acelerada social’ de fazer gosto. É aquele caso clássico de quem
morava nos Bancários e de uma hora para outra aparece morando de frente
para o mar na praia do Cabo Branco.
Esse ano eu estou mais interessado em cultura, comunicação e educação
popular, dessas feitas a partir da reflexão do dia a dia, sem
necessariamente ajudar isso que está ai. A mudança hoje é interna. É de
dentro pra fora. Quando formos capazes de ficarmos literalmente contra
esse ‘status’ que querem nos impor mesmo com esse discurso de ‘democracia
representativa’ ai a gente começa a mudar o jogo de forças. Enquanto não,
fico fora disso! Deixa que a gente se representa. Estamos vivos e aqui e
agora. Não preciso bater palmas para ‘político’ nenhum em carros de
alegorias fajutas. ‘Não põe corda no meu bloco, nem vem com seu carro
chefe, nem dê ordem ao pessoal, pois a gente não precisa que organizem
nosso carnaval’. É só um sambinha do João Nogueira que passa nessa
avenida. Nada contra a política, com ‘P’ maiúsculo. Mas essa que se diz
‘política’ que está ai é pura enganação. Fazer as coisas com o dinheiro
público além de um dever é uma obrigação do gestor nomeado por nós. Mas
como tem Césares a cobrar do povo uma saudação.
E olhe que lhes poupei de falar na corte desses Césares em outros poderes.
Quanto mais poder nós lhes damos, mais eles querem. Nunca discutem a
função do cargo, mas querem o cargo a todo custo. Parece Luiz XIV
absolutistamente repetindo “O Estado sou eu”. O Estado - senhores e
senhoras - somos todos nós que pagamos à conta e ‘escolhemos os eleitos’.
Escolhemos? E o pior é que tão logo eleitos se esquecem de quem os elegeu.
Pois até o que é da obrigação do gestor fazer, fica parecendo que uma
concessão – estão ai as secretarias de comunicação que não me deixam
mentir – o Rei é mesmo fulano de tal, diz a propaganda e os brasões da
idade média. Até o pagamento dos funcionários é uma ‘obra’ meritória de
sua excelência. É como dizia o filósofo Blanchur: ‘o ar que respiras, fui
eu que autorizei’. Nem de cafuçu eu convenço ninguém a ser mais hilário.
Portanto, não perderei meu tempo com essa ‘politicalha’ que está
estabelecida e que parece – por um consenso muito estranho – que vai
perdurar por mais algumas décadas. Até que um dia o povo, cansado de
falcatruas e enrolações, diga alto, claro e bom som: não precisamos mais
de vocês. Caiam fora.
Eu ando preocupado mesmo é com o vôo dos passarinhos que saem da mangueira
daqui de casa para os jambeiros do outro lado da rua. Jambeiros esses que
estão ameaçados pela ‘outorga onerosa’ de quem acha que o céu pode ser
visto melhor da cobertura da minha torre de babel. Ou seria de papel? Ando
preocupadíssimo com o não brotar de uma roseira rara que consegui plantar
no jardim e as formigas teimam em comer suas folhas. Já fiz um ‘espanta
inseto’ com fumo, sabão e pimenta, mas as formigas se apaixonaram pela
roseira. Tenho preferido à natureza da natureza. Esses ‘políticos’ de
hoje, com suas esfinges e seus enigmas acham que ficarão impunes. Mas a
natureza se encarregará de fazer os arranjos necessários para que
prevaleça o bem. Pois da maneira que vamos, parece que só a maldade, a
esperteza, a ganância, inclusive política, prospera. Mas é sempre bom
lembrar o que diz a filosofia taoísta: lembrem-se da lei das oitavas, tudo
gira e volta ao seu ponto de mutação, o tempo todo. E tudo muda.
Bom, já que meus possíveis leitores já sabem o que penso sobre o que se
faz em nome da política hoje, pouparei vocês desse reme-reme. Deixarei
essa seara para àqueles que vivem preocupados em descobrir, cobrir, furar
a notícia, explicando que é mais importante saber o porquê que o senador
quer nomear fulano de tal em detrimento de sicrano, do que realmente
explicar o quê fulano de tal vai mesmo fazer naquele cargo para servir o
povo. Fica parecendo que o importante mesmo é o cargo ocupado e o
correligionário satisfeito. O quê ele vai fazer no cargo não tem
importância. Todas as despesas serão custeadas mesmo pelo contribuinte não
é? Ou seria ‘obriguinte’? Obrigatoriamente contribuinte?
Ave César! To fora.
